Morreu Vasco Callixto

Por a 29 Dezembro 2021 20:34

Tinha 96 anos, há vários textos de Vasco Callixto publicados no AutoSport, por exemplo, 50 anos de memórias. Gostava muito da nossa públicação, ao longo dos anos, várias vezes visitou a nossa redação, marcando igualmente presença da festa anual, do Carro do Ano.

Aos 86 anos, Vasco Callixto publicou o livro que assinalou os 50 anos de viagens do jornalista e escritor. Escreveu mais de 30 livros durante a sua carreira, que começou ainda nos anos 40. escreveu para a revista Turismo, no Diário de Notícias, O Século, liderou a revista Rodoviária e foi um dos pioneiros do jornalismo de viagens.

Em 2020, foi condecorado pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com o grau de comendador da Ordem de Mérito. À família e aos amigos, o AutoSport endereça as suas mais sentidas condolências.

Recordamos aqui alguns excertos do seu livro ”50 anos de memórias de Vasco Callixto”

Recordar é viver

Uma viagem à história e às história de meio século de corridas de automóveis em Portugal pelos olhos e pela pena de Vasco Callixto. É esta a proposta de “Desporto Automóvel 1957-2007 – 50 anos de Memórias”, obra dada à estampa pelas Edições Vintage e que representa mais uma importante contribuição para a historiografia do automobilismo lusitano do mesmo autor de “Fala a Velha Guarda” e “Primeiro Arranque”. De Fangio em Monsanto ao GP Histórico do Porto, uma viagem no tempo, com excertos do livro de memórias do decano do jornalismo automóvel em Portugal.

FOTO JCCallixto (Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported)

Fangio em Monsanto

«Disputou-se, entretanto, o VI Grande Prémio de Portugal, que atraiu ao Circuito de Monsanto uma multidão nunca vista. Corria em Lisboa o Campeão do Mundo, Juan Manuel Fangio. Todos os adeptos do automobilismo quiseram ir ver ao vivo o grande “fenómeno” argentino, que em 1957 alcançaria o seu quinto título mundial. Abandonando, porém, as competições no ano seguinte, Fangio não voltaria a correr em Portugal. Venceu e convenceu em Monsanto, após renhida luta travada com o jovem norte-americano Masten Gregory.

Foi este Grande Prémio de Portugal que me proporcionou o meu primeiro contacto directo com as grandes provas e as grandes figuras do desporto automóvel mundial. Colaborador de temas turísticos da revista “ACP”, como já foi dito, obtive um “livre-trânsito” para as corridas. Encontrei-me, assim, perante Fangio, obtendo uma fotografia que viria a fazer história. Diversas vezes publicada ao longo dos anos e oferecida mais tarde ao Museu Fangio, na Argentina.»

Fala a Velha Guarda

«No número de 25 de Julho de 1957 de “O Volante”, iniciei assim a série de entrevistas sob o título “Fala a Velha Guarda”, com os mais antigos automobilistas portugueses, que se prolongaria durante cinco anos, vindo a dar origem aos meus dois primeiros livros, a que mais adiante me referirei. Mas a minha colaboração n’”O Volante” alargar-se-ia depois, em grande escala, com a publicação de reportagens sobre as provas efectuadas, entrevistas com os praticantes da modalidade e visitas a fábricas de automóveis, além de artigos sobre o automobilismo em geral.

Foi meu primeiro entrevistado da “Velha Guarda” o vencedor da Rampa da Pimenteira em 1922 e antigo examinador, Artur Mimoso. E no número seguinte de “O Volante”, de 7 de Agosto, comemorativo do 31º aniversário do jornal, foram publicadas quatro entrevistas, uma das quais com o antigo motociclista Constantino Mouton Osório, que me 1930 estabelecera o recorde Paris-Lisboa. Neste número especial de “O Volante” colaboraram, entre outros, João Ortigão Ramos, Ramazzotti Lobo, Mário Cesariny de Vasconcelos, Esteves Felgas e Fernando Almiro, além dos jornalistas João Coito, Morais Cabral, Luís Pacheco, Fernando Pires e Manuel Ramos, este último correspondente de “O Volante” no Porto.»

Stirling Moss no Circuito da Boavista

Pouco passava das 6 horas da tarde quando os valorosos concorrentes ao VII Grande Prémio de Portugal iniciaram a 50.ª e última volta do Circuito da Boavista. A multidão aguardava ansiosamente a chegada. Muita gente, de pé, estava com os olhos fitos na curva da Circunvalação, esperando a todo o momento o aparecimento dos velozes bólidos da Fórmula 1, que pela primeira vez vieram a Portugal. Dezenas de fotógrafos e de jornalistas tomaram as posições mais adequadas. O Eng.º Ribeiro Ferreira segura a bandeira axadrezada. Stirling Moss, o grande corredor inglês, corta finalmente a meta e leva à Vanwall mais um brilhantíssimo triunfo no Campeonato do Mundo. O público invade a pista, todos querendo saudar o jovem e simpático volante. No entanto, Stirling Moss todos repele e daí a momentos tivemos a explicação deste seu gesto. Quis que o primeiro abraço fosse para o seu valoroso rival e amigo Mike Hawthorn, o 2.º classificado.

Primeiro Arranque

«Oito anos depois de “Fala a Velha Guarda”, publiquei em 1971 “Primeiro Arranque”, novos “Subsídios para a História do Automobilismo em Portugal”. Editado com o patrocínio do Automóvel Club de Portugal e a colaboração das mais antigas firmas do Comércio Automóvel, este livro de 380 páginas, ilustrado com diversas fotografias, historia o desporto automóvel no nosso país. Reúne o “Primeiro Arranque” breves relatos das provas disputadas nos primeiros quarenta anos do século XX, desde a corrida do Hipódromo de Belém, em 17 de Agosto de 1902, até ao V Rali Adeus até para o Ano, disputado em 29 de Dezembro de 1940, que veio a ser, afinal, um “adeus” de meia dúzia de anos, uma vez que a Segunda Guerra Mundial faria paralisar toda a actividade desportiva.»

Reencontro com Jack Brabham

«Vivi com inteiro agrado o evocativo ambiente desportivo que envolveu a primeira edição do Grande Prémio Histórico do Porto, organizado pela “Talento”, um acontecimento que voltou a encher a cidade do Porto de entusiastas do desporto automóvel. Foi o regresso dos carros de corrida à Boavista! Muito, muito agradável um reencontro com Jack Brabham, volvidos 45 anos. Tive ocasião de lhe mostrar fotografias que levara, de ambos em 1960, quando o entrevistei, após a sua vitória no Grande Prémio de Portugal. Da mesma idade, tínhamos ambos… cabelos pretos! Brabham mudou de esposa e já não conduz; eu conservo a minha e continuo a conduzir.»

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Um comentário

  1. [email protected]

    30 Dezembro, 2021 at 1:36

    DEP.

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