O falhanço da tração total na Fórmula 1: “Os pilotos não tinham bracços…”

Por a 25 Setembro 2016 09:11

Ao contrário dos ralis, em que a tração total vingou e rapidamente obteve estrondoso sucesso, no início dos anos 80, na Fórmula 1 ainda houve algumas tentativas, que nunca vingaram…

Ao longo de tantos anos e tantas ideias, houve uma que não podia deixar de ser explorada: a da tração total. O primeiro carro a exibir este tipo de conceito de tração às quatro rodas foi o Ferguson Climax P99 (um carro que, por mais incrível que pareça, também dispunha de um inovador sistema de travagem conhecido anos mais tarde como ABS…). Estávamos no início dos anos 60 quando a Ferguson desenvolveu um sistema de transmissão da potência às rodas dianteiras a partir de um diferencial colocado no eixo traseiro. Os veios de transmissão eram enormes e ocupavam parte do já de si exíguo habitáculo, mas a verdade é que, pelos vistos as coisas até funcionavam porque o Fergusson Climax ficou na história da Fórmula 1 como a única vitória conseguida por um carro de tração total. Foi em 1961 e o circuito o de Oulton Park, em Inglaterra, num evento denominado Gold Cup. Mais tarde, por alturas de 1968, 1969, o projeto 4×4 seria recuperado pela Cosworth com a construção de um carro tão inovador tecnologicamente como o seriam os modelos construídos pela Lotus (apenas dois) e McLaren (um). Todos eles eram disformes, comparados com os monolugares que se viam até então. O Lotus era substancialmente mais comprido devido a uma maior distância entre eixos, e o McLaren tinha um suspensão traseira algo estranha tão só e apenas porque os seus engenheiros tinham optado por montar o motor ao contrário! Isto é, rodaram-no 180 graus por forma a que a transmissão se fizesse primeiro para o eixo dianteiro e depois, daqui, para o eixo traseiro. Como está bom de ver, a colocação da caixa de velocidades e tudo o resto que suportava as rodas traseiras tinham pontos de fixação diferentes do que era comum. Da mesma forma, anormal era a dimensão dos pneus que eram colocados no eixo dianteiro. Para que se pudesse aproveitar ao máximo a potência disponível pelo motor eram utilizados pneus com a mesma dimensão dos que eram colocados no eixo traseiro que, na altura, já tinham cerca de meio metro de largura. E o problema estava justamente neste pormenor. Ou seja, tornava-se extremamente complicado para os pilotos conduzirem um carro com pneus tão largos à frente, tanto mais que naquela altura ainda não havia a possibilidade de recorrer ao atual sistema de direção assistida. Sendo assim, como não há registos de haver alguém que tivesse a compleição física de um Arnold Schwarzeneger, está bom de ver que o conceito 4×4 só podia mesmo abortar por falta de músculos nos braços dos pilotos. Mas, verdade seja dita, na altura também não havia a tecnologia que existe hoje para distribuir a potência pelos dois eixos de forma a evitar a tendência subviradora natural que todos estes carros tinham. Subviradora quando se acelerava e “estranha” quando se tirava o pé do acelerador. Refira-se que tanto o Lotus como o McLaren experimentais abandonaram nas duas provas em que participaram em 1969, o Grande Prémio da Alemanha e o Grande Prémio de Inglaterra e o Lotus não fez muitos quilómetros porque os seus pilotos não eram capazes de guiar mais do 10 voltas seguidas, o tempo suficiente para o óleo do reservatório que estava colocado atrás da bacquet começar a aquecer tornando o cockpit numa verdadeira sauna…

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4 comentários

  1. Zé do Pipo

    25 Setembro, 2016 at 11:08

    Caro José Luís Abreu, claro que “os pilotos não tinham bracços”… eles tinham braços. Já gora uma sugestão ao Autosport, que até poderá estar relacionada com esta situação: nestas “janelas” para edição dos nossos comentários o texto aparece num cinza demasiado claro, que nada contrasta com o fundo branco, e que causa extrema dificuldade em ler e revisionar os nossos comentários antes de os mandarmos publicar. Não se perdia nada se utilizassem um cinza mais escuro ou preto. Obrigado.

    • Zé do Pipo

      25 Setembro, 2016 at 11:19

      Bom artigo, para os actuais padrões, a fazer lembrar os do antigo Autosport, rapidamente me fez esquecer o erro ortográfico no título.

    • Zé do Pipo

      25 Setembro, 2016 at 11:25

      Errata minha: onde se lê “Já gora” deverá ler-se “Já agora”

  2. Manuel Araujo

    25 Setembro, 2016 at 16:31

    engano puro… estes carros 4×4 só não vingaram porque o Alonso os não conduziu….. pois ele é o tal o maior etc.

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