FPAK anuncia reinício das competições
Os políticos disseram de sua justiça e o desporto motorizado está pronto para ligar os motores. Há um ‘mas’. Chama-se Plano de Contingência, e lá estão expressas todas as medidas necessárias para que tudo avance. Não vai ser fácil, mas também está longe de ser impossível. Muito longe.
Estão finalmente reunidas as condições para os regresso das competições motorizadas em Portugal e apesar de ainda faltar conhecer diversos calendários, a FPAK e os clubes estão a trabalhar para traçar o mapa definitivo do que irá ser a meia-época motorizada em Portugal. Há, como vai perceber nas próximas linhas, muitas condicionantes, dificuldades logísticas acrescidas para os clubes, mas resta agora aguardar para perceber, entre os clubes, aqueles que vão conseguir desdobrar-se ainda mais em esforços para que os motores se façam ouvir. Como se pode calcular, há competições me que as pedras no caminho serão maior que outras, mas nunca como agora houve tanta união e consequentemente uma maior vontade de ultrapassar tudo.
Depois de muito tempo de espera, a FPAK já teve luz verde, em forma de Resolução do Conselho de Ministros 40-A/2020, do passado dia 29 de maio, e em especial o disposto no respetivo Art. 19. A isto se juntou a Orientação 030/2020 emanada pela Direção Geral de Saúde na mesma data e, por fim, juntando o Plano de Contingência da FPAK – que o AutoSport já tinha anunciado por alto – temos aqui os ingredientes para bons ‘menu’. Resta esperar que seja possível aos ‘cozinheiros’ produzir boas ‘refeições’, que os pilotos, equipas e público possam saborear. Já sabemos que nem tudo será como dantes, mas pode ser suficientemente bom para ficarmos satisfeitos.
Resumindo, estão agora reunidas condições para se poder preparar e implementar o reinício de todas as competições, cuja realização tinha sido suspensa em consequência da pandemia, exceção feita às competições nos Açores que aguardam parecer favorável do Governo Regional do Arquipélago.

O Plano de Contingência da FPAK
Na impossibilidade de detalharmos aqui todos os pontos deste plano (se o quiser conhecer, aceda ao nosso site, www.autosport.pt) que é um completo guia para toda a ‘família’ dos desportos motorizados em Portugal, adeptos incluídos, claro, onde se explica o que podem contar para os próximos tempos no combate à pandemia de Covid-19. É importante que todos leiam com atenção, pois os clubes organizadores vão ter muito com que se preocupar, pelo que seria muito bom o público em geral saber com o que conta. E para o saber, basta ler.
Aqui ficam, resumidas, as medidas do Plano de Contingência:
A FPAK pretende retomar as provas dos Campeonatos e Portugal, Campeonatos Regionais e outros, nas suas variadas modalidades (…) conjunto de normas e procedimentos a serem implementados que estão de acordo com as diretrizes da Direção Geral de Saúde e que apresentámos ao IPDJ para garantir a segurança e as questões sanitárias dos eventos desportivos sob a nossa responsabilidade. O objetivo é torná-las obrigatórias para que o automobilismo e o karting possam regressar ao ativo. Todos os envolvidos nas competições, assim como o público em geral, devem ter conhecimento do seu conteúdo. Deve, portanto, ser garantida a ampla divulgação do seu conteúdo, para minimizar o contágio de Covid-19 e garantir a saúde e segurança de todos os intervenientes no espetáculo desportivo. A implementação de um plano de contingência, o uso de EPI (Equipamentos de Proteção Individual) e outros procedimentos de proteção coletiva e logística, poderá ser entendida como um Manual de Boas Práticas para a Competição, no âmbito da pandemia SARS-CoV e CoV-2 (COVID-19).
Assim, para determinar as medidas a serem tomadas ao reiniciar as competições, é preciso ter em consideração as mesmas premissas que são exigidas às empresas ao iniciar as suas atividades, após o final do estado de emergência.
Medidas Base: Distanciamento Social: distâncias entre pessoas que realizem uma atividade no mesmo espaço físico.
Equipamentos de Proteção Individual (EPI)l: Termómetros infravermelhos, gel álcool, máscaras, luvas, roupas de EPI, óculos de proteção, anteparas, fitas de marcação de separação, etc.
Capacidade dos Espaços: em cada área de trabalho, dependendo do espaço disponível, definir o número máximo de pessoas.
É necessário dar um tratamento específico a cada localização particular da competição, desenvolvendo um protocolo específico para cada um deles.
Cada organizador, em conjunto com a FPAK, deve divulgar a todos os intervenientes na competição, as diretrizes obrigatórias para cumprir essas medidas preventivas, utilizando todos os seus meios de comunicação: Redes Sociais, Sites, Imprensa, Mupis, Outdoors, Mail Marketing, etc.
Parques de assistência/paddock fechados ao público
Entre as medida contidas no Plano de Contingência da FPAK, para a retoma das provas dos Campeonatos e Portugal, Campeonatos Regionais e outros, nas suas variadas modalidades, há informações importantes para os adeptos, como por exemplo esta especificamente reserva aos parques de assistência/paddock. O público em geral está proibido de entrar nos parques de assistência/paddock, até nova ordem. O espaço será fechado/vedado, com uma fila de baias no acesso, devendo ter um segurança à entrada e outro à saída; A organização deverá ter o espaço previamente dividido e marcado, dando a margem de segurança sanitária entre as diversas equipas; Apenas as equipas, os mecânicos que efetuem trabalho nos carros, os Delegados Técnicos, e outros elementos devidamente autorizados pela organização, podem estar no parque de assistência, evitando assim a concentração de pessoas; É proibida a permanência de pessoas sem máscara ou outros EPI; Deve ser mantido o distanciamento social de, no mínimo, de 2 metros; Devem existir diversos locais com a solução de gel álcool e pontos de água com sabão azul, para lavar as mãos; Mais do que nunca, é obrigatória a presença de uma ambulância no parque de assistência; É mandatário que a entrada seja diferente da saída e que o percurso a fazer esteja marcado/assinalado; Devem estar previstos pela organização diversos locais, dentro do parque, para a recolha dos diversos desperdícios/material não reutilizável/descartáveis; Deve ser assegurada a presença de vários oficiais/voluntários, devidamente formados, informados e equipados com os EPI, para manter o cumprimento e a vigilância nestes espaços.
Shakedown/Qualifying e Prólogo: Organizadores decidem
A maioria dos aspetos do Plano de Contingência da FPAK, são mandatórios, mas há questões, como a realização do Shakedown/Qualifying/Prólogo que vão ficar ao critério dos organizadores, ainda que sob aprovação de um plano apresentado à FPAK.
Cabe aos organizadores dos eventos, avaliarem se estão reunidas as condições de segurança, de acordo com o plano de contingência do COVID19, para a realização do Shakedown e/ou Qualifying nos ralis, e prólogo no TT. O plano de segurança deve ser apresentado previamente à FPAK, para análise e aprovação. Chama-se a atenção para as condições de segurança, que têm de ser iguais a uma PEC/Setor Seletivo, e há necessidade de existência dos respetivos parques. Caso se realize o qualifying/prólogo, a ordem de partida será feita com base nos tempos obtidos pelos concorrentes.
CPR: Super-especiais desaconselhadas…mas não proibidas
Tal como o AutoSport já tinha referido, as super especiais não são aconselhadas, mas estas não são proibidas. Caso as organizações entendam que as devem realizar, têm de cumprir as regras seguintes: Quanto às super-especiais, não se aconselha que seja realizada, mas se a organização assim o entender, por exemplo pela necessidade de cumprir compromissos estabelecidos com os patrocinadores, tem de obedecer às seguintes condições: a) Sem público ou com zonas destinadas ao público com limitações de número de pessoas, devidamente vigiadas por elementos das forças policiais, desde que cumpridas todas as normas de segurança preconizadas pela DGS para estas situações; b) O uso de EPI e o distanciamento social terão de ser respeitados; c) Se a prova for realizada em zona urbana, só os moradores a partir do 1º andar, inclusive, poderão estar às janelas e varandas de casa, ou nas zonas protegidas e vigiadas por elementos da segurança pública/forças policiais; d) Todo o percurso deve estar isolado, através de policiamento e de grades; e) A prova poderá ser gravada e transmitida nos meios audiovisuais.
CPR/CPTT: Cerimónias de partida/chegada ‘desaconselhadas’
Enquanto durarem as restrições devido à pandemia de Covid-19, a FPAK desaconselha a realização de cerimónias de partida e chegada, sendo que nas zonas de controlos horários das Provas Especiais de Classificação (ralis) ou Setores Seletivos (TT) os adeptos podem contar com restrições do estilo que se vê, por exemplo, no Rali de Portugal, de modo a afastar ao máximo as pessoas dessas zonas.
Ralis: Não chegue tarde…senão pode não ter lugar
No plano de contingência da FPAK está reservada uma alínea para o público, e até à data da primeira prova pode haver alterações em termos das restrições. De resto, espere por zonas de público específicas e delimitadas ao longo das PEC, com capacidade limitada. Aqui o risco é se chegar demasiado tarde, ficar de fora: “Pese embora se desconheça o número de pessoas que possam estar em grupo, à data de cada prova, (hoje dia 12 de maio de 2020, são 10), têm de haver zonas delimitadas ao longo das PEC, assinaladas como zona de público e com indicação de qual a capacidade (para X pessoas);
Estas zonas devem estar protegidas e acompanhadas por forças policiais, agentes de seguranças e/ou oficiais ou voluntários municipais, devidamente formados e informados; Nos dias anteriores ao rali ou no próprio dia, deverá a organização distribuir panfletos ao público, com a indicação dos acessos a essas zonas, orientações e procedimentos adequados a serem seguidos”, lê-se no plano de contingência da FPAK.
Velocidade: Corridas em direto na internet?
Sempre que possível, a ideia para a velocidade é transmitir as corridas através da internet, algo que está nas mãos da ANPAK, que é a detentora dos direitos, no caso do Open de Velocidade, Clássicos, etc. (não esquecer que há competições de pista fora do âmbito da ANPAK). Esse é dos pontos mais importantes, já que a sugestão da FPAK passa por provas sem público ou com limitação do número de pessoas. Ao contrário do que sucede normalmente, não pode haver público no paddock e boxes.
Para além da Velocidade, que se realiza em circuitos, há ainda o Karting e o Off Road, a quem a FPAK sugere – mas não obriga – também que façam provas à porta fechada, sem público, ou pouco, acesso limitado ao paddock e por fim, preferencialmente, transmitir corridas via internet para toda a gente poder ver.





