GP Singapura F1: George Russell vence, McLaren conquista bicampeonato

Por a 5 Outubro 2025 14:56

Numa corrida que começou de forma morna, a temperatura aqueceu nas últimas voltas. George Russell foi o justo vencedor de uma prova sem grandes incidentes, mas repleta de mudanças.

O britânico controlou a corrida brilhantemente, assinando um primeiro stint notável, no qual ganhou mais de nove segundos a Max Verstappen. No entanto, no segundo stint, com pneus duros, não conseguiu manter o diferencial de performance e viu Verstappen e Lando Norris aproximarem-se — ainda que sem nunca colocar em causa a vitória confirmada 62 corridas depois.

A luta pelo segundo lugar do pódio foi intensa. Verstappen iniciou a corrida com um excelente ritmo, mas o seu monolugar começou a apresentar pequenos problemas (trocas de caixa e travagem), o que permitiu a Norris aproximar-se e lançar um ataque nas voltas finais. O neerlandês defendeu-se bem, e Norris teve de se contentar com o terceiro lugar — resultado que, ainda assim, confirmou o título de construtores da McLaren.

Esse, porém, foi o único motivo de celebração para a equipa de Woking. Oscar Piastri mostrou-se muito insatisfeito com o toque de Norris na largada. O britânico foi agressivo no arranque, o contacto aconteceu e Piastri expressou de forma veemente o seu descontentamento, que se manteve durante toda a corrida. No dia em que a McLaren fechou as contas do campeonato, a dinâmica interna ameaça mudar radicalmente.

Kimi Antonelli (sólida prestação) terminou na quinta posição, à frente de Charles Leclerc, que aproveitou o azar de Lewis Hamilton (duas paragens). O britânico da Ferrari ficou sem travões no final da corrida e Fernando Alonso ainda ameaçou o sétimo posto. Hamilton poderá perder o lugar por exceder os limites de pista nas voltas finais.

Alonso realizou uma excelente corrida. Fez um excelente primeiro stint, viu a sua equipa realizar uma paragem extremamente lenta que o atirou para a cauda do pelotão e acabou no oitavo posto, à frente do brilhante Oliver Bearman e do não menos impressionante Carlos Sainz, que largou do 18º posto e terminou nos pontos. O espanhol terminou à frente de Isack Hadjar, que mesmo com um problema na sua unidade motriz, manteve-se na luta pelos pontos até ao fim, em mais uma bela prestação do francês.

A McLaren festeja o bicampeonato — o primeiro desde os gloriosos anos 90. Num ano de domínio e de lutas equilibradas entre os seus pilotos, que também disputam o título individual, o incidente de hoje poderá marcar um ponto de viragem: Piastri dificilmente voltará a querer ser um team player. A partir de agora, tudo indica que será cada um por si.

O filme da corrida

Com 33 °C de temperatura da pista e 29 °C de temperatura do ar, os pilotos preparam-se para enfrentar a corrida mais longa do ano. Com a humidade nos 80%, o mais alto registado durante todas as sessões, os pilotos teriam pela frente um prova exigente do ponto de vista técnico e físico.

George Russell largava da pole, com a companhia de Max Verstappen na primeira linha, vigiados de perto por Oscar Piastri e Kimi Antonelli na segunda linha. Pierre Gasly e Alex Albon tiveram de largar da via das boxes, por desrespeito às condições de parque fechado.

A chuva caiu antes da prova e ainda havia alguma humidade no asfalto do circuito de Marina Bay, diminuindo a aderência nas primeiras voltas de um GP com 62 voltas. Apesar da chuva que caiu e da menor aderência, o top 10 começava com pneus médios, exceto Max Verstappen, Isack Hadjar e Fernando Alonso, com macios.

A azia de Piastri

Na largada, George Russell conseguiu um excelente arranque, mas Lando Norris foi o mais agressivo do top 5, subindo ao terceiro lugar, à custa do seu colega de equipa. Também Charles Leclerc conseguiu subir dois lugares, instalando-se na quinta posição. Fernando Alonso ganhou um lugar e Franco Colapinto conquistou três lugares na largada.

A largada agressiva de Norris provocou danos na asa dianteira, enquanto Piastri se queixava do comportamento do britânico. Nas primeiras três voltas, Russell conseguiu ganhar dois segundos a Verstappen, enquanto Norris se mantinha a menos de um segundo de Verstappen. Na chegada à volta 10, Russell tinha mais de quatro segundos de vantagem para Verstappen, com Norris a gerir a distância para o piloto da Red Bull, enquanto Piastri e Leclerc mantinham as posições.

Na volta 14, Yuki Tsunoda trocou de pneus (para os duros) enquanto Gabriel Bortoleto trocou de pneus e de asa dianteira, danificada depois de um toque de Lance Stroll, na largada. Na mesma volta, Norris tocou no muro da curva 16, sem consequências. Os pneus macios começavam a ceder e os pilotos que começaram com as borrachas marcadas a vermelho começavam a entrar na janela de troca de pneus.

Primeira metade pouco animada

Na volta 20, Max Verstappen entrava para colocar pneus duros, enquanto Norris ficava em pista para tentar o “overcut”. O ritmo inicial de Verstappen era forte enquanto Norris também subia o nível. Na frente, Russell tinha uma almofada de 10 segundos. Leclerc entrou duas voltas depois para colocar pneus duros.

Norris começava olhar para a frente da corrida e a Mercedes aconselhava Russell a dar tudo, uma vez que os McLaren começavam a aproximar-se. Na volta 25, Hamilton entrava nas boxes para colocar pneus duros e na volta seguinte, George Russell entrava nas boxes para colocar pneus duros. Norris assumia a liderança e Piastri seguia atrás. Kimi Antonelli também entrou para colocar os duros enquanto a McLaren conferenciava com os pilotos a ordem para parar. Norris tinha prioridade e entrou primeiro para colocar pneus duros.

Jogadas estratégicas

Norris regressou à pista a cinco segundos de Verstappen, mas com vantagem de ter pneus sete voltas mais novos. Piastri entrou para colocar pneus duros na volta 27, mas a paragem correu mal, mas sem consequências na posição esperada.

A meio da corrida, Russell ia vendo Verstappen a aproximar-se com Norris a não conseguir aproximar-se do #1 da Red Bull. Oscar Piastri estava a 9 segundos de Norris e Leclerc estava a oito segundos de Piastri. Seguiam-se Antonelli, Hamilton, Lawson, Stroll e Sainz.

Na volta 37, Verstappen bloqueou as rodas, queixando-se do carro. Isso permitiu a Russell aumentar a distância para 5 segundos e Norris ficou a menos de dois segundos do Red Bull. Verstappen ia acumulando erros a um ritmo pouco normal, provavelmente motivados pelos problemas que ia sentido no seu monolugar.

Final escaldante na luta pelo segundo posto

A 19 voltas do fim, Russell começou a encontrar os retardatários, mas Verstappen, com problemas no equilíbrio do carro, não conseguia aproximar-se. A corrida ia animando com alguns toques, erros (Nico Hülkenberg perdeu o controlo do carro, sem consequências).

Aproveitando os problemas de Verstappen e os retardatários, Norris começava a aproximar-se, ficando a menos de um segundo do Red Bull, já com uso do DRS. Mas Verstappen defendia-se com valentia e Norris não encontrava soluções para subir ao segundo posto, enquanto Russell se mantinha no topo sem problemas.

Com 10 voltas para o fim da corrida, Norris iniciava o ataque a Verstappen, sem sucesso, permitindo a Piastri que se aproximasse. Mais atrás, Leclerc perdia duas posições, uma para Antonelli e outra para Hamilton (com o britânico a ter a vida facilitada pela equipa e pelo colega de equipa).

A ordem no topo da tabela não se alterou, mas atrás houve ainda muita animação. Lewis Hamilton acabou a corrida sem travões e com a ameaça de Alonso. Apesar disso, Alonso terminou atrás de Hamilton, com Leclerc a recuperar o sexto lugar. George Russell venceu, seguido de Verstappen e Norris, com Piastri e Antonelli no top 5. Leclerc, Hamilton, Alonso, Bearman e Sainz completram o top 10.

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3 comentários

  1. Canam

    5 Outubro, 2025 at 15:17

    Campeonato a três co 6 GPs por disputar. Corrida sem interesse

  2. Pity

    5 Outubro, 2025 at 16:27

    Uma corrida dividida em três partes: primeiras 10 voltas interessantes, daí até Norris parar, não aconteceu nada de relevante e depois até ao fim tivemos algumas lutas interessantes. De realçar não ter havido safety car, ter havido uma única bandeira amarela e ninguém abandonando. Os “meninos” portaram-se muito bem. 🙂
    Grande corrida de Russell, Verstappen a ter velhos pesadelos, Norris a fazer um grande arranque e um excelente final de corrida, mas a ser vítima das dificuldades de ultrapassagem do circuito.
    Piastri pareceu ter ficado amuado com o encontro com Norris, mas são coisas que acontecem nas largadas, felizmente sem consequências, para além de ter perdido três pontos para o seu rival.
    Antonelli com mais uma boa corrida, provando que os maus resultados, na temporada europeia, se deveram mais ao carro do que a ele. O carro melhorou, ele também.
    Pena o problema de travões do Hamilton, pois a estratégia de montar macios estava a dar bons frutos, rapidamente passou Leclerc e estava colado em Antonelli mas, como dizia aquele senhor que apareceu nas imagens, Hakkinen, “as corridas são assim”.
    Alonso foi eleito piloto do dia, mas eu acho que “rádio do dia” lhe assentava melhor. Adorei o rádio quando passou Hadjar.
    Uma palavra final para Sainz que conseguiu chegar aos pontos, largando de 18º. Grande estratégia. E também para Stroll, que andou 40 voltas de pneus macios.

  3. Guilherme Moreira

    5 Outubro, 2025 at 17:00

    Boa corrida para uma pista tão difícil de ultrapassar tivemos excelentes lutas e ultrapassagens, grande vitória e fim de semana perfeito para a Mercedes e para o russell contra todas as probabilidades e odds, derrotaram o Verstappen e os mclaren sem apelo nem agravo limpinho, Max a derrotar os mclaren mais uma vez pelo terceiro fim de semana consecutivo e a colocar enorme pressão nos 2 miúdos que com o título da mclaren assegurado hoje não haverá mais ordens de equipa e o piastri vai se vingar se houver oportunidade no cota e nas próximas corridas do Lando e tenho a certeza que haverá um duplo DNF para ambos ou pelo menos um nas próximas corridas e o Max vai beneficiar disso, e por isso se tivesse de apostar quem vai ganhar o título de pilotos esta época apostava no Max, vem aí 2 pistas sobretudo o México com a longa reta que vai beneficiar o Max e a red Bull que já foram muito felizes no passado e austin se o Max derrotar os 2 mclaren na sprint e corrida então não temos dúvidas quem vai ganhar o título, só vejo o Brasil sem chuva e abu dhabi as únicas pistas onde o red bull pode ter mais dificuldades é o mclaren maior vantagem, las Vegas e red bull 100% e um pesadelo para a mclaren, curiosamente o russell e a Mercedes podem ser os únicos que podem ajudar a mclaren e tirar pontos ao max e salvar o piastri ou Norris do título! Ferrari a verdadeira vergonha de sempre, mais uma corrida para esquecer num ano para esquecer! Hamilton merecia ter derrotado o Leclerc nesta pista foi mais rápido toda a corrida mas o problema de travões custou lhe um sexto ou quinto lugar! Alonso mesmo com o azar e burrice da equipa das boxes conseguiu uma excelente recuperação e ultrapassagens sobretudo a do hadjar na curva 3 com o carro a fugir de traseira impressionante é um sétimo lugar devido a justa penalização do Hamilton muito importante para ele e a Aston Martin! As próximas 2 corridas deve ser para esquecer devido à falta de eficiência aerodinâmica e velocidade e onde a Aston Martin nos últimos 2 anos foi o carro mais lento quer em Austin quer no México e este ano não vai fugir a exceção! Excelente corrida do hadjar e do bearman com pontos sólidos!

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