Zak Brown envia carta à FIA e exige travão à multipropriedade na Fórmula 1

Por a 15 Maio 2026 11:46

Zak Brown, CEO da McLaren Racing, subiu o tom na sua cruzada contra o modelo de equipas A/B na Fórmula 1 ao enviar uma carta formal ao Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem. O objetivo deste passo é pressionar a federação a redefinir as regras a curto/médio prazo, erradicando a multipropriedade e as alianças estratégicas profundas que, segundo ele, ameaçam a integridade desportiva da categoria.

O tema ganhou novos contornos devido a movimentações recentes no paddock e a argumentos que tocam diretamente na mecânica financeira do desporto. Pelos vistos, há novos gatilhos para lá da Red Bull.

Se historicamente as críticas de Zak Brown se concentravam na sinergia óbvia entre a Red Bull Racing e a Visa Cash App RB (VCARB), o cenário expandiu-se.

Agora, o fator Mercedes-Alpine! O forte interesse e as negociações em curso para que a Mercedes (ou os seus coproprietários) adquiram uma participação minoritária na Alpine funcionaram como o acelerador definitivo para o envio desta carta.

Brown fez questão de sublinhar que a sua posição não é um ataque direcionado a uma estrutura específica, mas sim uma preocupação com o ecossistema global, criticando qualquer forma de coorganização ou alinhamento político e técnico (lembrando também a partilha de engenheiros entre a Ferrari e a Haas).

Os argumentos centrais de Zak Brown

Na missiva e em esclarecimentos subsequentes à imprensa especializada, o dirigente da McLaren detalhou os três pilares que sustentam a sua contestação.

O primeiro é a alegada vantagem no Teto Orçamental (Cost Cap) e IP: Brown aponta que a transferência de pessoal e de Propriedade Intelectual (IP) entre equipas parceiras acontece, por vezes, “da noite para o dia”.

Enquanto a McLaren enfrenta longos períodos de isolamento (gardening leave) para contratar engenheiros de equipas independentes — com alguns alvos bloqueados —, as equipas com ligações estreitas partilham conhecimento técnico fluido, gerando uma vantagem desportiva gritante sem a necessidade de emitir faturas que penalizem o teto orçamental.

Em Zak Brown utilizou mesmo uma metáfora direta: “Conseguem imaginar um jogo da Premier League onde duas equipas pertencem ao mesmo dono? Uma pode dar-se ao luxo de perder, a outra precisa de ganhar para não ser despromovida. É esse o risco de integridade que corremos.”

Para a McLaren, o limite máximo de cooperação saudável deve fixar-se exclusivamente no fornecimento de Unidades de Potência (motores). Fora disso, as 11 equipas da grelha deveriam operar de forma totalmente isolada e independente na conceção dos seus monolugares.

Posição oficial da FIA

O Presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, já acusou a receção da carta e admitiu publicamente que a federação está a investigar a fundo os meandros legais e desportivos desta queixa, embora reconheça a complexidade do dossier: “Pessoalmente, considero que a propriedade de duas equipas não é o caminho correto, mas estamos a analisar o assunto por ser uma área complexa. Colocámos os nossos especialistas a investigar para perceber o que é possível, o que é permitido e o que é o mais correto fazer. Se perdermos o espírito desportivo, o desporto perderá o apoio de todos”, disse Mohammed Ben Sulayem.

Fim da justificação histórica

Um dos pontos mais vincados no debate atual é que a antiga justificação para a existência de equipas “satélite” — que servia para ajudar as estruturas mais pequenas a sobreviverem através da compra de componentes partilhados — deixou de fazer sentido. Com a introdução do teto orçamental e a consequente sustentabilidade financeira da F1, todas as equipas operam hoje perto do limite de gastos e gozam de valorizações de mercado multimilionárias, o que valida a exigência de uma independência total em pista e nas fábricas.

FOTO MPSA/Phillippe Nanchino

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Um comentário

  1. Pity

    15 Maio, 2026 at 14:03

    O que foi a solução para salvar centenas de postos de trabalho e, também, a credibilidade da F1, hoje já não se justifica. Hoje, as equipas não abrem falência, pelo contrário, valorizam a cada ano e há sempre alguém interessado em entrar no “clube”. Por isso, sou apologista da proibição de uma entidade possuir duas equipas, seja na totalidade ou em parte.
    O ideal, seria cada equipa ter o seu motor próprio, construído “em casa” ou comprado fora, mas isso, por enquanto, não é viável, pelo que haverá sempre uma ligação mais estreita entre equipa fornecedora e equipas clientes. Contudo, essa ligação deveria cingir-se à venda dos motores, nada mais.

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