Desde a chegada da Liberty ao leme da F1 que o Grande Circo abriu as suas portas e janelas aos fãs, mostrando muito mais e deixando para trás aquela ideia que a F1 era só para os mais abastados e que os restantes tinham de ficar com “as sobras”. A F1 voltou a ser o que era no passado… para todos. Era uma mudança há muito pedida, que Bernie Ecclestone fez sempre questão de negar e que a Liberty, com uma visão mais atual e adequada fez questão de aceder. Os resultados estão à vista e depois de anos a fio a perder interesse e fãs, a F1 voltou a crescer e dizer que foi apenas graças ao duelo Lewis Hamilton vs Max Verstappen é tremendamente injusto, pois a F1 já ia ganhando mais fãs, por ser muito mais acessível. A luta entre Hamilton e Verstappen foi uma espécie de presente de boas vindas aos muitos fãs que se foram interessando pela categoria.
É por isso difícil de entender porque os fãs não vão ter direito a imagens do primeiro teste, em Barcelona, que será realizado à porta fechada e, imaginamos nós, com pouca informação a passar para fora. A ameaça de que os primeiros dias de testes seriam feitos à porta fechada não era nova mas acabou infelizmente por se concretizar, tanto que agora o teste de Barcelona passou a se visto como um Shakedown. Surpreende a decisão pois apesar de ser uma nova era com carros novos, as unidades motrizes, apesar de novas, usam tecnologia já conhecida, pelo que o “perigo” de uma primeira semana de testes caótica, com demasiados problemas técnicos não faz sentido. Certamente que não será pior do que em 2014, onde houve acesso aos testes.
Alguns rumores davam conta de que a questão da transmissão ou não transmissão estava ligada aos direitos e aos valores associados. Assim, numa era em que a F1 está tão aberta ao público, o primeiro teste ser feito à porta fechada é um enorme contrassenso e dá toda a impressão que algo falou mais alto… e normalmente é o dinheiro que fala mais alto. O Bahrein tem uma carteira mais funda e não é descabido pensar que se terá pago mais para ter a “exclusividade”. Não deixa de ser um golpe publicitário receber os primeiros testes transmitidos da nova era. Serão as imagens que vão perdurar durante meses. É legítimo que a F1 queira ganhar dinheiro com os testes, afinal é uma forma de dar visibilidade ao campeonato e às pistas que os recebem. Mas depois de tanta publicidade, tanto se falar na nova era, os primeiros metros serão feitos à porta fechada. Para uma F1 mais aberta, mais acessível, esta decisão tem laivos de um outro tempo, desapontando todos os fãs de F1 que aguardam impacientemente pela nova era. Se o ano passado acabou mal, com toda a polémica em volta da final, este ano não começa da melhor forma, com uma decisão no mínimo muito discutível.














