Vitórias Improváveis na F1: Peter Gethin, Itália 1971


A competição não vive só do domínio e da luta entre as grandes equipas pela vitória e pelos campeonatos. As lutas por categorias intermédias ou no meio do pelotão apaixonam muita gente, e no meio dessas contendas, descobrem-se grandes talentos que poderão, um dia, ascender ao Olimpo do desporto motorizado. Isto é transversal a todas as disciplinas do desporto automóvel. No caso da Fórmula 1, nunca faltaram vencedores inesperados. Aqui fica uma dessas histórias.

Monza ainda não tinha chicanes quando os pilotos partiram para o G.P. de Itália de 1971. Com as performances muito equilibradas e uma pista ultrarrápida, a maioria das provas no circuito italiano eram de aspiração, geralmente decididas na última curva. 1971 não foi exceção, com um grande grupo na frente a trocar constantemente de posições, até que os carros iam quebrando ou, por algum motivo, um piloto ficava sem o cone de ar e se via irremediavelmente atrasado. No entanto, nunca a luta foi tão intensa como em 1971, já que o pelotão da F1 estava em nítido crescimento, com mais equipas, tanto privadas como de fábrica. Assim, o grupo da frente era composto por mais de dez carros, reduzindo-se por eliminação, destacando-se as desistências precoces dos Ferrari e de Jackie Stewart. No entanto, lá atrás, Peter Gethin era um dos poucos a conseguir fazer a ponte do segundo pelotão para o grupo da frente. O inglês era conhecido pelas suas performances na F5000 e nos Sport-Protótipos de menor cilindrada, e não tinha dado nas vistas na sua estadia na McLaren, quando foi chamado a meio de 1970 para ocupar o lugar deixado vago pela morte de Bruce McLaren, abandonando a equipa a meio de 1971 para substituir o malogrado Pedro Rodríguez na BRM. Discreto, o inglês manteve-se no pelotão da frente à medida que este diminuía e, depois de Amon ter arrancado a viseira acidentalmente e começado a sofrer perda de potência, o grupo da frente ficou circunscrito a Cevért, Peterson, Hailwood e aos BRM de Ganley e Gethin. Na última volta, Gethin posicionou-se nos escapes de Peterson e aproveitou a maior potência do motor BRM V12 para acelerar e vencer a prova, naquela que foi a prova em que a distância entre primeiro e segundo foi menor em toda a história da Fórmula 1! Peterson ficou a apenas uma centésima de segundo, e os quatro primeiros separados por duas décimas de segundo. Contando com Ganley, que perdeu a aspiração na última curva, os cinco líderes ficaram separados por meras 61 centésimas de segundo. Foi o único triunfo de Gethin, mas esta corrida foi verdadeiramente épica. No ano seguinte, seriam colocadas pela primeira vez chicanes de pneus no circuito de Monza, já que as velocidades eram crescentes e os riscos associados a este tipo de “pack racing” eram enormes.