Lembra-se de: Todos queriam Robert Kubica…em 2009


Todos querem Kubica…esta pode ser uma frase estranha em 2019, mas há algum tempo não era assim. O piloto polaco voltou este ano à Fórmula 1, e agarrou o volante da Williams, ao lado de um jovem George Russell. Esperava-se um retorno frutífero da parte do polaco: com 34 anos, o piloto era mais experiente, mais capaz, e voltava cheio de vontade para demonstrar capacidade nos grandes palcos.


Porém, nada tem corrido como se esperava. George Russell tem-se demonstrado a um grande nível, tem ‘aniquilado’ Kubica praticamente em todos os momentos dos Grandes Prémios, e, apesar deste negar, os observadores continuam a ligar as performances do polaco à lesão no braço, contraída em 2011. Mas nem sempre foi assim.


Robert Józef Kubica, era um jovem promissor de 22 anos quando entrou para a Fórmula 1, pela porta da BMW Sauber. Após alguns anos em escalões de formação, conseguiu um lugar como piloto de testes da equipa, e foi chamado para substituir Jacques Villeneuve na Hungria, permanecendo até final do ano. Curiosamente, foi substituído como piloto de testes por Sebastian Vettel.


Ainda nessa época alcançaria um incrível terceiro lugar em Monza, atrás de Michael Schumacher (Ferrari) e Kimi Räikkönen (McLaren).
O polaco natural de Cracóvia, faria mais 3 épocas na BMW Sauber, vencendo o Grande Prémio do Canadá em 2008, com o seu companheiro de equipa, Nick Heidfeld, a fechar em 2º, numa das melhores prestações da equipa.


Em 2010, a BMW Sauber terminou a sua participação na Fórmula 1, e Robert Kubica procurava nova equipa. Ainda jovem, 26 anos, tinha agora muito mais experiência após quatro anos de F1, já pensava em dar o salto para o próximo patamar. “Cinco equipas interessadas no piloto polaco que quer um lugar na Ferrari em 2011, e por isso pretende apenas um contrato de curta duração. A Williams é o destino mais provável”, referia uma notícia da época. As equipas mais interessadas na contratação de Kubica eram a Williams e a Renault, que ficaram sem Nico Rosberg e Fernando Alonso, respetivamente.


O piloto acabou por seguir para a Renault, para substituir o ex-campeão do mundo, fazendo parceria com o russo Vitaly Petrov. Em 2010, alcançou um segundo lugar na Austrália, e assinou uma boa temporada.
Chegava a época de 2011. Tal como a notícia referia, Kubica esperava dar o salto para a Ferrari neste mesmo ano, após assinar um contrato curto com a Renault. Porém o azar bateu-lhe à porta…


Robert Kubica esteve envolvido num aparatoso acidente, no Rali de Andora. Ficou quase uma hora preso no Škoda Fabia S2000 que conduzia, e foi transportado de helicóptero para um hospital perto de Savona, Itália. Foi parcialmente amputado no seu antebraço, e partiu várias partes do seu cotovelo direito, ombro e perna, e ainda perdeu uma dose significativa de sangue. Qual seria agora o futuro do piloto?


A época de 2011 passou-lhe (naturalmente) ao lado. Só em setembro de 2012 voltou para trás de um volante, na Ronde Gomitolo Di Lana, uma prova de ralis, que venceu. O seu carro estava agora munido de peças que lhe permitiam ultrapassar as suas dificuldades.
Em 2013, o polaco focou-se no WRC, e conduziu pela Citroën, nos Campeonatos Europeu e Mundial, de WRC2.
Curiosamente, cumpriu o seu primeiro rali em Portugal, e nessa época venceu o Campeonato de WRC2 participando apenas em sete dos 13 eventos desse ano.


Em 2014, entrou no ERC (European Rally Championship) e no WRC. Participou apenas numa prova de ERC, que venceu. Na WRC participou em todas as provas, ao volante de um Ford Fiesta, mas não teve um ano bom. Classificou-se em 16º, e não venceu nenhuma prova.
Ainda assim a recuperação de Kubica era notável. Apenas dois anos após estar às portas da morte, Robert Kubica já participava em ralis.
Mas apesar do sucesso, Robert Kubica nunca esqueceu um possível retorno à Fórmula 1.


Após mais um ano no WRC, em 2015, um ano no GT3, em 2016, e um ano na WEC, em 2017, as portas da F1 voltaram a abrir-se pela mão da Renault.
A equipa que representava em 2010, manifestou o interesse em tê-lo como piloto de testes, e o polaco aceitou. Na sua experiência com a Renault, Cyril Abiteboul referiu que Kubica estava “rápido e consistente como sempre”. Em 2017 e 2018, Robert Kubica esteve também envolvido com a Williams, equipa com a qual fez mais desenvolvimentos. Em 2018, Felipe Massa, piloto da Williams, anunciou a sua saída da F1, e vislumbrou-se uma oportunidade, e, apesar de Paddy Lowe, diretor de corrida da Williams dizer que não havia problemas com as lesões, quem substituiu Massa foi Sergey Sirotkin.


Robert Kubica cumpriu mais um ano de testes na Williams, suplantando várias vezes os registos dos pilotos efetivos, Lance Stroll e Sergey Sirotkin, que não passavam do último lugar da grelha.
Em 2019, a grande confirmação. Robert Kubica, 34 anos, voltaria a um carro de Fórmula 1, nove anos depois da última vez. Juntar-se-ia a um jovem George Russell na Williams, tentando melhorar as prestações da equipa em 2018.
O ano não começou da melhor forma, com grandes atrasos para os testes em Barcelona, provocando um significativo passo atrás no desenvolvimento do carro e evolução da equipa.


Apesar disso, durante este ano, Robert Kubica não se tem mostrado à altura do desafio. Nove corridas, e nem o único ponto, aliás, Robert Kubica nem sequer ficou acima do 15º lugar, em nenhuma prova.
O piloto que em 2010 almejava a Ferrari, olha agora para o futuro doutra forma. Quase com 35 anos, e com jovens como George Russell, Lando Norris ou Alexander Albon a despontar na F1, a sua carreira na disciplina deve terminar no final do ano. Pese embora o mau desempenho do monolugar, muita coisa fica por explicar no que toca às performances do polaco, pois muito pouco de positivo se consegue vislumbrar, tendo já perdido mito do crédito que tinha junto dos adeptos. Mas o mérito da perseverança que o fez regressar à F1, ninguém lha tida. Simplesmente não está a correr bem. Falta ainda muito para o fim do ano, mas para já não há nada que diga que algo pode mudar…