LEMBRA-SE DE: Quando Fernando Alonso teve de escolher passar de piloto titular a reserva na F1


Já lá vão 20 anos, muita coisa aconteceu pelo meio, mas é interessante olhar para o que foi o início de carreira do espanhol na F1. Todos sabemos que depois de ter sido duas vezes Campeão do Mundo de F1, anos depois desta entrevista, Alonso nem sempre fez as melhores escolhas, mas pelo menos esta foi totalmente acertada. Ora leia…

A chegada à Fórmula 1 foi muito rápida mas isso não significa que não tenha dado mostras de possuir capacidades ímpares para a condução destes monolugares. Só que, à semelhança do que sucedeu com outros profissionais, também ele optou por se remeter à posição de piloto de testes para ganhar mais experiência junto de uma equipa melhor e assim poder regressar em grande. É este o percurso do jovem Fernando Alonso.
Com apenas 20 anos de idade e uma subida quase meteórica até à Fórmula 1, Fernando Alonso não teve muito tempo para reter tudo aquilo que pode e deve aprender no desporto automóvel. No entanto, na primeira e única temporada que conheceu nesta disciplina ao volante do pouco competitivo Minardi, o ex-campeão do Mundo de Karting e ex-vencedor da Fórmula Nissan, não deixou de impressionar pela sua capacidade de adaptação, rapidez e consistência. Factores que não passaram despercebidos aos homens fortes da Renault que o contrataram como piloto de testes para os próximos cinco anos.
No Autódromo do Estoril, Alonso deu os primeiros passos com a nova equipa conduzindo para já um dos Benetton-Renault utilizado este ano por Jenson Button e Giancarlo Fisichella. Foram os primeiros quilómetros de muitos, mas mesmo muitos, que irá fazer em 2002… “enquanto este ano, com a Minardi, fiz quatro ou cinco mil quilómetros entre testes e corridas, para o ano está previsto fazer 15 ou 20 mil! Só por aqui se pode ver a diferença de estar numa equipa pequena como era a Minardi, ou numa grande como é a Renault.” O trabalho que Alonso tem pela frente já está definido. “Há um programa de desenvolvimento muito intensivo já delineado para os motores, chassis e pneus, pelo que não me vão faltar experiências novas e um acumular de conhecimentos que só me poderão beneficiar nesta altura da minha carreira.” E para quem possa pensar que este é um passo atrás, Alonso responde: “Eu sei que há quem pense assim, especialmente os jornalistas espanhóis, mas eu não. As opções que tinha para o futuro eram muito reduzidas, ou continuava por mais um ano com a Minardi ou assinava este contrato com a Renault por cinco anos. Preferi esta segunda situação por considerar que será a melhor para mim. A Renault vai ter muito que fazer para recuperar o tempo que esteve ausente e eu vou estar no meio deste processo, pelo que quando se tem apenas 20 anos como eu, ainda há um mundo de coisas para aprender. Este ano, com a Minardi, ‘descobri’ os circuitos, vi como são as coisas e agora vou ter tempo de aprender calmamente tudo o resto.”
Falar em algo mais para além da posição de piloto de testes é entrar no campo das suposições e como é fácil perceber, Alonso prefere ter os pés bem assentes na terra ao invés de “construir castelos no ar” mas não deixa de olhar para o que se passa à sua volta com alguma lucidez.
“Para já apenas me quero preocupar em fazer o meu trabalho o melhor possível, na certeza de que em função disso se poderá definir o meu futuro. No entanto, não deixo de pensar que talvez possa ter uma boa oportunidade de regressar a tempo inteiro aos Grandes Prémios se virmos que o contrato do Button termina no final de 2002 o que, em teoria, deixará um lugar livre na equipa Renault. Ora, sendo eu um piloto da casa, quem sabe…”

“Fórmula 1 é muito fechada”
Para um jovem como Alonso que fez toda a sua carreira nos monolugares, “descobrir” a Fórmula 1 é o concretizar de um sonho, mas também o enfrentar de uma realidade cujos contornos podem ser surpreendentes… “como por exemplo o ambiente do ‘paddock’ que é muito fechado. Quase ninguém pode lá entrar e é muito difícil circularmos à vontade falando e conversando com quem nos apetece. Está tudo mais ou menos escondido e são todos demasiado sérios. De resto, em termos de competição automóvel a Fórmula 1 é uma disciplina como outra qualquer a partir do momento em que entras dentro do carro. Este é, apenas, mais rápido do que todos os outros em que andei antes, com um comportamento dinâmico irrepreensível e uns travões fantásticos. Depois, por detrás deles, encontras uma equipa super-profissional e muito bem organizada.”
Apesar de, do lado de dentro, se tratar de apenas mais uma corrida de automóveis, Alonso não esconde que aquelas que fez este ano na Fórmula 1 se dividiam em duas partes…
“É verdade! Do momento da partida até, sensivelmente, à primeira paragem nas boxes parecia que estava realmente numa corrida de automóveis porque sempre conseguia andar relativamente perto senão mesmo à frente de alguns adversários, mas depois de pararmos nas boxes tudo mudava de figura e parecia que estava noutra corrida, andando sozinho e só com um único objectivo: tentar fazer a minha prova.” E que prazer se pode ter nisso?… “Bem, sempre acabamos por nos comparar com o nosso colega de equipa ou com a formação que está mais próxima de nós.”