“Pescadinha de rabo na boca”. Era um prato que o meu pai gostava muito, e que eu nunca apreciei, mas que se aplica perfeitamente ao que tem sido a vida desportiva de Valtteri Bottas na Fórmula 1. Nove anos que o finlandês está na F1 e nove anos em que não teve um contrato com mais do que um ano.
Chega agora ao fim o percurso de Valtteri Bottas na Mercedes, em 2022 vai para a Alfa Romeo e ao Beyond the Grid disse a Tom Clarkson que “tentamos convencer-nos de que isso não nos afecta”, mas afeta, tem que afetar.
Há quem entenda, normalmente os ‘patrões’ que manter os seus pilotos “by the balls” lhes coloca uma pressão que os obriga a dar sempre o máximo, e mais alguma coisa, e tal como Bottas disse, isso pode funcionar durante algum tempo, mas chega a um ponto que tem o efeito contrário, acrescentamos nós.
Ao fim ao cabo o piloto percebe que fez o suficiente para lhe darem mais uma oportunidade, mas com o passar do tempo, percebe também que os responsáveis da equipa nunca confiaram totalmente nele.
Estou perfeitamente convencido que se a Mercedes tivesse tido outro tipo de luta em pista de 2016 para cá, e não fossem a equipa perfeitamente dominadora que foram até ao fim de 2020, Bottas já não estaria na Mercedes há muito. Tendo em conta as prestações de Hamilton, a Mercedes ficou confortável com a forma como Bottas sempre foi um “bom rapaz”, e este ano com a Red Bull a ‘moer’ o juízo à Mercedes, Toto Wolff percebeu que precisava doutro tipo de piloto ao lado de Hamilton. E esse piloto é George Russell, que mostrou no Bahrein o ano passado, está sedento de chegar às lutas “lá em cima”. A forma como Russell bateu Bottas no Bahrein 2020, teve ter tirado toda e qualquer dúvida a Toto Wolff.
Que não fiquem dúvidas: Bottas é um bom piloto e provavelmente vai puxar a Alfa Romeo um pouco mais para cima, mas não é um piloto com fibra de campeão. É, contudo, piloto para ficar, ainda, muitos e bons anos na F1.
Há outra conclusão que se pode tirar. Sai ainda mais valorizado o que Nico Rosberg conseguiu fazer em 2016 na Mercedes. Nunca Valtteri Bottas mostrou, sequer, sinais de poder conseguir repetir esse feito.












