Helmut Marko, antigo conselheiro de motorsport da Red Bull e agora embaixador do Red Bull Ring, criticou duramente os regulamentos de 2026 da Fórmula 1, defendendo que foram concebidos numa época em que se acreditava que o elétrico seria o único caminho — uma realidade que, entretanto, mudou significativamente.
Os novos regulamentos das unidades motrizes, que estabelecem uma divisão 50/50 entre o motor de combustão interna e o motor elétrico sem MGU-H, têm sido alvo de críticas generalizadas desde a sua conceção. Marko juntou-se a Christian Horner e Max Verstappen, que já tinham alertado para os problemas dos regulamentos, sublinhando que as corridas se tornaram um exercício de gestão de energia em vez de uma batalha entre os melhores pilotos no limite.
Marko acredita que a maioria dos desenvolvimentos futuros será feita ao nível do software, apelando a que se dê tempo ao novo regulamento. No entanto, foi categórico ao defender que ultrapassagens proporcionadas por diferenças de bateria não representam competição genuína.
Sobre o contexto em que os regulamentos foram decididos, Marko foi contundente:
“Certamente ignoraram algumas coisas, mas os regulamentos foram decididos numa altura em que ainda havia esperança, ou a visão, de que o elétrico seria o único caminho. E isso mudou significativamente, entretanto. O motor de combustão interna fez um regresso; temos combustível sem CO₂, o que significa que tudo foi feito do ponto de vista ambiental. E agora temos apenas de garantir que abordamos estas, eu diria, lacunas nos regulamentos da melhor forma possível. 50/50 soa bem no papel, mas não funciona porque a bateria tem de ser carregada. E se não houver zonas suficientes onde possa carregar…”
Marko falou ainda dos perigos de segurança e dos arranques inconsistentes:
“Há também a situação que acabámos de ter com o Colapinto e o Bearman. Ele chega com 50 km/h a mais. É quase como se um veículo estivesse parado, e isso tem de ser evitado. A outra coisa é que as partidas não são consistentes, e isso tem levado a situações perigosas. Mas é um novo regulamento; vamos dar-lhe uma hipótese, e penso que a maior parte do desenvolvimento vai estar na área do software.”
Sobre a essência da Fórmula 1 e as ultrapassagens artificiais:
“Acho que o [Lewis] Hamilton tem razão [sobre a gestão de energia]. Mas isso afasta-nos daquilo que a Fórmula 1 representa, onde o piloto mais rápido num bom carro, ou no melhor carro, ganha. Não se trata de uma equipa de engenheiros a acertar na programação. Ou de uma bateria cheia a ultrapassar uma bateria vazia. Isso não é uma ultrapassagem real. Não é ultrapassar; é apenas passar, e isso é mais do que artificial, e realmente não devia ser assim.”










