Top 10 das melhores equipas de Fórmula 1 dos 40 anos do AutoSport

Por a 8 Dezembro 2017 12:14

Numa altura em que o responsável máximo da Ferrari ameaçou novamente tirar a Scuderia da Fórmula 1, os leitores do Autosport elegeram-na como a melhor equipa dos 40 anos do AutoSport. Algo natural, pois a Ferrari ‘mistura-se’ com a própria disciplina onde pontifica…

Ao longo da história da Fórmula 1 os pilotos têm vindo a ser elementos muito mais aglutinadores e de divisão que as equipas, sendo natural os adeptos seguirem os seus preferidos independentemente das cores que envergam. No fundo, e apesar das máquinas e das escuderias que as criam e as fazem correr, a categoria máxima do desporto

automóvel continua a ser uma competição de heróis e vilões de capacete. Ainda assim, ao longo da história sempre houve equipas que captaram muito fortemente a atenção dos adeptos, seguindo-as nos bons e maus momentos sem olhar para trás. A Ferrari é claramente o melhor exemplo disso, e aquela que ao longo das décadas sempre suscitou mais amores ou ódios. Inegavelmente, é e sempre foi a mais seguida e a mais apoiada entre todas, algo de que também os leitores do AutoSport fazem parte, tal como seria de esperar.

A formação transalpina participou em todos os Campeonatos do Mundo de Fórmula 1, personificando a estabilidade necessária numa categoria em que a mudança é palavra de ordem, algo que se pode verificar até na cor imutável dos seus carros ao longo da história, o vermelho, uma característica única no panorama dos Grandes Prémios.

A paixão pela Ferrari é evidente pelas pistas mundiais, sendo sempre possível encontrar um mar de ‘tiffosi’ onde quer que seja a corrida, atingindo, logicamente, o seu expoente máximo na ‘Catedral’ de Monza.

Para além da sua posição simbólica na Fórmula 1, a Scuderia é também a formação mais bem-sucedida da disciplina, muito embora tenha tido longos períodos de abstinência, como aquele que decorre atualmente e se iniciou em 2008, ano em que venceu o seu derradeiro título de Construtores. De qualquer modo, nos Construtores continua a ser a equipa com mais títulos, 16, mais sete que a Williams e o dobro da McLaren.

É a equipa que tem mais triunfos, 228, mais 46 que a McLaren, a segunda equipa mais vitoriosa. E o mesmo acontece nas pole-positions, pois soma 213, mais 58 que a McLaren. Claro que os números não são tudo, mas a Ferrari é claramente a equipa que sempre conseguiu chegar mais longe em todo o mundo.

Dificilmente alguma equipa poderá alcançar a grandiosidade, como é evidente no caso da Ferrari, sem adversárias fortes. Nesse particular, a formação de Maranello tem vindo a defrontar, ao longo da sua existência, opositoras de elevado gabarito. Apesar de não o ser atualmente, a McLaren sempre foi a grande rival da Scuderia, tendo ambas estado na luta por títulos desde os anos setenta, situação que tem vindo a ser repetida várias vezes ao longo das décadas seguintes.

A formação de Woking esteve perto do desaparecimento no final dos anos setenta, mas Ron Dennis acabou por ser a força motriz para que se transformasse novamente numa estrutura vencedora, imortalizando uma das decorações mais vistosas de sempre – vermelho e branco. Ao longo dos anos oitenta ver um piloto da McLaren no degrau mais alto do pódio era um hábito e ter Senna num dos seus carros ao longo de seis anos e três títulos, atirou a equipa fundada por Bruce McLaren para os braços dos fãs, sendo hoje, apesar das dificuldades dos últimos anos, a segunda equipa preferida dos leitores do Autosport. Os bons adeptos têm memória…

A McLaren é a terceira equipa em termos de títulos mundiais de Construtores, com oito títulos, menos um que a Williams, e é a segunda equipa mais vitoriosa, só atrás da

Ferrari (ver acima) e bem na frente da Williams.

PASSADO RECENTE

Se a Ferrari e a McLaren têm uma longa história na Fórmula 1, a Mercedes, enquanto equipa, é quase uma recém- nascida. Depois de ter entrado na categoria máxima nos anos cinquenta, que se cifrou em dois títulos pelas mãos de Juan Manuel Fangio, os “Flechas de Prata” regressaram em 2010 e, após um início periclitante, não perdem um título desde 2014, o que lhes garante uma entrada para o terceiro posto deste top, batendo nomes mais tradicionais e, igualmente, com resultados de relevo. Claro que

aqui funciona o facto de há quatro anos quase não se ouvir falar doutras equipas no lugar mais alto do pódio, e esse fator tem os seus reflexos nesta votação.

Esses números já colocaram a Mercedes como a sexta equipa mais vitoriosa de sempre em termos de títulos de Construtores, com quatro, que ainda assim são metade dos da

McLaren, por exemplo. De qualquer forma, já surgem em alguns números na frente de muitas marcas míticas da história da Fórmula 1.

WILLIAMS PERDE GÁS

A equipa fundada por Frank Williams continua a ser das que mais triunfos tem, tendo mesmo chegado a ser a força dominante na Fórmula 1, como foi o caso em meados dos anos oitenta e durante um largo período da década de noventa, a sua fase mais vitoriosa, mas desde 1997 que não conquista qualquer cetro, o que acaba por a atirar para fora do pódio. Curiosamente, a formação de Grove é seguida por uma equipa já desaparecida, a Lotus. Se a Ferrari é vista como a tradição, a estrutura de Colin Chapman era o epitomo da inovação, tendo sido responsável pela estreia de inúmeros conceitos na Fórmula 1, o que acabou por definir muito daquilo que a categoria é hoje.

Contudo, após o desaparecimento de Chapman, a Lotus nunca conseguiu recuperar a sua veia vencedora desaparecendo nos anos 90. O seu aparecimento neste top no quinto posto, à frente de equipas que estão em atividade, evidência a força do legado do inglês. De certa forma, a Red Bull pode até ser vista como a atual seguidora da Lotus, uma vez que permitiu a Adrian Newey, que tal como Chapman é um visionário técnico, explanar a sua genialidade, introduzindo no mundo dos Grandes Prémios conceitos inovadores

que ditaram leis.

DINÂMICA RED BULL

Por outro lado, se a Lotus foi a equipa que trouxe à Fórmula 1 a era dos patrocínios, a formação e Milton Keynes emprestou à categoria máxima uma nova dinâmica por força da filosofia da companhia de bebidas energéticas, que tem vindo a usar os Grandes Prémios para cimentar a sua imagem irreverente. Depois de ter monopolizado os títulos nos primeiros quatro anos da década, a Red Bull não tem conseguido bater-se de igual para igual com a Mercedes e a sua incapacidade de lidar com a situação, embrenhando-

se em longos queixumes, talvez não lhe permita estar para lá do sexto lugar deste top. A Brabham, sétimo posto, e a Tyrrell, décimo, são, quiçá, as grandes surpresas deste top! A equipa edificada por Jack Brabham que mais tarde ficou nas mãos de Bernie Ecclestone desapareceu da Fórmula 1 em 1992 e então era apenas uma pálida imagem do seu passado, que chegou a ser glorioso. No entanto, os títulos conquistados por Nelson Piquet em 1981 e 1983, o primeiro de um carro com motor turbo, parecem ter ficado na memória dos nossos leitores. Talvez a inegável beleza pura dos monolugares criados por Gordon Murray, não seja estranha a esta classificação. Já a situação da formação de Ken Tyrrell é ainda mais difícil de perceber, uma vez que o último dos seus quatro cetros – três de pilotos e um de construtores – foi conquistado por Jackie Stewart no longínquo ano de 1973. A partir de então, a equipa do “Velho Lenhador” foi-se eclipsando gradualmente até ao seu desaparecimento no final de 1998, quando foi comprada

pela BAR. Terá sido a última das estruturas eminentemente familiares da Fórmula 1, um último resquício de uma outra era, o que poderá ajudar a compreender a sua presença aqui em detrimento de outras. Ao contrário da Tyrrell, que nasceu da paixão de um homem pelas corridas, a Benetton foi criada através da Toleman para preencher as necessidades publicitárias da marca transalpina de pronto a vestir. No entanto, se a génese das duas equipas foi completamente distinta, partilham o facto de terem vencido todos os seus títulos com um piloto – Jackie Stewart no caso da Tyrrell e Michael Schumacher no caso da Benetton. Quando surgiu na Fórmula 1, em 1986, a estrutura que nos

deu a conhecer Flavio Briatore gozava de uma imagem semelhante à que posteriormente foi adoptada pela Red Bull, uma lufada de ar fresco no paddock, e, por isso, nem sempre levada a sério. Mas acabou por triunfar nos anos 90, rompendo o “establishment”.

SAÍDAS E REGRESSOS

Depois dos títulos e sem grandes resultados após a saída de Schumacher para a Ferrari, os irmãos Benetton foram perdendo interesse na Fórmula 1, acabando a equipa por desaparecer no final de 2001. No entanto, o facto de ter dado ao alemão os seus primeiros dois cetros justifica a sua presença na nona posição. O desaparecimento da Benetton permitiu o regresso da Renault enquanto equipa, um construtor que tem fortes ligações à categoria máxima do desporto automóvel. Até agora a marca francesa protagonizou três vagas de ataque aos Grandes Prémios, uma nos anos setenta, talvez a mais genuína, uma vez que era de facto uma equipa gaulesa, com sede no seu país, ao passo que na segunda apropriou-se da estrutura de Enstone da Benetton, situação que se repete atualmente após ter comprado a Lotus. Os títulos chegaram apenas em 2005 e continuaram no ano seguinte, com o de pilotos a ser garantido sempre pelas mãos de Fernando Alonso. Porém, nos longínquos anos setenta destacou-se por ter levado para a Fórmula 1 os motores turbo, quando os Ford Cosworth DFV atmosféricos dominavam a cena dos Grandes Prémios. A história, o arrojo técnico, os títulos e a sua presença assídua na categoria máxima do desporto automóvel acabam por garantir à Renault uma penetração efetiva entre os adeptos e o oitavo posto neste top.

Top 10

1 FERRARI

2 MCLAREN

3 MERCEDES

4 WILLIAMS

5 LOTUS

6 RED BULL

7 BRABHAM

8 RENAULT

9 BENETTON

10 TYRRELL

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2 comentários

  1. lcjorge

    8 Dezembro, 2017 at 13:02

    E então a LIGIER (made in França), MINARDI que nunca ganhou nada mas que lá andou uma decada,a Arrows,a Brawn que só esteve 1 ano na formula 1 e que ganhou tudo,as equipas Italianas que pareciam cogumelos a nascer,a jaguar,lembram-se da Zakspeed e por fim os carros amarelos Jordam

  2. Speedway

    8 Dezembro, 2017 at 13:08

    A Ferrari vale pelo seu passado,longa história,embora tenha sempre sido muito ajudada o que certamente desvaloriza muito os seus êxitos.
    A MClaren é um team que me merece bem mais consideração.
    Tem também uma história longa e muito diversificada. Tornou-se um grupo industrial e foi perdendo interesse pela F1. Muito maltratada pela FIA, completamente o oposto duma Ferrari por exemplo.
    A Mercedes é um gigante industrial que se interessa pela F1 de vez em quando,quando lhe convém. Actualmente vive um período dominador. Mas até há uns anos a sua história na F1 era brilhante mas reduzida.
    A Williams foi um dos grandes da F1 com um passado brilhante,mas é o exemplo acabado da decadência e quase queda.E não se vê como possam sair de lá.
    A Lotus para mim será sempre a maior referência da F1 e não só. Excelência, inovação, criatividade.
    Ela sim é a verdadeira História do que deve ser a F1. História com H grande.
    A Red Bull é um grupo empresarial que se interessou pelo desporto há uns anos. Teve êxitos mas nunca deixou marcas que fiquem para o futuro.
    A Brabham é outro dos grandes, que embora menos que uma Lotus,contribuiu para a inovação e o avanço tecnológico da F1. Uma grande referência que todos respeitam.
    A Renault é semelhante à Mercedes,um grande grupo industrial que desde há muito se interessou a fundo pelo desporto automóvel.A sua presença na F1 é meritória e digna de grande consideração. Introduziram o turbo, etc.
    A Benetton é um caso semelhante à Red Bull, mas têm mais mais valor dado que os seus carros sempre primaram pela inovação tecnológica e assinaram algumas das grandes inovações aerodinâmicas da competição.
    A Tyrrell foi um team que viveu muito do Stewart que a fez e que a levou à glória.Fez o carro de 6 rodas e bastou isso para ficar na História. Mas depois foi sempre um apagar constante até desaparecer.
    Para mim, desse grupo seriam sempre 1º a Lotus. 2º a Mclaren e 3º a Ferrari

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