LEMBRA-SE DE LUIGI MUSSO: Praticar bem a ‘dolce vita’


Luigi Musso morreu há 60 anos. O seu nome pode não ser conhecido dos mais jovens, mas a verdade é que foi, depois de Alberto Ascari, o italiano que mais perto esteve de vencer um título mundial de F1. Foi em1958 – mas, antes disso suceder, morreu num acidente no GP de França, em Reims. As causas desse
acidente nunca foram cabalmente explicadas, e foram mesmo objecto, na época, de ampla especulação.

Averdade é que o ambiente na equipa Ferrari não era o melhor: Musso estava sozinho, apesar de italiano e amado pelo Comendatore, contra o “British Power”, composto pelos seus colegas de equipa Mike Hawthorn e Peter Collins.NoGPfatídico, Hawthorn estava na frente, com Musso atrás e a recuperar volta a volta. O seu segredo estava na abordagem da curva Muizon, que separava os “rapazes” dos “homens”. Fazê-la a fundo não era para todos e Musso era o único capaz disso. Os dois rodavam já juntos e, de repente, o Ferrari do italiano saiu de pista. O piloto morreu no acto. Disse-se, então, que um deles não tinha respeitado o outro – o que nunca foi provado.

Seja lá como for, a verdade é que ficou a saudade de um homem cujo perfil romântico encaixava na perfeição em qualquer livro de Remarque. Quando o seu pai morreu, em 1940, deixou fortuna suficiente para o seu filho e viúva viverem durante várias gerações, sem preocupações. Ou talvez não: na véspera da sua morte, Luigi tinha perdido num jogo de cartas qualquer coisa como 10 milhões de liras! Praticante da mais pura ‘dolce vita’, Musso iniciou-se com um Topolino, demonstrando logo uma coragem digna de um Deus.

Amado pelas mulheres, coleccionou-as como um conhecedor, com a mesma displicência com que ganhava nas pistas. A sua morte deixou um rasto de saudade em muitos corações.