GP Mónaco F1: O que ficámos a saber após os dois treinos livres

Por a 25 Maio 2018 09:24

Por José Manuel Costa

Não tem sido habitual um domínio tão claro de uma equipa no primeiro dia de treinos de um GP em 2018. O que a RedBull fez nas duas primeiras sessões de treinos livres do GP do Mónaco prova que os carros de Milton Keynes são superiores aos restantes. Resta saber se isso irá durar até domingo.

Olhando para as folhas de tempos, a RedBull não deu chances a ninguém: 1º e 2º lugares nas duas sessões com Lewis Hamilton a ser o melhor dos outros, mas a quase quatro décimos de segundo na primeira sessão e Sebastien Vettel a ficar a 0,572s na segunda sessão. Mas ainda mais impressionante é que Daniel Ricciardo pulverizou o tempo da pole position rubricado o ano passado, registado por Kimi Raikonnen. O finlandês cumpriu uma volta ao curto traçado do Mónaco em 1m12,178s, o australiano foi o único, até agora, a baixar da barreira dos 72 segundos com 1m11,841s!

É verdade que nas duas últimas provas, a RedBull estava na calha para ganhar, perdendo-se nas suas próprias questões e no mau comportamento dos seus dois pilotos, ficando longe de lutar pela vitória. Mas perante aquilo que assistimos nesta quinta feira, acredito que a RedBull tenha carro para dominar o GP do Mónaco, ainda por cima quando se sabe que a Ferrari aderiu ao chassis de longa distância entre eixos como a Mercedes.

Aliás, Helmut Marko, diretor desportivo da RedBull, já disse em Monte Carlo que acredita que o carro da equipa irá ajudar Max Verstappen e Daniel Ricciardo a manter-se na frente dos Mercedes e Ferrari, apesar dos seus modos de potência que o motor Tag Heuer/Renault não tem. E porque será que Markko está disso convencido?

Bom, analisando o que se passa no Mónaco e as suas características sui-generis, o motor não é essencial no traçado monegasco. Segundo simulações de várias equipas, incluindo a RedBull, o aumento de potência não representa mais que dois décimos de segundo. Ora, Mercedes ficou a 0,354s e a Ferrari a 0,572s pelo que fica evidente que a RedBull, tudo indica, poderá, mesmo, ficar com a primeira fila da grelha de partida e andar meio caminho até à vitória, seja com Verstappen, seja com Ricciardo, até porque a RedBull consegue fazer funcionar os pneus hipermacios sem grandes dificuldades.

E se analisarmos as simulações para a corrida, a RedBull conseguiu, pelo menos com Ricciardo, fazer 13 voltas com os Hipermacios com um tempo média dessas voltas cravado no 1m15,2s. Contas feitas, são 0,7 segundos melhor que o melhor dos Mercedes e 0,3 segundos mais rápido que Sebastien Vettel, o mais veloz da Ferrari. Ou seja, parece que Lewis Hamilton tinha razão em ter receios sobre o facto da Mercedes poder ser a terceira força no Mónaco.

O grãozinho de areia neste cenário idílico da RedBull chama-se granulação dos pneus no carro de Max Verstappen. O piloto holandês cumpriu duas simulações de corrida e na primeira sentiu muita degradação das borrachas da Pirelli e lançou alguma preocupação no otimismo da equipa de Milton Keyes. Quanto ao cenário com os pneus Ultramacios e Supermacios, a RedBull não conseguiu desenhar nenhuma estratégia devido à escolha de pneus dos seus pilotos. Ambos têm, apenas, um jogo de pneus Ultramacios e Supermacios e esses estão guardados para a corrida, naturalmente. Portanto, a RedBull, apesar da excelência do trabalho feito durante as duas primeiras sessões de treinos livres, está condicionada pela duração dos pneus Hipermacios.

Sabe-se – e isto é válido para todas as equipas – que os Ultramacios conseguem fazer muitas voltas, mais de metade da corrida. Ora, ninguém quer fazer mais que uma paragem para evitar ficar presa no tráfego ou ficar ao abrigo de algo que possa correr mal nas boxes e perder a posição em pista, decisiva no Mónaco. Por isso a RedBull, mas também a Ferrari e a Mercedes, estão dependentes da duração dos Hipermacios que todos elogiavam.

Ora, parece que durante a segunda sessão de treinos surgiram inesperados níveis elevados de degradação das borrachas da Pirelli da mistura mais macia disponível para o Mónaco. E isso não foi exclusivo da RedBull, pois a Ferrari experimentou bastante granulação nos pneus dianteiros Hipersoft. Mas também nos Ultramacios. E isso foi uma surpresa. Mas a Ferrari veio a terreiro explicar, através de Vettel, que os pneus não vão ser problema na corrida. Dizer, também, que os clientes da Ferrari estão a usar a segunda unidade do motor, turbo, controlo eletrónico, MGU-K, MGU-H e baterias. Supostamente deveriam durar sete provas, mas a Ferrari mudou tudo ao sexto Grande Prémio.

No campo da Mercedes parece que reinam algumas dúvidas. Ou então estão a desenhar uma estratégia “out of the box” pois Lewis Hanilton e Valtteri Bottas experimentaram todas as misturas! O inglês chegou mesmo a fazer um “stint” de seis voltas com os Supermacios, debalde, pois segundo ele “a aderência era zero!”. E a verdade é que os tempos por volta dos dois Mercedes não foram excecionais e nunca os “flecha de prata” estiveram, sequer, perto dos RedBull tendo feito jogo igual com os Ferrari com os pneus mais macios, pois na simulação de corrida, rodaram atrás dos carros de Maranello. E tal como sucedeu com a Ferrari, os pneus Hipermacios montados na frente do Mercedes, acusaram desgaste prematuro e inesperada granulação. Porém, tal como sucede com a Ferrari, os homens de Toto Wolff acreditam que não será problema na corrida assim que mais borracha for sendo depositada na pista.

Algo que se notou com clareza foi o tráfego intenso que prejudicou muito o trabalho das equipas, a que se juntou uma bandeira vermelha que durou 15 minutos para se soldar uma tampa do sistema de saneamento que ameaçava soltar-se trazendo à memória os acidentes de Rubens Barrichello em 2010 na subida de Saint Devote (quando uma tampa solta acertou na roda traseira do Williams e o enviou de encontro aos rails) e de Jenson Button, que em 2016, também na subida de Saint Devote, viu um pedaço de metal levantado pelo carro de Nico Rosberg e saído de uma tampa do sistema de saneamento, passar-lhe rente ao capacete.

Desilusões para a McLaren que apesar de ter colocado um dos seus carros entre os dez mais velozes, viu-se confrontada com um ritmo de corrida desapontante, com muitas dificuldades em colocar temperatura nos pneus dianteiros, e para a Haas. A equipa norte americana esteve constrangida porque depois dos dois acidentes de Romain Grosjean em Baku e em Barcelona, há algumas dificuldades com peças suplentes e Gunther Steiner teve de pedir aos seus pilotos para evitarem toques que pudessem arrasar com o stock de peças. A Haas tem no Mónaco, como chassis de substituição, o carro acidentado em Barcelona.

No sábado, teremos a terceira sessão de treinos livres e a qualificação e tudo isto que estive a analisar será, ou não, validado.

Caro leitor, esta é uma mensagem importante.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI

Deixe aqui o seu comentário

últimas FÓRMULA 1
últimas Autosport
formula1
últimas Automais
formula1