Mika Hakkinen fala sobre o seus 10 anos de F1 que terminaram…há 20 anos!


Mika Hakkinen foi o quinto piloto finlandês na Fórmula 1 e depois dele só existiram mais quatro, e só um deles tem mais vitórias, mas menos títulos: Kimi Raikkonen. Já lá vão 20 anos que o simpático finlandês saiu na F1 e isso trouxe-nos à memória todos os principais momentos da sua carreira. Do pior ao melhor, do acidente de Adelaide aos dois títulos mundiais, os dez anos de Mika Hakkinen na Fórmula 1 foram muito preenchidos, pois ele foi uma das grandes figuras da década de 90. Escolhemos alguns momentos particularmente significativos, que o finlandês, também, comentou, em frases que demonstram bem o seu carácter, muito diferente do que normalmente mostrou em público. Esta conversa tem 20 anos, mas vale bem a pena recordar…

O quarto lugar em Suzuka, depois de ceder o último degrau do pódio a David Coulthard, marcou um ponto final na carreira de Mika Hakkinen, mesmo se oficialmente o finlandês estivesse, apenas, a iniciar um ano de repouso. Liberto da pressão a que esteve submetido nos últimos quatro anos da sua carreira, o bi-campeão do Mundo mais parecia um latino na fase final da sua carreira nos Grandes Prémios. No dia da despedida, descontraído, bem disposto e, sobretudo, disponível para tudo o que lhe fosse possível fazer e dizer, Hakkinen riu-se muito quando os mecânicos lhe trouxeram um kit de praia completo para a pré-grelha, com patinho de borracha, balde de areia e acessórios, mas guardou tudo para usar mais tarde, pois nesse dia ainda faltavam 53 voltas a um dos mais belos circuitos do mundo para a sua carreira chegar ao seu termo.

Para Hakkinen, foi o acidente em Melbourne, no início de 2001, que lhe fez pensar, pela primeira vez, em parar de correr: “O impacto foi enorme, pois a suspensão partiu-se a mais de 200 km/hora e a escapatória não era muito grande. Quando regressava às boxes a pé comecei a pensar se, de facto, ainda precisava de correr este tipo de riscos, mas não disse nada a ninguém, só à Erja, e foi aí que começámos a falar sobre uma eventual paragem.
Os problemas foram tantos que quando cheguei ao Mónaco já estava saturado. Como tive mais problemas na corrida, falei com o Ron e disse-lhe que não me estava a divertir, tinha dificuldades em motivar-me, quando estava fora do carro, e pensava que um ano de paragem seria benéfico para mim. As discussões foram longas, pois era preciso assegurar o melhor para a equipa e para mim, mas chegámos a um acordo e, depois, a contratação do Kimi (NDR: Raikkonen) garantiu que os interesses da McLaren seriam bem defendidos.”

Mas o finlandês também admite que mesmo sem problemas a sua decisão poderia ter sido idêntica: “Este foi o meu 11º ano na Fórmula 1 e as pessoas que estão de fora não imaginam a quantidade de trabalho e pressão a que estamos sujeitos. Estou cansado de tudo o que não seja pilotar os carros, pois disso nunca me canso porque é a minha grande paixão. Pilotar um Fórmula 1 no limite é algo de fabuloso, uma experiência que me vai fazer falta, de certeza absoluta, mas era chegado o tempo de parar e ver o que de mais existe no Mundo para além da Fórmula 1. Quem está nos Grandes Prémios vive fechado neste mundo e só no Inverno tem oportunidade de fazer outras coisas. Agora quero ter um ano inteiro para procurar outros interesses, mas não vou desaparecer e, seguramente, vou estar de volta em algumas corridas no próximo ano.”

Para trás ficam alguns duelos memoráveis com Michael Schumacher, com o qual o relacionamento foi sempre muito bom: “Ainda fizemos umas voltas juntos em Suzuka, e diverti-me bastante, pois apesar dele estar quase dois segundos por volta mais rápido eu não cometi nenhum erro e ele nunca me pôde passar, mas o que me satisfez mais foi que os nossos duelos foram sempre limpos. É o meu estilo, andar no máximo, tentar tudo por tudo, mas sempre com limpeza, porque atirar alguém para fora de pista é estúpido e perigoso. Sei que outros pilotos tiveram problemas com o Michael, mas comigo as lutas foram sempre leais.”

Sem anunciar previamente a sua decisão, Hakkinen cedeu o terceiro lugar a Coulthard a poucas voltas do final do G. P. do Japão, surpreendendo, inclusive, o escocês: “Não tinha nada que avisar toda a gente do que ia fazer e tudo dependia de como a corrida evoluísse. Achei que depois de me ter ajudado algumas vezes o David merecia saber o que é receber uma ajuda e foi isso que me motivou a deixá-lo passar. Foi só para o terceiro lugar, paciência, mas era o que eu tinha para lhe dar hoje. Tivemos seis anos fabulosos em conjunto, ganhámos quatro campeonatos, dois de pilotos e dois de construtores e mesmo se somos muito diferentes como pessoas, seremos sempre amigos.”

Da McLaren e de Ron Dennis, Hakkinen só tem palavras para elogiar: “É impressionante o ambiente que se vive na McLaren. Todos são ultra-profissionais mas o ambiente é o duma pequena equipa de Fórmula 3. Somos todos muito unidos, muito próximos uns dos outros e isso reflecte-se na forma como o trabalho é feito. Sinto um grande orgulho em ter feito quase toda a minha carreira com esta equipa e, para mim, o Ron e a Lisa nunca foram os meus patrões, mas sim dois amigos muito chegados. É isso, o ambiente na McLaren é mesmo familiar, apesar de ser cem por cento profissional.”
Agora seguem-se as férias, longas, sem planos definidos: “Agora, praia! Acho que vamos meter-nos num barco e dar umas voltas, à procura do sol e do bom tempo. Quando estivermos fartos dum lugar, vamos para outro, e depois para outro ainda. Penso que nos próximos quatro ou cinco meses não vamos fazer mais nada a não ser apanhar sol, nadar, comer e dormir. Depois, dividiremos o nosso tempo entre Mónaco e a Finlândia, pois há muitos anos que não passo mais do que uma semana seguida no meu país. Nessa altura já saberei se a Fórmula 1 me faz muita falta e se quero voltar a correr ou se passo bem sem ela e procuro outra coisa para fazer na vida.

Mas eu não vou desaparecer nem perder o contacto com toda esta gente fabulosa que fui conhecendo ao longo dos últimos onze anos. Não garanto que vá a Melbourne – duvido que vá porque o vôo é muito longo, sobretudo na minha idade… – mas em Imola ou no Mónaco é certo que vou aparecer, para vos ver a trabalhar e dizer-vos que estou de férias!”
Curioso é o interesse que Hakkinen devota ao futuro da carreira de Kimi Raikkonen: “Ele vai estar na melhor equipa do mundo, rodeado de tudo o que necessita, mas é natural que venha a precisar de alguns conselhos. Estou disponível para o ajudar, porque acho que ele tem um talento fabuloso e porque é finlandês. No nosso país as coisas sempre foram assim – os mais velhos ajudam os mais novos, como o Keke (NDR: Rosberg) fez comigo. Nos ralis isso sempre aconteceu e a família Sohlberg ajudou muita gente, incluindo a mim. Agora é a minha vez de ajudar um finlandês mais novo e tenho a certeza que o Kimi é um potencial Campeão do Mundo. Digamos que é o primeiro finlandês que eu vejo na Fórmula 1 que é quase tão bom como eu!”
Mais uma gargalhada, uma palmada nas costas do jornalista mais próximo, e era chegado o tempo de Hakkinen fazer uma breve passagem pelo famoso Log Cabin, por uma sala de karaoke e pelo restaurante japonês do hotel do circuito, antes de ir dormir a sua primeira noite como… desocupado profissional.

ESTADOS UNIDOS/1991
A estreia na Fórmula 1, com um Lotus/Judd. Enquanto Bailey, com o segundo carro nem se qualifica, Hakkinen estabelece o 13º melhor tempo na qualificação, dando ânimo a uma equipa à beira da falência. Na corrida o finlandês está entre os dez primeiros quando, em plena recta da meta, fica com o volante nas mãos! Hakkinen consegue parar sem bater em nada, coloca o volante no seu lugar, vem às boxes e reparte como se nada se tivesse passado. Mas a caixa de velocidades cedeu, condenando-o ao abandono.
Hakkinen: “Foram dois grandes choques num só fim de semana. Primeiro, a constatação de que não tinha carro para ganhar – para mim, todos tinham hipóteses de ganhar, mas foi em Phoenix que percebi as diferenças entre as pequenas e as grandes equipas e, depois, o volante a sair do lugar na recta da meta, o que também me chamou a atenção! Não vi razão para abandonar, porque o carro funcionava bem e consegui recolocar o volante. Nem me passou pela cabeça que o mesmo problema podia acontecer numa curva rápida…”

PORTUGAL/1993
Substituindo Michael Andretti, entretanto despedido pela McLaren, Hakkinen estreia-se com a equipa de Ron Dennis no Estoril, batendo Ayrton Senna na qualificação, no final dum duelo empolgante pela terceira posição na grelha – os Williams-Renault eram doutra galáxia. Segundo no arranque, atrás dum sensacional Alesi, Hakkinen é forçado a deixar passar Senna no final da recta interior, mas volta a encostar-se ao Ferrari quando o brasileiro abandona. Depois dos reabastecimentos, a luta entre Hakkinen e Alesi passa a ser pela terceira posição – atrás de Schumacher e Prost – até o finlandês sair de pista, violentamente, na entrada da recta da meta. A culpa, pelos vistos, tinha sido do corrector…
Hakkinen: “O Ayrton estava furioso no final da qualificação, pois nem lhe passara pela cabeça ficar atrás de mim. Eu estava tranquilo, pois sempre acreditei que era o mais rápido de todos! Na corrida ele atirou-se para o meio duma curva e deixei-o passar para não batermos. Com o Alesi, que tinha um super-motor, a luta foi interessante, e a cada volta eu saía da Parabólica mais perto dele. Nesse ano tinham baixado o corrector, que assim já não aguentava os carros tão bem, e numa das voltas o McLaren foi subvirando, subvirando, subvirando e eu nada de tirar o pé. Resultado, fui para a relva, atravessei a pista e bati no muro interno. Se não têm mexido no corrector, nada disto se tinha passado, mas para estreia com a McLaren, até que foi divertido!”

ALEMANHA/1994
O caos! Oitavo na grelha de partida, Hakkinen tenta espremer o seu McLaren-Peugeot entre o Williams de Coulthard e o muro das boxes, mas quando já está à frente do escocês apercebe-se que já não tem ângulo para fazer a primeira curva. Um ligeiro desvio para a esquerda, onde Coulthard se mantinha, entalado por vários carros do lado esquerdo da pista, provoca o toque e o rebentamento do pneu traseiro esquerdo do McLaren. Hakkinen sai de pista a alta velocidade, forçando Blundell e os dois Jordan para fora de pista, para o evitarem. Como quatro outros carros tinham batido no arranque e Brundle atira Herbert para fora de pista na saída da primeira curva, nove carros nem sequer passam dos primeiros metros. Hakkinen é considerado culpado de tudo e é punido com suspensão por uma corrida, cedendo o lugar a Alliot na Hungria.
Hakkinen: “Hockenheim tem uma recta da meta pequena e eu aranquei muito bem. Fiquei apertado junto ao muro das boxes e quando quis ganhar um pouco de ângulo para curvar, toquei-me com o David. O despiste nem foi muito impressionante, mas só saí do carro quando a poeira assentou, porque só via era carros a entrar pela escapatória dentro como se aquilo fosse a trajectória normal! Acho que não tive toda a culpa – foram três os acidentes e eu só estive envolvido num – mas andava tudo muito nervoso nesse ano e, por isso, acabei por ficar de fora uma corrida. Como o Alliot andou mesmo mal, o Ron deve ter ficado convencido que precisava mesmo de mim e, se calhar, foi por isso que me manteve na equipa até agora!”

JAPÃO/1995
No final dum ano difícil, com o primeiro McLaren-Mercedes (o famoso carro com a asa sobre o entrada de ar para o motor) Hakkinen falta ao G. P. do Pacífico, por lhe ter sido extraído o apêndice. Uma semana mais tarde, em Suzuka, o finlandês efectua a melhor corrida da sua carreira, até àquela altura, numa prova onde alguns chuviscos trairam a maior parte dos favoritos, terminando em segundo lugar atrás de Schumacher.
Hakkinen: “Foi um alívio. O carro era um desastre, no início do ano, e o Mansell quase que chorava de cada vez que saía do habitáculo. Foi o que me animou, pois tinha um Campeão do Mundo desmoralizado ao pé de mim e eu estava convencido que íamos melhorar. Melhorámos mesmo, e muito, e o segundo lugar no Japão compensou a equipa dos muitos problemas tidos ao longo do ano. Mostrou também que com um carro ganhador eu podia vencer corridas, mas disso eu nunca duvidara, os outros é que precisavam de confirmação!”

AUSTRÁLIA/1995
O drama. Na segunda qualificação um furo na roda traseira esquerda do McLaren-Mercedes atira Hakkinen para fora de pista na curva mais rápida de Adelaide. Inconsciente, o finlandês é rapidamente transportado para o hospital da cidade, onde permanece em coma durante 20 horas. A violência do impacto foi suficiente para rebentar com diversos vasos sanguíneos no nariz e ouvidos de Hakkinen, que sangra abundantemente quando sai do circuito, fazendo com que todos temessem o pior. No final de tudo, uma ligeira alteração facial, e problemas auditivos no ouvido direito, acabam por ser os resultados permanentes de tão violento despiste.
Hakkinen: “Tive sorte no acidente ter acontecido na Austrália, porque o tratamento a que tive direito foi do melhor que há no Mundo. Os médicos foram excepcionais, rápidos e eficientes na forma como me trataram e mesmo se tive de passar muito tempo em Adelaide, até estar suficientemente bom para voltar a voar, não guardo más recordações desses tempos. Aprendi muito, como homem, cresci muito, mesmo, e a minha atitude para com as corridas e a vida mudou bastante depois do acidente.”

EUROPA/1997
Finalmente a vitória. Numa corrida marcada pelo acidente Schumacher/Villeneuve, que termina com o alemão a ser desclassificado do Mundial por conduta anti-desportiva, Hakkinen beneficia de ordens de equipa para superar Coulthard a duas voltas do fim, antes de Villeneuve lhe abrir a porta a três curvas do final da corrida. Resultado dum acordo tácito entre a McLaren e a Williams contra a Ferrari, depois do canadiano ter sido escandalosamente desclassificado em Suzuka.
Hakkinen: “Estava tão feliz por ter ganho que nem me importei com o facto do David me ter ajudado. O Jacques fez o que tinha de fazer, pois o sexto lugar era suficiente e se eu não o tinha incomodado nas primeiras voltas, estava disposto a atacá-lo para ganhar a corrida. Ganhar um primeiro Grande Prémio tira tanta pressão dos ombros dum piloto que levei alguns dias até acreditar que tinha mesmo ganho!”

BRASIL/1998
A vitória da confirmação. Ajudado, novamente, por Coulthard na Austrália, depois dum erro de comunicação da equipa lhe ter feito perder a primeira posição, Hakkinen vê a superioridade da sua equipa atribuída a um sistema de direcção por travagem que muitos consideram ilegal. Sem esse sistema e sem ajudas de Coulthard, o finlandês efectua uma pole position sensacional e arranca para um triunfo indiscutível, dominando a corrida brasileira de princípio a fim. À terceira vitória, ninguém pôde discutir o mérito do finlandês.
Hakkinen: “Confesso que não dei assim tanta importância a esta vitória. Gostei de ganhar – gosto sempre! – mas foi mais importante para a equipa, que tinha sofrido toda aquela contestação de equipas que não tinham pensado num sistema idêntico, do que para mim, pois na Austrália acho que ganhei com mérito, pois estava já na frente quando se deu o problema de comunicação. Se convenci alguém nesse dia, fico satisfeito, mas não saí do Brasil com a sensação de, finalmente, ter demonstrado o meu valor, porque já o tinha feito anteriormente.”

LUXEMBURGO/1998
Em território alemão, e depois de algumas corridas na mó de baixo, Hakkinen inflige uma pesada derrota a Schumacher. Tapado por Irvine nas primeiras 14 voltas, o finlandês consegue uma ultrapassagem no limite e parte no encalce do líder da corrida. Nas cinco voltas que medeiam entre o primeiro reabastecimento de ambos, Hakkinen efectua as cinco voltas mais rápidas da corrida (!!!) e já saí à frente depois da sua paragem. As restantes 40 voltas são disputadas com os dois carros raramente separados por mais de um segundo, mas Hakkinen não comete o mais pequeno erro e ganha sem discussão, impondo, também, um forte golpe no moral do seu adversário.
Hakkinen: “Foi uma corrida muito excitante, mas onde tive sempre a certeza de que podia ganhar. Mesmo atrás do Irvine eu sabia que era o mais rápido e quando o passei isso ficou bem claro. Aquelas cinco voltas sem ninguém pela frente foram feitas como em qualificação. Depois, suportar a pressão do Michael foi divertido, porque não sou de cometer erros e sabia que só se eu errasse é que ele poderia passar-me. Acho que foi aqui, e não em Suzuka, que garanti o meu primeiro título.”

JAPÃO/1999
Novamente sob pressão, novamente sem erros. Falhas de fiabilidade, erros estratégicos e dois erros pouco comuns de pilotagem deixam Hakkinen à mercê de Irvine na entrada para a última corrida do ano. Para garantir o título o finlandês tem de vencer, sabendo que Schumacher corre para ajudar o irlandês. Impondo-se no arranque, Hakkinen ganha com um à-vontade impressionante, conquistando um título que chegou a estar muito comprometido.
Hakkinen: “O primeiro título é sempre o primeiro título, mas o segundo foi tão difícil que foi, igualmente, fabuloso e muito saboroso. Em Suzuka tudo esteve perfeito. O carro, o motor, os pneus, a equipa e eu. Ninguém cometeu erros, ninguém falhou, sequer, em um por cento da sua tarefa e penso que, como equipa, esta foi uma das nossas vitórias mais impressionantes.”

BÉLGICA/2000
A ultrapassagem da vida de Hakkinen. Líder no arranque, o nórdico faz um pião em Stavelot e perde a liderança para Schumacher, que tem o carro mais acertado para chuva e vai ganhando vantagem. Quando a pista seca, Hakkinen aproxima-se velozmente do rival e a cinco voltas do fim tenta a ultrapassagem antes de Les Combes. A 320 km/hora vê o Ferrari empurrá-lo abruptamente para a relva e mal tem tempo para se desviar, evitando o acidente “in extremis”. Sem se deter, Hakkinen continua ao ataque e uma volta mais tarde supera o alemão no mesmo ponto da pista, passando entre um piloto atrasado – Zonta – e a relva para assegurar uma vitória impressionante.
Hakkinen: “Foi boa a ultrapassagem, não foi? Sabia que tínhamos um carro mais lento à frente e se o Michel fosse por um lado eu ia pelo outro. Ainda passei com as rodas sobre a parte molhada da pista, mas não havia nada que me fizesse tirar o pé naquele dia. Queria ganhar e ganhei mesmo! O que se passou na volta anterior foi discutido com o Michael e isso basta-me.”

RUBENS BARRICHELLO
“Mika vai fazer muita falta dado que é um piloto altamente competitivo e alguém, que, apesar de ser muito duro, é, também, tremendamente justo e honesto. Consigo perceber as razões porque quis ter algum tempo para se dedicar a si próprio e á família, já que conseguiu alcançar tudo o queria na Fórmula 1 e tem um filho pequeno para criar. E percebo-o ainda melhor agora que também sou pai, portanto só lhe posso desejar um aprazível descanso e que goze as outras coisas da vida.”

GIANCARLO FISICHELLA
“É uma pena que Mika tenha, agora, deixado de correr, já que todos vimos em Indianapolis do que é capaz de fazer quando a motivação está presente. Não tenho a certeza que esta seja uma despedida definitiva da Fórmula 1, mas talvez o Mika encontre, desta feita, algo mais que o motive na vida. Desejo-lhe a maior das sortes.”

HEINZ-HARALD FRENTZEN
“O Mika deveria ter-me dito que ia abandonar a Fórmula 1, porque, assim sendo, teria assinado pela McLaren!!! Estou convencido que regressará, porque, tal como eu, ele gosta demais de tripular carros de competição para ficar afastado muito tempo. Vou vê-lo bastantes vezes no Mónaco, agora que vai ter mais tempo livre, já que nos damos muito bem e as nossas mulheres também.”

JUAN PABLO MONTOYA
“Conheci mal o Mika Hakkinen, porque ainda agora cheguei à Fórmula 1 e ele já se vai embora, mas, em algumas ocasiões pode constatar como é rápido e isso impressionou-me. Talvez Mika sinta que uma nova geração de pilotos está a chegar e por isso decidiu sair. Espero que goze este merecido descanso, porque existe muito mais na vida do que apenas corridas de automóveis.”

JARNO TRULLI
“Penso que este foi o último ano que vimos o Mika na Fórmula 1, porque será muito difícil regressar após um interregno. Ele é muito rápido, muito duro mas cem por cento correcto e honesto, o tipo de piloto para o qual todos deviam olhar. Este ano o seu coração não estava com a Fórmula 1 e, por isso, acho que fez bem em parar.”

ALEX WURZ
“Tendo trabalhado com Mika este ano tive oportunidade de o conhecer e posso afirmar que é bem divertido e interessante estar com ele. É também muitíssimo rápido, particularmente nos circuitos de que gosta, ou seja, os mais rápidos. Aprendi muito com ele e, felizmente, Mika também aprendeu alguma coisa comigo. Sabendo o esforço que qualquer piloto da McLaren-Mercedes tem de fazer durante uma temporada inteira percebo que queira parar depois de tantos anos na Fórmula 1.”

KIMI RAIKKONEN
“É uma pena que Mika tenha parado de competir, mas espero que ele ainda regresse aos Grandes Prémios. Damo-nos muito bem e é sempre bom ter alguém da nossa nacionalidade por perto. Estou certo que ainda terá muito para dar à competição e isso são boas notícias, porque somos amigos.”