O GP do Mónaco está de volta depois da interrupção forçada em 2020. As ruas do principado voltam a receber os carros mais rápidos do mundo, num espetáculo único.
Já tinha saudades do Mónaco. Por muito que se diga que as corridas são aborrecidas (nunca o serão), que a pista já não se adequa aos carros atuais, ou que o espetáculo é de pouca qualidade, tudo isso não faz sentido quando se vê homem e máquina em perfeita harmonia, a velocidades que não fazem sentido.
O GP do Mónaco 2021 é a primeira corrida num citadino puro desde 2019. É preciso recuar até 22 de setembro de 2019 para nos lembrarmos da última visita a um traçado citadino, na ocasião o de Singapura. Sochi pode ser considerada uma pista citadina, mas não tem os ingredientes que tornam os verdadeiros citadinos únicos. É verdade que os citadinos não oferecem muitas oportunidades de ultrapassagem e que as corridas podem tornar-se em procissões, mas a emoção, a exigência nas máquinas e nos pilotos tornam esse argumento pouco lógico para quem gosta verdadeiramente de corridas.
Num mundo em que tudo gira à volta de números, satisfação imediata e da necessidade do drama, já poucos dão valor a uma corrida de F1 se não tiver no mínimo 50 ultrapassagens, três acidentes e uma aparição de um Ovni. A corrida de Barcelona, por exemplo, não foi emocionante como as duas primeiras do ano, mas esteve longe de ser uma má corrida ou desinteressante até, com a luta estratégica a dar-nos uma outra dimensão do que pode ser uma corrida de F1. Quem passou pelas redes sociais e viu os comentários ficou com uma ideia muito diferente da realidade. É por isso que os citadinos têm uma beleza única, pois forçam-nos a valorizar pormenores que tendem a ser esquecidos mas que são importantes.
Ver uma volta de qualificação num citadino é ver os pilotos a atingirem a excelência que tantas vezes procuram. Não é por acaso que algumas das melhores voltas de sempre foram feitas em citadinos. Lewis Hamilton em Singapura, Ayrton Senna no Mónaco, apenas para dar os exemplos mais sonantes. O sábado, que já é uma parte importante do espetáculo da F1, torna-se ainda maior num citadino.
Regressar ao Mónaco é regressar ao palco onde os grandes pilotos se tornaram ainda maiores, onde apenas os melhores conseguem ir buscar o décimo de segundo extra e não cometem um erro durante as quase 80 voltas ao traçado recheado de solavancos, curvas apertadas e sempre com as proteções demasiado perto. É regressar a um lado mais puro da F1 e das corridas, algo que acontece invariavelmente nos citadinos, em que a qualidade da corrida não é avaliada apenas pela estatística. É a coragem de tentar travar mais tarde que os outros, a inteligência de escolher o sítio certo para ultrapassar e a magia de ver máquinas a alta velocidade onde no resto do ano há trânsito parado.
Por muito que digam que os citadinos não são adequados para corridas, irei sempre defender a sua existência pois são eles que nos levam de volta a um tempo onde os limites de pista não eram tema de conversa e as escapatórias não existiam. Um mundo onde apenas os melhores podem singrar e onde nos mostram o melhor que têm para dar. Pistas onde a expressão “Pure Racing” faz mais sentido.









