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Entrevista a Ni Amorim (Presidente da FPAK): “O segundo ciclo é de fomento do desporto automóvel, ou seja, investimento em todas as modalidades” | AutoSport

Entrevista a Ni Amorim (Presidente da FPAK): “O segundo ciclo é de fomento do desporto automóvel, ou seja, investimento em todas as modalidades”

Por a 22 Junho 2022 12:39

Esta semana entrevistámos Ni Amorim, Presidente da FPAK, que falou de temas importantes para a ‘vida’ do desporto motorizado nacional. E há boas novidades…

Há já algum tempo que não conversávamos mais profundamente com Ni Amorim, mas depois de termos ouvido uns ‘zunzuns’ relativos a alguns temas, nada melhor do que meter mãos à obra. Daí resultou uma conversa em que foram confirmadas algumas das novidades que nos ‘sopraram’ ao ouvido, e em boa hora, pois apesar de muitos arautos da desgraça que pululam especialmente nas redes sociais, há felizmente boas novidades a chegar.
Falou-se, naturalmente, do novo FPAK Júnior Team, que já arrancou em Castelo Branco, de licenças, algo que é ciclicamente alvo de críticas, do alargamento da cobertura televisiva a outras competições.
A novidade de 2022, dos Campeonatos Promo e Start de Ralis, que tanta celeuma tem dado, foi abordada. Há também novidades quanto aos Motorsport Games, mas não só.
Ni Amorim explica ainda como ‘anda’ a FPAK, depois de dois anos difíceis devido à pandemia de Covid-19, ‘salvos’ pela Fórmula 1.
Falou-se de retorno mediático, das relações da FPAK com a nova FIA e também sobre os problemas por que passa o Circuito de Braga.
Uma conversa interessante, a não perder…

Há muito se fala do FPAK Júnior Team, já foi apresentada uma equipa, outras cinco estão na calha, a FPAK está a apoiar esta iniciativa, quer explicar os contornos?
O FPAK Júnior Team é uma iniciativa que já queríamos ter lançado no passado, mas foi agora que tivemos condições, com segurança para o conseguir fazer. O projeto consiste em apoiar seis equipas em cinco provas de asfalto no ano de 2022, as equipas tiveram a responsabilidade de encontrar os pilotos, o máximo de idade permitida é até 25 anos, o nosso foco é os jovens, a renovação dos ralis, que é este caso concreto de que estamos a falar.
Estou muito otimista pois vamos dar um contributo grande do ponto de vista financeiro e o esforço das equipas e dos pilotos será muito mais reduzido, do que em circunstâncias normais. Isto representa um investimento naturalmente muito grande, mas acho que a federação está numa altura em que tem de fazer investimentos, porque tal como tínhamos previsto quando ganhamos as eleições, no mandato passado, há um tempo para tudo, isto é feito por ciclos, o primeiro está concluído, o segundo ciclo é de fomento do desporto automóvel, ou seja, investimento em todas as modalidades.”
A FPAK paga os carros, os pneus para todo o campeonato, as equipas e os pilotos só têm de se preocupar em pagar a manutenção do carro. E ainda pagamos as inscrições! Portanto, é uma ajuda muito significativa.

A ideia é prosseguir com isto nos outros anos?
“Sim a nossa ideia é isto ter continuidade, não sabemos se com outro carro ou com outra marca, mas neste momento o que encontrámos no mercado como solução mais equilibrada, para um começo, foram com estes carros, os Kia Picanto GT, se para o ano é com o KIA Picanto ou não, ou outra marca qualquer, também já tive reuniões com construtores, que estão aqui representados em Portugal, e vamos ver o que o ano que vem nos reserva, para já o que é importante é que façamos 2022 e demos a garantia de que este projeto é para continuar em 2023, só não sabemos com que carro que vai ser eleito.

Um dos pontos de crítica recorrentes tem a ver com as licenças, será que a FPAK tem previsto algo diferente para 2023 a esse nível?
“Sim, e não é só para 2023, já para 2022 tem previsto muita coisa nessa área: está tudo praticamente definido, no fim do ano de 2022 nós teremos cerca de 230 premiados nas mais diversas categorias do desporto automóvel. E o que vamos fazer é oferecer licenças a todos os 230 campeões deste ano.
Portanto, em 2023, não pagam licença desportiva. Isto é inter-geracional, vai dos novos aos mais velhos e no fundo é uma forma de nós reconhecermos o mérito a quem o tem e é altura da federação também ter esta iniciativa.
Portanto, falando de licenças, esta é uma mudança profunda. Vamos também aos vencedores dos campeonatos e séries internacionais, não esquecendo os pilotos que correm lá fora e representam Portugal, aqueles que vençam os seus campeonatos ou as suas séries, também terão a mesma benesse, ou seja, não pagam licença no ano de 2023.
Há em matéria de licenças outra medida que, creio, ajuda à renovação das idades dos pilotos que participam nas mais diversas categorias do desporto automóvel em Portugal. É que, este ano já, pilotos até aos 23 anos, que tirem a primeira licença desportiva, portanto que seja a primeira, não pagam a licença desportiva em todas as categorias do desporto automóvel.
Portanto este é um grande incentivo para os pilotos que se querem iniciar, é menos um custo que têm, ou seja em matéria de licenças.
Ou seja, em termos de licenças estamos a falar de uma revolução total e absoluta, que nunca foi posta em prática…

Outra coisa que a FPAK fez foi alargar a cobertura televisiva a outras competições, aos Campeonatos Promo de Ralis e Campeonatos Start de Ralis. É um esforço significativo que a FPAK está a fazer? Que feedback tem tido dos concorrentes?
Sim, como sabem esta transição dos Promo e dos Start tem dado polémica, nos Start já se fizeram ajustamentos, que foram mais ao encontro dos pilotos, vamos ter que encontrar também soluções para o Promo. Eu sou um homem completamente a favor do diálogo, e de estabelecer pontos comuns. A federação sempre pecou muito pela falta de diálogo e sempre decidiu muito sozinha, sem ouvir ninguém, mas isso não acontece na minha presidência.
Embora no final tenha eu de decidir, pois no final é difícil agradar a todos. É totalmente impossível, vai sempre haver alguém a ficar descontente, com as medidas que se toma.
Mas investirmos no Start, onde a ideia é que venham correr pilotos como carros baratos, e que tenham visibilidade. Nesse contexto, decidimos, já no Rali de Alitém, contratar a Movielight, para produzir televisão para os Start e para os Promo.
Para que se tenha uma ideia, pois as pessoas que vemos falar, falam muito, mas percebem muito pouco daquilo que dizem, uma inscrição no Start com cronometragem incluída, 1650€. Nós pagamos mais de 2.200€ para que o Start possa ter, a partir de agora, televisão, e apareça, no maior número possível de canais de TV e tenha uma muito maior cobertura televisiva.
O Promo, que vi que os pilotos se queixaram, nomeadamente os mais velhos, os que andam aqui há mais anos, que em Vieira do Minho, não tinham tido cobertura nenhuma, decidimos em sede de reunião de direção fazer um esforço, os Promo são importantes, são carros que o público ainda gosta de ver, temos muitos carros em Portugal, temos que os aproveitar da melhor forma possível e também pretendemos que a Movielight passe a fazer a cobertura de todas as provas que faltam do campeonato Promo, até ao final do ano. Sabem quanto é que paga um clube para ter uma prova Promo? Com cronometragem, 2.750€, é praticamente o que nós pagamos de TV. Portanto estamos aqui a investir dinheiro nestas categorias, e depois chegará a altura de falarmos, de nos sentarmos, para decidir o que vai suceder em 2023.

De qualquer forma, provavelmente neste tempo tem falado com muita gente, que feedback é que tem tido quer dos pilotos do Start, quer do Promo relativamente ao que tem vindo a acontecer?
Os pilotos do Promo tomaram uma posição no início do ano, uniram-se. Vamos ter que perceber que os pilotos do Promo, antigos regionais, há muitos anos que não estão de acordo a andar atrás dos nacionais. Há muitos anos que não estão de acordo em receber os prémios no domingo às oito da noite, estão fartos de passar pelos troços depois de passarem os concorrentes do Campeonato de Portugal de Ralis, porque já não têm condições.
Isto é uma coisa muito antiga, e agora houve um click e o click foi ter-se mudado o nome e o copo transbordou.
Viria na mesma, era inevitável, eu participo nas reuniões e sei o que ouço. Eu acho que nem o CPR pode viver sozinho nem o Campeonato Promo pode viver sozinho. E portanto o que nós vamos ter que fazer, sendo homens inteligentes, é sentarmos-nos com os clubes e com os pilotos do Promo e do CPR, deixarmos de cada um olhar só para os seus interesses pessoais, cedermos um bocadinho de um lado e doutro e encontrarmos uma solução para 2023.
Se essa solução puder ser encontrada em consenso e em diálogo, não fazem ideia o contente que fico. Se não puder ser encontrada essa solução concertada, entre todas as partes, é evidente que a FPAK tem que tomar uma decisão e criar o campeonato que entender, é o que for possível. Penso que vamos encontrar uma solução, quando as pessoas estão de boa fé, a tentar fazer o seu melhor, o trabalho positivo acaba sempre por vir ao cimo.
“Mas sabe, que o foco para este ano é, com já se apercebeu pela conversa que tivemos, não só dar notoriedade ao Start e ao Promo – isto das licenças foi uma revolução completa – e vamos também fazer um investimento muito grande, sempre com foco nos jovens, que é que vamos participar – Portugal – no Motorsport Games em Paul Ricard no final deste ano.
É uma espécie de Jogos Olímpicos do desporto automóvel e karting e como queremos ter sucesso, decidimos que iríamos estar presentes no Drift, eSports, Karting e CrossCar – que é o nosso ralicross – na categoria dos 13 aos 16 anos, mais uma vez o foco são os jovens é aí que vamos apoiar. No Drift, de certeza que será um jovem mas ainda vamos ver quem está em boas condições para fazer, não só um bom resultado, como que a sua participação possa contribuir para o futuro da sua carreira. É preciso ver que apoiamos, antes da pandemia, um piloto no Drift, fez a pole position e depois correu-lhe mal a corrida em Vallelunga, mas deu uma enorme notoriedade ao Drift em Portugal, pelo facto de termos feito essa aposta. O piloto pintou o carro todo com a bandeira de Portugal e o que é certo é que no meio dos “trutas” todos, fez a melhor volta. Foi uma boa performance.
Nos juniores com miúdos entre os 11 e os 14 anos, vamos apostar em 4 categorias de Karting nos Motorsport Games. Portanto estamos a falar de um investimento significativo, mas no fundo é uma forma que eles têm de se comparar com outros pilotos debaixo de um chapéu mediático gigante que a empresa que organiza os jogos conseguiu para este evento, que não tem só Karting ou eSports, tem velocidade, tem Turismos, tem GT’s, tem classificativas de ralis nas imediações do circuito. Aliás, é um projeto interessantíssimo para trazer para Portugal. Estou há muito tempo a fazer força, e já convidei o responsável por este projeto na FIA para vir ao Algarve, onde já esteve, para ver as infraestruturas que temos em Portugal para que no próximo ano o Algarve seja um candidato a receber os Motorsport Games em termos internacionais, porque temos tudo. Temos Todo-o-Terreno, temos ralis, temos as classificativas do rali do Algarve – Monchique logo ao lado – mais perto é quase impossível. Temos a pista de Karting em que recebemos o Campeonato mundial de Karting e a primeira prova do Campeonato europeu de Karting deste ano. Se em termos de kartódromo estamos conversados, em termos de pista, conversados estamos. Nem é preciso dizer mais nada, porque temos uma das melhores pistas da Europa e portanto, já andei com o Paulo Pinheiro, no verão passado, a mostrar as infraestruturas e as potencialidades que o Algarve tem. Gostávamos que os jogos viessem para Portugal, porque daria uma enorme visibilidade ao nosso país.
Neste momento estão em Paul Ricard, uma pista muito ligada à FIA e à FFSA [n.d.r. Fédération Française du Sport Automobile, federação francesa de automobilismo], digamos aos grandes lobbies internacionais, para simplificar, portanto não é nada fácil, mas se não trabalharmos é que não conseguimos de certeza absoluta.

Há aí outro rumor que ouvi, não sei se pode falar nisso, que é sobre o fundo jurídico de apoio aos clubes associados…
Fiquei com pena de não ter intervido mais e por não ter podido ter agido mais, só conseguimos disponibilizar o advogado da Federação para ajudar ao processo no acidente o Rali de Guimarães, onde morreram três pessoas
pessoas (ndr Edição 2014 do Rali Sprint de Guimarães, rali em que perderam a vida três espectadores, colhidos por um carro que disputava a prova e que se despistou].
Decidimos criar um fundo jurídico no valor de 20.000 Euros. Isso é a mesma coisa que retirar o dinheiro da conta, é um fundo, basicamente o valor fica retido para que se algum clube tenha necessidade, esperemos que não venha a acontecer, de recorrer à justiça, que não seja por falta de apoios financeiros que não o possa fazer. Terão condições para que possam recorrer à Federação e que através desse fundo possam suportar as custas, os advogados, tudo o que está inerente a este tipo de processos.

Numa altura em que, aparentemente, já passamos a fase mais grave da pandemia de Covid-19, que balanço é que FPAK faz destes dois anos e tendo em conta até, os investimentos que está a fazer depois de um período complicado?
Evidentemente que a pandemia atrasou imenso o nosso primeiro mandato. Estivemos dois anos em ‘banho-maria’ sem saber o que fazer, com investimentos congelados, recorremos ao lay-off, de 200 e muitas provas passaram para 70 e tal provas em 2020. Não demos prejuízo porque tivemos duas taxas internacionais que são boas, grandes, que foi conseguirmos que o GP de Fórmula 1 viesse a Portugal duas vezes num espaço de oito meses, que nos ajudou a não dar prejuízo nesse ano. Cortamos um milhão de Euros em custos, para que tenha uma ideia. Estávamos a trabalhar com os serviços mínimos, com 4 ou 5 pessoas, o resto estavam em lay-off como disse, para assegurarmos conseguir realizar as provas. Foi muito difícil, mas fomos a seguir ao futebol, a primeira modalidade desportiva que reativou a sua atividade.
É claro que não ter todo o pessoal, tudo o que é fazer calendários, regulamentos, o que queríamos que fosse mais célere para que as pessoas tivessem conhecimento com mais antecedência, isso foi prejudicado. Esperamos que a partir deste ano, e se não houver mais problemas, que consigamos melhorar essa parte.
Em relação à parte financeira, nos dois primeiros anos do meu mandato, foi preciso ‘arrumar com a casa’, acabar de pagar as dívidas, desipotecar as instalações das Finanças e dos bancos, e depois foi preciso modernizar a Federação, quer em termos informáticos, quer em termos de instalações físicas. Conseguimos em dois anos fazer um bom trabalho nesse sentido e depois decidimos seguir uma estratégia de capitalização da Federação. Apresentamos os melhores resultados de sempre há 3 meses atrás, na última Assembleia Geral. Agora estamos em condições financeiras, sem nunca colocar em causa a sustentabilidade económico-financeira da instituição, de termos investimentos plurianuais na ordem dos 300 mil Euros, pelas nossas contas. Ou seja, até ao final do mandato um investimento de cerca de 1 milhão de Euros. São essas as nossas previsões se não houver uma subida da inflação descontrolada e a guerra na Ucrânia não nos trouxer mais surpresas tristes do que aquelas que tem trazido. Se acontecer algo inesperado, temos de fazer a mesma coisa que fizemos com a Covid-19, é travar e suspender o que estivermos a fazer. Esperemos que não porque finalmente temos meios ao nosso alcance como nunca tivemos.
Quando digo que isto é para cumprir, temos de ter em conta dois vectores importantes. Um, os jovens, porque este plano tem em primeiríssima mão a ver com os jovens. O outro tem a ver com os associados, porque ao aumentarmos mais de 300% o nosso orçamento para a comunicação, vamos beneficiar os associados. Os clubes e estes precisam de visibilidade para terem clientes. São estes dois vectores fundamentais em que trabalhamos e alocamos uma parte significativa deste investimento.

Isso que acabou por dizer, tem ligação com a minha próxima pergunta que é como tem evoluído o retorno mediático das diversas competições em Portugal?
Os investimentos estão agora a ser aplicados e ainda não podemos estabelecer comparações. É muito cedo porque foi tudo agora decidido. Mas é certo que temos canais de televisão contratados como nunca tivemos antes. Temos as redes sociais para o Campeonato Portugal de Rali e para o Campeonato Portugal de Todo-o-Terreno, como nunca tivemos e estamos a ir buscar profissionais que são considerados os melhores do nosso país. Temos um programa, um magazine, todas as quartas-feiras às 21.30h, que é o ‘À prova’ nas nossas plataformas digitais, onde queremos criar o hábito a quem gosta de automóveis sobre o resumo ou antevisão das nossas provas. Demos passos significativos, mas todos sabemos que quando se faz bem é muito difícil dizer-se que se fez bem e basta apenas uma coisa menos bem, surgem críticas

Surgiram rumores de que Portugal poderia pertencer a um calendário rotativo da F1. O que nos pode dizer sobre este tema?
Ouviu-se um rumor e é apenas um rumor e não passa disso. A minha opinião pessoal e espero estar enganado, creio que não será possível essa rotatividade de Grandes Prémios no Sul da Europa, neste caso entre Portugal e Espanha. A F1 está a atravessar um período terrível de desavenças entre a FIA, o Promotor, os chefes de equipa e os pilotos. Uns querem mais provas, outros nem pensar. Isso também nos prejudicou este ano, pois com a saída de Sochi, por causa da Guerra da Rússia com a Ucrânia, surgiu uma vaga e nós éramos candidatos a essa vaga. Os pilotos juntaram-se e falaram com as equipas, referindo que já não aguentam mais provas, acham que já é demais, até querem menos. O promotor evidentemente quer mais provas e as relações têm sido muito tensas entre a autoridade máxima do desporto automóvel e o promotor. Esta situação até fez rolar cabeças e veja-se esta situação do Peter Beyer na segunda feira a seguir ao Mónaco, o que não foi nada bom para Portugal porque era um indivíduo com muito poder na FIA e que todas as grandes competições internacionais que passaram por cá como já referimos, tiveram a sua forte influência para que tal fosse possível. Teremos de trabalhar com quem vier, o que não quer dizer que seja pior e até pode ser melhor.

Como estão as relações da FPAK com a nova FIA?
As relações com a FIA são muito boas e recebi um e-mail do presidente da FIA a dar-me o seu número de telemóvel e a pedir-me desculpa por ter estado no rali de Portugal para a cerimónia dos 50 anos do WRC. Cumprimentamo-nos, falamos dois minutos, pois estava a ser muito solicitado, mas ele foi embora logo no dia seguinte. Ficou com pena de não termos falado e como tal mandou-me uma carta a colocar-se à disposição, dizendo que se precisasse de alguma coisa que lhe poderia telefonar e se entender que devemos ter uma reunião para resolver algum problema, para lhe propor uma reunião quando entendesse. Foi muito amável e simpático e creio que as excelentes relações com a FIA serão para manter e só temos a ganhar com isso, com a vinda das grandes provas internacionais como nunca tivemos e as grandes receitas da Federação vêm das grandes provas internacionais.

Com Eduardo Freitas à cabeça, temos vários portugueses em bons cargos na FIA neste momento certo?
Sim, é verdade, temos o Rui Marques, por exemplo, que é diretor de corrida da F2 e da F3, temos o Carlos Barros que está há muitos anos na FIA, o Pedro Almeida que está ligado ao TT. Temos um português que está nos quadros da FIA que trabalha na área da segurança, o Nuno Costa, muito jovem, muito válido. Apareceu a fazer reuniões em briefings na comissão a que eu pertenço na FIA ainda antes da pandemia e acho que vai subir na hierarquia pois tem o apoio de muita gente, é muito dedicado e gosta muito do que faz.

O que pensa sobre o nascimento do Circuito do Sol e de que modo pode ser aproveitado?
Gosto de falar com conhecimento de causa sobre os temas e neste momento ainda não tenho a informação toda do meu lado para fazer um comentário fundamentado. A ideia é ótima, era excelente que aparecesse uma nova alternativa porque com Braga, estamos numa situação de total e absoluta indefinição. De Braga já falo com conhecimento de causa, falo quer com os acionistas, quer com a câmara e não vejo forma de se entenderem, o que me deixa preocupadíssimo. Temos muitas equipas a norte, nomeadamente nos clássicos e a pista de Braga era muito boa para fazer testes, muito mais económica, ao invés das pessoas do norte terem que ir a Lisboa ou ao Algarve para testar. Não só para as corridas era importante, mas também para esta vertente mais técnica. Fico muito desgostos se não se encontrar uma solução, mas vejo o tempo a passar, ainda no outro dia assinei eu próprio uma petição que vi na internet a sensibilizar a câmara para que volte o circuito de Braga, mas sinceramente estou muito pessimista, não vejo respostas concretas, quando peço algo por escrito não tenho resposta e isto normalmente não é bom sinal. Há problemas entre acionistas que eles têm de resolver. A parte que não se consegue ultrapassar é a câmara dar o aval ao circuito para que se possam realizar corridas, o que tem a ver também com as regras da aviação civil que tem uma pista no meio do circuito. Mas eu recordo-me quando surgiu o circuito de Braga, no início dos anos 90, corri em Súper Turismos e lembro-me que já nessa altura os aviões aterravam e descolavam. A única coisa que acontecia era no caso de necessidade de uma aterragem, as corridas tinham de ser interrompidas. Nas dezenas de vezes que eu corri lá, tal nunca aconteceu e se esse é o problema não vejo porque não se possa ultrapassar, mas há algo mais para além disso. Há falta de vontade. Quem ficou com o kartódromo fez um investimento brutal para ficar com o circuito e o kartódromo que está a funcionar. Mas o circuito não. Pediram-nos a homologação da pista no final do ano, foi lá o Eduardo Freitas fazer o caderno de encargos, os acionistas disseram que fariam as provas mal tivessem o alvará a autorizar a realização de provas. Eu também não faria um investimento sem a garantia de que poderia fazer provas lá. O problema não me parece que esteja do lado dos acionistas, parece-me que está mais do lado da parte política. Pode haver outros interesses, dos quais não nos chega informação.

Como está a questão dos nossos heróis invisíveis, os comissários. Fala-se tão pouco deles e gostaríamos de saber como estão as coisas?
Não se fala pouco deles. Na gala dos 25 anos da FPAK prestei-lhes uma homenagem pois são de facto os nossos heróis. A área da formação está contemplada no nosso orçamento. Vamos ter um centro de formação permanente FPAK, que já está montado, cedido gratuitamente. Já fizemos uma formação no norte, queremos fazer uma no centro e no sul do país. O presidente do conselho de comissários, José Lopes, é a pessoa que coordena as formações, temos uma verba generosa para a formação, apostamos muito na formação e temos de apostar cada vez mais, até porque estão a chegar os carros híbridos, os elétricos e não ainda ninguém em Portugal com capacidade para lidar com essas situações. Esta é uma realidade atual, que já existe. E já apareceu no rali de Mortágua um carro 0 eléctrico. Basta ver o que se está a passar no WRC e isso vai ter reflexo nas realidades nacionais e temos de formar cada vez mais pessoas, quer nos ralis, quer nas provas de estrada, quer na velocidade para lidarem com essas situações, sem esquecer a formação aos nossos comissários técnicos e a todos os oficiais de prova. Todos têm gostado da forma como temos feito as formações, a última que foi feita na zona da Exponor teve muito sucesso e ouvi muitos elogios, com oficiais de prova que mandaram sms a elogiarem a forma como decorreu. O Nuno Almeida Santos, uma pessoa com grande experiência, disse que gostou muito da formação. Também pedimos à FIA para sermos formados por eles, para que nos digam como devemos formar os nossos comissários. Teremos pelo menos quatro ações até ao final do ano.

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