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Opinião: O adeus às máquinas mais rápidas de sempre

Fábio Mendes by Fábio Mendes
12 Dezembro, 2021
in F1, FÓRMULA 1
A A
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A última corrida do ano, além de ser a decisiva prova que irá definir o campeão da fantástica época 2021, é também o ponto final em várias histórias, como a de Valtteri Bottas na Mercedes, George Russell na Williams, Kimi Raikkonen na F1, entre outras. Mas um “pormenor” tem sido esquecido neste último ato desta emocionante época… despedimo-nos desta regulamentação, que nos deu os carros mais rápidos de sempre.

O ano de 2014 foi da introdução de uma nova regulamentação, com a chegada dos motores híbridos. Mas foi um ano em que os fãs se sentiram defraudados com o espetáculo que viram. Carros feios, com um som estranho e que pouco ou nada trouxeram de positivo ao espetáculo, comparando com as últimas épocas da era V8. O nascimento da era híbrida foi difícil e a Mercedes, com o seu fantástico trabalho, deixou a concorrência longe, piorando mais o cenário com a competitividade a cair a pique. É injusto minimizar o trabalho da Mercedes, que venceu merecidamente enquanto outros ainda tentavam acertar com a fórmula, mas este cenário repetiu-se por 3 épocas, fazendo aumentar o coro de críticas. 

Em 2017 o cenário mudou de figura. A F1 quis trazer mais sal e pimenta para a pista. Usou a filosofia “maior é melhor” e tratou de fazer crescer os monolugares. Asas maiores, pneus maiores, carros maiores, com o objetivo de fazer cair os tempos por volta e dar aos pilotos um desafio digno desse nome (muitos diziam que os F1 já não eram desafiantes para os jovens pilotos). Quando a regulamentação que hoje termina foi apresentada, fez-se a promessa de tempos mais rápidos e melhores corridas. Mas com mais apoio aerodinâmico cria-se mais ar sujo, logo continuamos a ter os mesmos problemas do passado (por vezes até exacerbados), mas com uma melhoria drástica… os carros ficaram mais bonitos e muito mais rápidos. 

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A questão estética será sempre algo pessoal, mas poucos terão sido os que olharam para os carros apresentados em 2017 e não suspiraram de alívio, ao contrário da reação que todos tivemos em 2014, com as “frente fálicas” que são recordados com pouca saudade. Os novos carros ganharam um ar mais agressivo e de forma merecida pois passaram a ser máquinas rapidíssimas. O aumento do tamanho dos pneus em 25% face aos da época anterior, as asas maiores que passaram de 1800mm para 2000mm de comprimento na frente, os difusores e fundos planos maiores, assim como as asas traseiras mais baixas mas mais largas, trouxeram de volta à F1 uma identidade visual mais agradável e estes carros voltaram a ser dignos de pósteres para os jovens colarem nas paredes. 

O aumento na velocidade chegou até a preocupar e se o plano inicial era ganhar três segundos por volta, outros preocupavam-se com as forças G que estes carros seriam capazes de produzir, havendo até o receio dos pilotos desmaiarem. 

O resultado foi espetacular com carros mais bonitos e os tempos por volta mais reduzidos. Usando o GP da Bélgica e o circuito de Spa como referência, o melhor tempo na qualificação foi de 1’46”744 (Nico Rosberg) em 2016. No ano seguinte o registo baixou para 1’42”553 (Lewis Hamilton) e em 2020 o tempo foi de 1’41”252 (Lewis Hamilton). Uma evolução tremenda, possível graças às melhorias feitas nas unidades motrizes e na melhoria da aerodinâmica. Do atual calendário de F1, 18 circuitos têm o recorde de pista feito em máquinas desta geração. 

Sim, os problemas da geração de 2014  – 2016 mantiveram e tornou-se ainda mais difícil de ultrapassar, a aerodinâmica tornou-se ainda mais complexa e, por exemplo, as derivas na frente das entradas de ar laterais evoluíram tanto que algumas peças tornaram-se dignas de um museu de arte contemporânea. A Mercedes continuou a ganhar e as corridas continuavam a não ter tanta ação quanto os fãs e os responsáveis da competição pretendiam. Era preciso outra solução e talvez por isso estes carros nunca foram olhados como mereciam.

O fim da aerodinâmica complexa foi anunciado quando o novo conjunto de regulamentos. Com Ross Brawn e Pat Symonds na batuta, a forma de pensar e executar a F1 foi radicalmente mudada e se a anterior mudança de regulamentos (2016 para 2017) foi considerada a maior mudança em muito tempo, os novos carros de 2022 são uma revolução, talvez a maior de sempre. 

Estes carros nem sempre foram valorizados e se é fácil não gostar da geração anterior, esta geração merecia mais atenção e carinho por parte dos fãs. Felizmente, a pandemia atrasou a saída de cena destas máquinas e 2021 (ano inicialmente proposto para a nova regulamentação) foi o derradeiro ano… e que ano! Uma luta pelo título tremenda, com dois enormes talentos, lutas no segundo pelotão renhidas e de cortar a respiração. Quase dá vontade de perguntar “afinal o problema era mesmo dos carros?”. Estas espantosas máquinas encontraram um compromisso longe de perfeito, mas que se tornou interessante, com um dos motores mais belos e eficientes do mundo, aliados a uma aerodinâmica excêntrica, capaz de fazer curvar carros a velocidades nunca antes vistas.  

Em fim de semana de despedidas, percamos alguns segundos para apreciar pela última vez a beleza feroz destas máquinas a curvar, a velocidade pura, a beleza técnica ao serviço das estrelas da atualidade. Não foi perfeito, longe disso, mas pelo menos vimos estas máquinas em todo o seu esplendor este ano. Um final em grande, merecido. 

Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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