Gunnar Nilsson, o último romântico da Fórmula 1
Todos os desportos têm os seus heróis românticos e a F1 também. Pode dizer-se, sem exagero, que o sueco Gunnar Nilsson foi o último desses pilotos, que fazem aquilo que fazem com imensa paixão e, muitas vezes, sacrifício das próprias vidas.
Nascido de uma família abastada, descobriu tarde essa paixão, já com 23 anos. Porém, tinha qualidades suficientes para ser competitivo – e, em 1975, venceu o campeonato britânico de F3, batendo o brasileiro Alex Dias Ribeiro. Reza a lenda que, nesse ano, enquanto este dava Bíblias de presente aos mecânicos, o sueco lhes dava revistas pornográficas…
Verdade ou mentira, porém, o certo é que, na segunda corrida do Mundial de 1976, era Gunnar e não o seu amigo Ronnie Peterson – que aliás lhe deu uma ajuda preciosa no seu caminho para a F1 – quem estava ao volante do Lotus. A entrada para a equipa inglesa foi consequência de um desaguisado entre Ronnie e Chapman; o Lotus era um carro pouco fiável, nessa altura e o cálice do grande sueco transbordou em Interlagos.
Curiosamente, o seu amigo Gunnar subiu ao pódio logo na segunda prova da tamporada e, no final, foi convidado por Colin a permancer na equipa. Aceitou, mesmo sabendo que o carro que aí vinha ainda poderia ser pior que o velho. Apesar disso, fez uma época notável, vencendo a encharcada prova de Zolder, na Bélgica. No final do ano, assinou com a Arrows e Colin foi buscar.
Ronnie Peterson. Porém, já nessa altura Gunnar se queixava de fortes dores de cabeça, que o faziam mesmo desmaiar. Mas, em vez de consultar logo um médico, preferiu terminar a época, e só então tentar saber o que se passava. O resultado foi terrível: tinha, em adiantado estado já, um cancro testicular. Nessa altura, a doença era fatal e o piloto apenas resistiu até Outubro de 1978, um mês depois de assistir ao funeral do seu amigo Ronnie. A sua mãe criou uma fundação com o seu nome, para investigação e tratamento da doença-que, graças a isso, é hoje apenas mortal em 10% dos casos.






Speedway
8 Fevereiro, 2018 at 17:13
Era um exelente piloto que poderia vir a ganhar GPs.
Foi muito triste a sua morte tão rápida e dramática.
João Pereira
8 Fevereiro, 2018 at 23:47
Ele venceu um GP, com o Lotus 78, que em 77 se mostrou como o melhor monolugar (quase) pioneiro na sua tecnologia que usava flancos com a asa invertida.
Sou fan da Lotus de Chapaman, mas tenho que reconhecer, que o primeiro conceito com flancos de asa invertida (efeito de solo), foi iniciado com o March 701 ou 711, estou a falar de cor, e nem sequer vou fazer buscas.
João Pereira
9 Fevereiro, 2018 at 0:55
Perdi-me um pouco, e esqueci que estava a responder a um comentário. Fui tentar corrigir a coisa, mas já não cheguei a tempo…
As minhas desculpas caro can-am, mas de repente agi como se estivesse a escrever o meu próprio comentário e não uma resposta. Deixei-me levar completamente…
rodríguezbrm
8 Fevereiro, 2018 at 17:32
Já foi tema aqui no fórum, é pena não podermos recuperar ou aceder (será mesmo?) aos diversos comentários bem interessantes da altura.
João Pereira
9 Fevereiro, 2018 at 0:51
Gunnar Nilsson foi muito bem convencido de que o conceito do Lotus 78 era rudimentar, mas era fantástico, tanto que acabou por ser proibido alguns anos depois, e nem hoje, 30 e muitos anos mais tarde, com a tecnologia que existe, é aceite de novo, sendo provavelmente a solução para as ultrapassagens na F1.
Obviamente sem as vassouras do 78, ou as sais móveis do 79 e todos os seus imitadores, nem sequer todos os desenvolvimentos que o genial Colin Chapman fez, mal sucedidos por falta de dinheiro para desenvolver a tecnologia.
Gunnar Nilsson não era melhor que o Ronnie Peterson, mas era seguramente melhor que Mario Andretti.
Recordo a sua morte, como a do primeiro jovem piloto de F1, que não morreu ao volante (ok, houve Tony Brise, e José Carlos Pace na mesma altura, mas não foi por doença). Eu tinha 17 anos, e nunca me tinha passado pela cabeça, que estes homens das corridas podiam morrer jovens por doença. Mais tarde, tive outra desilusão, quando morreu Richard Burns.
Desde então, o cancro já me provocou muitos desgostos a nível de amigos (e até alguém muito mais querido) que partiram mais jovens que eu e já lá vão bastantes anos.
Perdoem-me ter-me deixado levar pelo tema da doença, e deixado de lado o das corridas, mas se Gunnar Nilsson me confrontou com a morte por doença, numa altura em que daqueles 26 a 30 homens todos os anos abria pelo menos uma vaga por morte na pista, como é que todos os anos desde então, perdemos tantas vidas, porque se gasta mais em tecnologia de guerra, que na cura de doenças “prolongadas” como gostam de lhes chamar, apenas porque ninguém gosta de chamar os bois pelos nomes.
É claro que existe a sida, mas sem querer descriminar, essa até pode ser prevenida e até prolongada a vida do doente por muitos anos, o que no caso do cancro, apesar de toda a propaganda, dificilmente é curável e impossível de prevenir, se excluirmos a recente descoberta da vacina para o cancro do útero.
Mais uma vez, peço desculpa por me exceder, mas eu e o meu filho já sofremos muitas perdas e vimos muitas pessoas perderem uma luta tenaz, muito sofrida, e muito longa na maior parte das vezes, não só pelo doente, mas também por familiares e amigos. Conheço um garoto que teve cancro, por coincidência (no que diz respeito ao Nilsson) testicular aos 7 anos, e hoje com 24 está por cá, feliz e bem sucedido, e embora tenha que ser controlado todos os anos, pode vir a ser pai. Um dos raros sortudos.
Sim Gunnar Nilsson foi o meu primeiro choque com o cancro, porque ele era um jovem que não era suposto morrer de doença aos 27 ou 28 anos (se não estou em erro), assim como nunca eu tinha sido confrontado com essa doença em jovens, e tinha eu 17 anos.
Mais uma vez, perdoem-me o desabafo, e não respondam.