Lewis Hamilton em 2008: “O meu objetivo é ganhar três Mundiais, depois veremos o que vou fazer com a minha carreira…”
Completam-se por esta altura exatamente dez anos que Lewis Hamilton realizou o seu primeiro teste na Fórmula 1, um marco que o piloto inglês fez questão de relembrar no seu Instagram. Apenas dez dias depois de assegurar o título da GP2 em Monza, Hamilton teve a sua ‘audição ‘ em pista que lhe permitiu no ano seguinte estrear-se na F1, e logo ao lado do Campeão do Mundo de 2005 e 2006, Fernando Alonso. O inglês estava por Wokking desde os seus 13 anos, e tudo o que se passou desde esse dia faz parte da história da F1.
Cerca de dois anos depois, estava a fazer história, ao sagrar-se o mais jovem Campeão do Mundo da história da Fórmula 1. O inglês foi também o primeiro campeão negro de categoria maior ao automobilismo e um verdadeiro fenómeno de popularidade que está a ajudar a Fórmula 1 a atingir novos mercados e a fazer despertar para o automobilismo um novo tipo de adeptos.
As comparações com Tiger Woods na altura foram mais do que muitas, mas se era evidente que existem imensas semelhanças entre os dois jovens campeões, também havia que ressalvar as diferenças, pois o golfe sempre foi muito mais elitista que o automobilismo e Hamilton nunca teve de enfrentar atitudes discriminatórias por parte dos seus adversários, como foi o caso de Woods nos seus primeiros dois anos no circuito profissional de golfe.
O que é certo é que Lewis Hamilton juntou mais um elemento ao sonho anunciado de Bernie Ecclestone, já lá vão 25 anos, quando disse que tudo o que necessitava para fazer da Fórmula 1 o desporto mais popular do mundo era dum alemão rápido, dum piloto negro e dum chinês. Michael Schumacher tratou do primeiro desejo, Hamilton do segundo e, agora, falta um chinês para que Ecclestone possa retirar-se com todos os seus desejos cumpridos!
UM TALENTO EXCEPCIONAL
Desde muito cedo que se viu que Lewis Hamilton era dotado dum talento muito acima do normal. A sua coordenação motora ficou à vista quando com apenas seis anos ganhou o campeonato britânico de carros telecomandados, face a concorrência de adultos com décadas de experiência e daí para o karting foi um salto. Os resultados foram imediatamente excecionais e como se tratava do primeiro piloto negro a dar nas vistas no Reino Unido, Hamilton passou imediatamente a celebridade do seu pais, o que o ajudou a angariar patrocínios para continuar a progredir.
Mas sem a intervenção de Ron Dennis, da McLaren e da Mercedes, é certo que a progressão de Hamilton teria sido bastante mais complicada e lenta, pois a partir dos 13 anos teve sempre material do melhor nas mãos, mas também tratou de fazer o melhor uso desse privilégio, ganhando quase tudo no karting, antes de passar para os automóveis com apenas 16 anos.
Os dois primeiros anos não foram fáceis, porque Hamilton tinha imensa pressa de vencer e parecia incapaz de aceitar outro resultado que não a vitória, mentalidade que lhe deu brilhantes resultados mas também esteve na origem de espetaculares e violentos acidentes tanto na Fórmula Renault como na Fórmula 3. A passagem para carros mais potentes, na GP2, foi bastante mais suave e nos últimos anos os erros graves foram poucos, mais a mais se considerarmos que estamos a falar dum jovem com apenas 23 anos na altura.
Nessa idade Ayrton Senna estava a chegar à Formula 1, Michael Schumacher efetuava a sua primeira temporada completa na categoria e Alain Prost ainda estava na sua primeira temporada de Fórmula 3. Por isso, quando se analisavam as performances de Lewis Hamilton, havia que também ter em consideração a sua enorme juventude.
MAIS ERROS QUE EM 2007
Talvez por isso, Lewis Hamilton acabou por se sagrar Campeão do Mundo pela primeira vez num ano, 2008, em que cometeu mais erros do que em 2007, na sua temporada de estreia. Sem um ponto de referência como companheiro de equipa, pois Heikki Kovalainen não valia o mesmo que Fernando Alonso, com todo o peso da responsabilidade de ser o líder da McLaren nos ombros, determinado a vingar a cruel e inesperada derrota no Mundial de 2007, precisamente na última corrida da temporada, Hamilton lidou menos bem com toda essa pressão do que no ano anterior, 2007, mas acabou por fazer o suficiente para bater Felipe Massa por um ponto, com uma ultrapassagem decisiva a Glock na memorável última travagem do campeonato!
Nunca na história da Fórmula 1 um piloto de 23 anos se tinha encontrado na posição de líder duma das melhores equipas do plantel e com a enorme pressão exercida pela exigente media britânica Hamilton foi sujeito a um tratamento de choque para o qual não estava preparado. Daí resultaram erros pouco habituais no Bahrein, no Canadá e no Japão, que lhe custaram pontos preciosos e algumas penalizações.
Aliás, a sua forma de estar em pista, extremamente agressiva, causou-lhe diversos dissabores ao longo do ano, pois foi penalizado por diversas vezes e viu o plantel virar-se todo contra si, sobretudo depois do Grande Prémio de Itália duma forma que nem com Michael Schumacher tínhamos visto. Isso podia ter-lhe custado muito caro, pois ninguém lhe deu nem um milímetro na última corrida do ano, ao contrário do que era habitual com que estava a discutir o título.
No final do ano, falando com boa parte dos outros pilotos de Fórmula 1, todos nos deram conta do enorme respeito que tinham pelo seu talento natural e pela sua velocidade, mas foram poucos os que não criticaram a sua postura nos duelos diretos, ficando-nos a certeza de que o inglês iria continuar a ter vida difícil no meio do pelotão no ano seguinte. Mas tinha talento para superar todas essas adversidades, o que nos fez desde logo prever mais alguns momentos de excecional emotividade.
O CÉU É O LIMITE
Campeão do Mundo aos 23 anos, com mais quatro anos de contrato com a McLaren e mais de uma década de Fórmula 1 à sua frente, Lewis Hamilton tinha tudo para bater todos os recordes da categoria. Michael Schumacher admitiu na altura que poderia perder o recorde de títulos para o jovem inglês, mas Hamilton, na altura, nem sequer pensar nisso: “Para se ganhar oito Campeonatos do Mundo é necessário ficar muito tempo na Fórmula 1 e ter sempre carros ganhadores nas mãos. Não acredito que possa chegar aos números do Michael Schumacher, mas fico feliz por ele considerar que os poderei bater, pois ele foi a referência para todos os pilotos durante mais de uma década. O meu objetivo é ganhar três Mundiais e é nisso que me vou concentrar nos próximos anos. Depois veremos o que vou fazer com a minha carreira, mas não me vejo a correr por outra equipa que não a McLaren, que é a minha casa e onde todos fazem um trabalho verdadeiramente excecional.”
Como se percebe por estas palavras ditas há oito anos, o objetivo de vencer três mundiais está cumprido, como todos sabemos deixou a McLaren para trás, agora, resta esperar ver o que vai fazer com a sua carreira… para já, corre atrás do quarto título Mundial, será que vai impor a si próprio ultrapassar o seu objetivo pessoal?
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NOTEAM
24 Setembro, 2016 at 15:27
Excelente artigo!