Mundial de Fórmula 1 arranca na Austrália
Uma nova temporada traz consigo novas expetativas e esperanças não só para equipas e pilotos, mas também para os adeptos e a próxima temporada, como é tradição em qualquer antevisão, promete ser a melhor dos últimos anos.
É natural para todos nós sublinharmos as melhores expetativas para uma época que se avizinha, dado que a esperança em termos um ano de competitividade e com grandes corridas acaba por levar a melhor sobre a possibilidade de vermos no horizonte uma temporada de domínio esmagador de uma qualquer equipa, e isso leva-nos a acreditar que, “este ano é que é”, com provas disputadas entre mais que uma equipa, ultrapassagens de ficar na retina e, claro, uma luta pelo título até á última curva do último Grande Prémio da temporada.
Contudo, este ano, para já, todas as evidências apontam para que tenhamos uma época emotiva e não se trata apenas de otimismo ou esperança em ter um ano cheio de corridas emocionantes.
Nos dois últimos anos a Ferrari esteve muito bem nos testes de inverno, mas sentia-se que se a Mercedes se concentrasse em fazer tempos, rapidamente chegaria às marcas registadas pela Scuderia e na verdade, quando se chegou a Melbourne para a primeira corrida da temporada, os Flechas de Prata estavam um passo à frente da concorrência.
Este ano a equipa de Maranello parece estar genuinamente à frente da sua arqui-rival. Não se trata de olhar apenas para os tempos, mas para a facilidade com que tanto Sebastian Vettel como Charles Leclerc realizavam marcas competitivas e comportamento do SF90 no exigente Circuit de Barcelona.
Por seu turno, a Mercedes apresentou a tradicional fiabilidade que a tem caracterizado na ‘Era Turbohíbrida’, somando quilómetros, mas se os tempos registados quer por Valtteri Bottas quer por Lewis Hamilton na primeira semana não impressionaram, mesmo no final da segunda, Hamilton mostrou do que o Mercedes W10 é capaz ao realizar um registo a 0.003s de Vettel. Com isto, os homens da Mercedes fizeram com que se deixasse de falar apenas na velocidade da Ferrari.
O cenário consensual após os testes em Barcelona aponta para que o Ferrari SF90 tenha uma curta vantagem face ao Mercedes W10 EQ Power+, mas quase residual, para além de ser algo que poderá ser alterado até ao início da temporada.
Pode a Red Bull discutir corridas?
No entanto, estas duas equipas poderão não estar sozinhas na luta pelas vitórias, uma vez que também a Red Bull pode imiscuir-se nas batalhas que nos últimos anos estiveram quase apenas ao alcance da Mercedes e da Ferrari, mas esta é uma situação cuja probabilidade está neste momento ainda abaixo do que era usual em 2018.
A formação de Milton Keynes mudou de fornecedor de motores e é agora uma equipa de fábrica pela primeira vez na já sua longa presença na Fórmula 1, depois de deixar a Renault para cair nos braços da Honda.
Casar um chassis com uma nova unidade de potência não é uma tarefa fácil, mas com um ano a observar o comportamento dos V6 turbohíbridos nipónicos, os técnicos da formação de licença austríaca encontraram-se na situação de poderem realizar uma instalação entre os dois componentes sem grandes sobressaltos e nos testes de Barcelona não foram observados grandes problemas técnicos.
O Red Bull RB15 Honda mostrou um comportamento irrepreensível ao longo do exigente circuito espanhol, como é hábito nas criações de Adrian Newey, e alguma rapidez, estando a equipa de Milton Keynes entusiasmada com as performances da unidade de potência da Honda.
A questão passar por saber se, quando a Ferrari e a Mercedes subirem os modos de potência dos seus V6 turbohíbridos, a Honda poderá responder sem comprometer a fiabilidade. Os homens da estrutura de Milton Keynes já assumiram que dificilmente conseguirão realizar a temporada com apenas três unidades de potência, reconhecendo que a confiabilidade destas ainda não está altura da concorrência.
É evidente que a fiabilidade será um aspeto determinante para a definição dos campeões mundiais deste ano, o que deixa a Red Bull numa situação de inferioridade.
Mas numa época com vinte e uma provas haverá muitos fatores a ter em conta e, com um novo regulamento técnico em vigor, o ritmo de desenvolvimento será determinante para as contas que se farão em dezembro.
Corrida do desenvolvimento é fulcral
Nos últimos anos a Ferrari tem tido dificuldades em manter o ritmo de desenvolvimento, tendo em 2018 perdido o caminho depois da pausa o estival, o que ajudou a Mercedes a manter a invencibilidade na Era Turbohíbrido, sendo este um aspeto que a Scuderia terá de melhorar, ao contrário da Red Bull e da formação de Brackley, que se têm mostrado muito mais consistentes nesta área.
No que diz respeito a pilotos, a Mercedes manteve a sua dupla de 2018 e se Valtteri Bottas não se mostrou numa forma extraordinária o ano passado, Lewis Hamilton elevou-se à galeria dos “maiores de todos os tempos” com prestações em que, diversas vezes, ultrapassou as limitações do seu monolugar para bater Sebastian Vettel e, a manter a sua performance, será sem dúvida o principal candidato ao título deste ano, até por que cada vez mais parece uma fortaleza psicológica, algo que nem sempre aconteceu no passado.
Já Sebastian Vettel terá de dar um passo à frente se quiser bater-se de igual para igual com o inglês. O alemão assinou em 2018 uma temporada pejada de erros, demasiados para poder conquistar um ceptro, e não poderá repetir uma campanha assim, caso se queira manter como o líder em pista da Ferrari, até por que em 2019 terá um colega de equipa jovem que está desejoso de marcar a sua posição.
Charles Leclerc é visto como um campeão do futuro e já mostrou rapidez, carácter e determinação. Não será fácil ver o monegasco encostar para que Vettel passe e já se percebeu que o alemão, quando pressionado por um colega de equipa, não reage bem, basta recordar a temporada de 2014, quando se viu suplantado por Daniel Ricciardo no seio da Red Bull. Mas, seja como for, será interessante seguir a evolução do duo de pilotos da Ferrari ao longo da época, mesmo que isso signifique que a “Scuderia” fique afastada dos ceptros pela décima primeira temporada consecutiva.
Se na formação de Maranello existe uma mescla entre experiência e juventude, a Red Bull aposta claramente juventude, com Pierre Gasly a substituir Daniel Ricciardo para fazer equipa com Max Verstappen. O francês é ainda um ponto de interrogação, uma vez que na Toro Rosso não teve de lidar com a pressão de ter de ser competitivo todos os fins-de-semana, mas já percebemos que o holandês tem a rapidez e o talento para se bater por títulos. No entanto, Verstappen tem sido muito propenso a acidentes, como se verificou no ano passado, o que não ajuda a montar uma campanha rumo ao título.
Conclui-se, portanto, que apesar do cinzentismo de 2018 de Bottas, a Mercedes tem em Hamilton o seu ás na luta pelo título, ao passo que a Ferrari e a Red Bull têm questões por resolver entre os seus pilotos. No entanto, é no final da temporada que se faz as contas.
Segundo pelotão ainda mais competitivo
A luta do segundo pelotão este ano poderá ser ainda mais animada que a do ano passado, quando dificilmente se conseguia prever quem seria o melhor atrás das “Três Grandes”. A Renault, que contratou Daniel Ricciardo para fazer equipa, pretende separar-se deste grande grupo e aproximar-se do trio da frente, mas poderá ter dificuldades em consegui-lo, uma vez que Alfa Romeo, e Toro Rosso parecem ter dado um passo em frente e bem financiadas poderão ter a consistência para chegar ao fim da temporada par a par com a equipa da marca francesa.
Mas também a Haas, que teve alguns problemas de fiabilidade em Barcelona, e a McLaren poderão imiscuir-se nesta luta, assim como a Racing Point.
A grande deceção, para já, é a Williams, que não conseguiu terminar o seu carro a tempo de marcar presença nos dois primeiros dias e meio de testes. A formação de Grove começa a temporada em desvantagem clara, restando saber se tem a capacidade de recuperar e fazer parte da luta do segundo pelotão.

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