ETCR: Jordi Gené descreveu o Cupra E-Racer

Por a 27 Novembro 2018 12:53

O piloto de testes da Cupra falou sobre as prestações da nova máquina que a Cupra está a desenvolver para o campeonato que tem data de lançamento marcada para 2020. O espanhol de 47 falou sobre as características do carro 100% elétrico:

“Tudo é muito novo e, para entendê-lo bem, é preciso dar um passo para trás, não tendo nada como garantido, independentemente da experiência que o piloto possa ter”, disse Gené. “Eu não conhecia a tecnologia com a qual estamos a trabalhar e há muitas coisas novas, coisas que não aconteciam até agora, como o carro deixar escapar fumo quando está a arrefecer. Temos de saber o que está a acontecer a cada momento, porque a gestão de temperaturas é possivelmente uma das partes mais difíceis. É uma das características mais críticas dos carros elétricos e na qual temos que trabalhar mais com os pilotos. Há outras coisas que são espantosas no começo, como por exemplo a capacidade de acelerar. É brutal. Neste carro o piloto deve estar preparado para a potência.”

“Conduzir este carro é mais difícil no geral. Por exemplo, nas curvas, quando chegamos ao apex, temos de travar um pouco mais por causa do peso extra. É aí que entra o trabalho de afinação do piloto, que tem de ser aprimorado para esse peso, que é muito bem distribuído, pois está no centro e muito baixo, e não prega partidas nem compromete o trabalho. Esse peso é mais percetível nas curvas longas, em que o carro tem uma tendência em abrir na saída da curva. Entretanto, quando a reta chega, a aceleração é grande e o que se perdeu na travagem é compensado. É uma estratégia de condução diferente, uma pilotagem diferente.”

“Há muito mais ferramentas do que num carro convencional. Há diferentes maneiras de regenerar energia e é preciso otimizar tudo para obter a maior autonomia possível. Na corrida, o piloto tem que ser muito eficaz neste aspecto para poder chegar ao final da corrida com um nível competitivo decente. Tudo isto se pode controlar a partir do volante. Podemos pedir que o carro carregue mais as baterias na travagem ou que as carregue apenas quando se levanta o acelerador sem travar. Podemos gerir o controlo de tração de cada roda separadamente …”

Há muitos fatores que  se podem mudar a partir do volante a qualquer momento. Isso faz com que o piloto tenha que pensar muito mais e tudo isso criará suspense, e não será fácil. Será preciso controlar a carga da bateria, a temperatura das células, a temperatura dos motores… Até que todas estas informações e o trabalho necessário para atingir o desempenho ideal estejam mais automatizados, o piloto terá que estar atento e agir imediatamente. Além do painel típico do carro de corrida, temos outro painel no volante, onde podemos mudar muitos parâmetros operacionais.”

O espanhol diz que quando a nova era dos carros de turismo começar, a aproximação das equipas e dos pilotos terá que mudar para atender às exigências e características da nova geração de carros de corrida.

O que é mais complicado é tudo relacionado à gestão de energia e a nova eletrónica. Num carro de corrida elétrico, muitos fatores mudam. Estamos acostumados a carros de combustão, a ter dez voltas e a única coisa que muda é a degradação do pneu e a eficácia dos travões.”

“Além disso, todos esses fatores mudam o comportamento do carro. Se regenerar mais energia, é preciso compensar com a distribuição de travagem, porque quando se levanta o pé do acelerador desaceleramos com as rodas traseiras onde está o motor elétrico.”

“A aceleração muda dependendo do modo de potência escolhido. O carro comporta-se de forma diferente e é muito variável. As referências de travagem mudam a cada volta, dependendo da potência e regeneração escolhidas, porque chegamos à curva a diferentes velocidades. Para um piloto,, é um grande desafio, muito mais do que pode parecer. Será muito interessante.”

“Tenho entendido outros fatores, trabalhando no desenvolvimento do CUPRA e-Recer”, continuou Gené. “Por exemplo, coisas que meu irmão Marc contou sobre seu trabalho com o KERS, o que implica sua operação e o que acontece quando aceleram e, especialmente, quando desaceleram, assim como os problemas que eles tinham no início de sua configuração, quando os carros travavam.”

“De qualquer forma, ainda há muito a fazer, muito trabalho pela frente, não apenas um set-up, mas também na gestão para facilitar o trabalho do piloto e dos próprios engenheiros. Serão competições espetaculares e estamos perto de ter o alcance necessário.”

Entende-se assim que numa primeira fase, as corridas serão mais de gestão do que típicas corridas sprint. O trabalho de gestão de temperaturas e a forma de pilotagem a cada volta será a maior dor de cabeça até que a tecnologia se desenvolva mais. Não serão corridas como as conhecemos atualmente, mas será outra forma de competição, à qual nos teremos de adaptar.

 

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