OPINIÃO: FIA com um novo caminho, vamos ver se melhor, igual ou pior…
Com a eleição de Mohammed ben Sulayem para o cargo de Presidente da FIA, uma coisa tenho a certeza: vai mudar muita coisa. O que não significa que a FIA esteja mal, muito longe disso. Nunca ninguém pode dizer que há algo perfeito, pois há sempre espaço para melhorar. O simples facto das pessoas serem diferentes é suficiente para que algo mude, agora se vamos ter um FIA melhor ou pior o tempo dirá. Certamente será bem diferente.
Depois da sua vida nos ralis, Mohammed ben Sulayem entrou nos cargos de governação em 2006, no ‘ACP lá do sítio’, o U.A.E. Automobile and Touring Club, foi vice Presidente da FIA em 2008 e mais tarde eleito para o Conselho Mundial da FIA. Portanto, bom conhecedor dos meandros, é.
No seu programa há coisas curiosas: Duplicar a participação no desporto motorizado. Não pretenderá duplicar o número de eventos, mas sim o número de pilotos que neles participam. Parece otimista, pois se aumentar 25% vai dizer-se que ficou 75% aquém do que prometeu.
O seu segundo ponto do programa é transformar a FIA num líder em formação de opinião sobre mobilidade sustentável. Isto é algo muito importante, mas que não vai ser fácil, pois pelo que se tem visto até aqui nestes últimos anos, os políticos têm uma agenda que não tem uma boa relação com fazer as coisas de forma racional.
Os seguintes pontos são transformar a FIA numa federação liderada pelo conhecimento, ter estruturas de governação de melhores práticas em vigor, eliminar as perdas de exploração da FIA até 2023, reforçar a diversidade e a inclusão, ter regiões mais fortes, tudo pontos que fazem sentido, e há dois que entendemos de especial relevância: desenvolver novas audiências para assegurar o crescimento a longo prazo do desporto automóvel e abraçar as tecnologias digitais.
Qualquer um de nós, adeptos do ‘motorsport’ envelhece a cada ano que passa e que ninguém tenha a mais pequena dúvida que a geração ‘millennial’ e a que se segue é e irá ser muito mais difícil de converter a esta ‘religião’ que são os desportos motorizados.
Uma vez recordo-me de ouvir da boca de Bernie Ecclestone que os adeptos que lhe interessavam eram os que tinham dinheiro, compravam Rolex. Sim, são importantes, sem dúvida, e nessa altura Ecclestone marimbava-se perfeitamente para as novas tecnologias, a internet. Recordo-me que Ecclestone contratou uma Senhora para desenvolver a parte digital da F1. Para a dar a conhecer, convocou uma conferência de imprensa, e colocou-a à disposição dos jornalistas: à primeira pergunta difícil, que foi para aí a segunda ou terceira, Ecclestone pôs a mão no braço da Senhora, que já não me recordo do nome, dando sinal que ele responderia a essa questão. Daí para a frente só Ecclestone falou. E tudo ficou quase na mesma. E a F1 poderia ter começado tão mais cedo a seduzir jovens.
E quem aproveitou foram muitos outros desportos. Este é apenas um exemplo.
Felizmente a Liberty Media tem vindo a funcionar cada vez melhor a esse nível, se nós quiséssemos ver F1 durante uma semana seguida, só parando para dormir, era perfeitamente possível, está tudo disponível online, mas para Mohammed ben Sulayem e a sua equipa é importante olhar bem para os mais jovens, porque há bons adeptos de desportos motorizados a morrer todos os dias. E os que nascem têm que passar por todo um processo que era fácil, por exemplo nos anos 80 e 90, mas que depois, especialmente 2010, se tornou bem mais complicado.
Há um ponto que Sulayem devia ‘investir’ forte: reforçar os laços entre o ‘motorsport’ e a mobilidade, regulamentando para que o ‘motorsport’ fosse cada vez mais relevante no que às tecnologias de estrada diz respeito.
Se o ‘motorsport’ ganhar influência a esse nível, o seu futuro está bem garantido.
Vamos ver o que sucede nos próximos tempos. E depois tirar ilações.
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