Keijo Erik ‘Keke’ Rosberg: O Campeão que veio do frio

Por a 25 Novembro 2016 12:13

Nico Rosberg tem este fim de semana uma excelente oportunidade de repetir o feito que o seu pai conseguiu em 1982, tornar-se Campeão do Mundo de Fórmula 1. Vamos recordar como Keke Rosberg foi campeão de F1 em 1982…

Keijo Erik ‘Keke’ Rosberg, nasceu em Solna, Estocolmo a 6 de dezembro de 1948 e é pai do atual piloto da Mercedes, Nico Rosberg. Ao contrário do seu filho, caso este consiga ser Campeão, ‘Keke’ foi, talvez o mais improvável dos campeões do Mundo. Quando chegou à Williams, contratado para substituir Alan Jones, que se ‘reformou’ pela primeira vez, estava na F1 já desde 1978 – mas tinha apenas duas temporadas completas e ambas na Fittipaldi. Somente tinha entrado nos pontos por duas vezes, em 1980 – e numa delas subido ao pódio, no GP da Argentina, a prova de abertura desse mundial. Ah! E a surpreendente vitória – a única de um Theodore na F1! – no encharcado Silverstone International Trophy uma prova de F1 que não pontuava para o Mundial em 1978.

Por isso, quando, no GP de Las Vegas, festejou efusivamente a conquista do seu (único) título de Campeão do Mundo, esse feito não bastou para ganhar o respeito dos seus colegas de pista ou sequer dos adeptos da F1. Que, durante muitos anos (alguns mesmo ainda hoje!) insistem que esse foi o título mais mal entregue da história da F1. Felizmente – ou não – hoje Keke Rosberg já não está sozinho, pois os habituais “especialistas de sofá” da F1 insistem na mesma tecla, em relação a, imagine-se, Damon Hill e Jacques Villeneuve que, juntos, ganharam nos anos em que se sagraram campeões do Mundo, nada mais que 15 GP (8 + 7)!

Mas vejamos o que disse, na altura, o AutoSport sobre este fresco campeão do Mundo, de fartos bigodes louros e um ar pachorrento e de bem com a vida e que, no caminho para o Olimpo, apenas conseguiu vencer uma corrida, o GP da Suíça, batendo por escassos cinco pontos Didier Pironi, que estava então numa cama de um hospital desde meados da temporada e nunca mais voltou a pilotar um F1 e John Watson, que venceram, juntos, quatro GP.

“Keke Rosberg (…) Campeão de uma nova era (…) sagrou-se em Las Vegas , depois de uma corrida cautelosa (…).” – disse o nosso jornal, logo na capa. E continuou assim: “Depois de um ano em busca da qualificação [no Fittipaldi] (…), o finlandês da Williams tornou-se o primeiro piloto de F1 a receber a coroa do título máximo sem ter obtido qualquer ponto na época anterior”. Sintomático!

O AutoSport foi mais longe, ao caraterizar assim o feito de Rosberg: “Com uma carreira iniciada no karting, este ‘Campeão que veio do frio’ sucede a homens como Stewart, Clark, Hill, Fittipaldi, Lauda, demarcando nitidamente a barreira entre aquela geração e a atual, que não tem tempo para forjar um nome, uma tradição. Rosberg depois de Piquet, corre o risco de ser um ‘Campeão do Mundo para consumo imediato’, dependente dos interesses dos construtores de carros de F1. A tecnologia, os regulamentos, os interesses comerciais relegaram para plano secundário a personalidade dos pilotos.” Estranhamente, o tempo veio dar razão ao que o AutoSport escreveu nessa altura…

PALMARÉS NA F1

GP F1 disputados: 128 (114 largadas)

1º GP F1: GP África do Sul 1978

Último GP F1: GP Austrália 1986

Vitórias: 5

1ª vitória F1: GP Suíça 1982

Última vitória F1: GP Austrália 1985

“Pole positions”: 5

Voltas mais rápidas: 3

Pódios: 17

Pontos: 159,5

Marcas: Theodore (1978); ATS (1978); Wolf (1978-79); Fittipaldi (1980-81); Williams (1982-85); McLaren (1986)

ANO A ANO

1978 – Theodore: 5 GP; 1 NQ; 4 NPQ. ATS: 5 GP; Wolf: 4 GP; 1 NPQ. Não pontuou

1979 – Wolf: 8 GP; 1 NQ. Não pontuou

1980 – Fittipaldi: 14 GP; 3 NQ; 10º CM, 6 pontos

1981 – Fittipaldi: 14 GP; 4 NQ. Não pontuou

1982 – Williams: 15 GP; 1 vitória (GP Suíça), 1 DQ; 1º CM, 44 pontos (Campeão do Mundo)

1983 – Williams: 15 GP; 1 vitória (GP Mónaco); 1 DQ; 5º CM, 27 pontos

1984 – Williams: 16 GP; 1 vitória (GP Dallas); 8º CM, 20,5 pontos

1985 – Williams: 16 GP; 2 vitórias (GP Detroit e Austrália); 3º CM, 40 pontos

1986 – McLaren: 16 GP; 6º CM, 22 pontos

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6 comentários

  1. pascasio

    25 Novembro, 2016 at 12:39

    Até domingo, será Hill, o único campeão, filho de um também campeão, na fórmula 1.

  2. Pity

    25 Novembro, 2016 at 15:45

    Bom, o filho, pelo menos, tem um palmarés bem melhor do que o pai, pelo que, se for campeão, apesar dos problemas do colega de equipa, ninguém vai poder dizer que não mereceu. Só esta época venceu mais vezes do que o pai em toda a carreira…

  3. Boetius Severinus

    25 Novembro, 2016 at 16:21

    Keke Rosberg, apesar de parecer não ter um palmarés brilhante, era um piloto muito rápido e bastante respeitado pelos seus pares (nomeadamente, Senna). Foi um justo campeão pois, não tendo, de todo o melhor carro (pelo menos a Ferrari, a Mclaren e a Renault eram mais rápidos), aproveitou da melhor forma os infortúnios dos outros. Um campeão também se vê assim. Também me parece que o texto do Autosport, em 1982, era um bocado de “velho do Restelo”, só a glorificar campeões antigos. Piquet, um campeão “de consumo imediato”?? Ele tinha sido vice campeão em 1980…de que forma é que o palmarés de Piquet, no início de 1981, era pior que os palmarés de Clark, Hill, Fittipaldi ou Lauda, no início da primeira época em que esses foram campeões?Fittipaldi tinha uma vitória antes de 1972 e Hill nem sequer vitórias tinha antes de 1962…

  4. Miguel Costa

    25 Novembro, 2016 at 17:14

    Foi campeão contra os melhores carros da Ferrari, McLaren e até Renault, era rapidíssimo e com uma dose de maluquice muito equilibrada, foi a solução encontrada por Frank Williams para a saída do Alan Jones e aquela birra do Reutemann, a Williams se não me engano teve 4 pilotos esse ano, o Prost deve-lhe o segundo titulo com aquela corrida magistral na Austrália a servir de lebre, nunca vi nenhum piloto conduzir num circuito urbano como ele o fez naquela corrida.

  5. Frenando_Afondo™

    25 Novembro, 2016 at 19:04

    Acho que Rosberg deveria deixar crescer um bigode épico como o do pai.

  6. Iceman07

    25 Novembro, 2016 at 21:15

    Olha o Nico Rosberg com o seu famoso penteado que lhe rendeu a alcunha de Britney, hahahahaha épico!

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