Um dos temas muito referido no final da prova em Imola, no fim de semana passado, foi o atraso na ativação do DRS por parte da direção de corrida. Foram necessárias 35 voltas para que o DRS fosse finalmente ativado. Para uns foi a decisão certa, para outros tal motivou uma corrida mais enfadonha até esse ponto.
O DRS foi criado para promover mais ultrapassagens. Numa altura em que os carros já eram difíceis de seguir, o DRS surgiu como uma solução de recurso que se foi mantendo, cujo objetivo era promover uma aproximação mais fácil aos pilotos que perseguidores, para assim promover mais lutas em pista. No entanto, o DRS tem dado resultados mistos. Em algumas corridas vemos que o DRS serve o propósito para o qual foi criado, levando a uma aproximação mais facilitada e promovendo lutas interessantes. Mas não poucas vezes vimos o DRS a facilitar em demasia as manobras, com ultrapassagens sem história. Os carros desta geração foram criados para minimizar essa necessidade, mas parece claro que o DRS está para ficar. Na pequena amostra de corrida com piso seco (ou quase seco) em Imola, as perseguições são mais fáceis e que estes novos carros podem andar mais tempo na traseira dos adversários sem sentirem em demasia os efeitos da falta de apoio aerodinâmico. No entanto, as ultrapassagens foram escassas e numa F1 que exige muitas ultrapassagens para fazer render o espetáculo, notou-se a falta do DRS.
Alguns pilotos queixaram-se que foi ativado demasiado tarde, mas as condições de pista eram difíceis e com apenas uma trajetória seca, as ultrapassagens exigiram ir para a zona molhada da pista. A direção de corrida teve pouca vontade de ver um incidente como o do ano passado entre Valtteri Bottas e George Russell e jogou pelo seguro. O espetáculo perdeu, mas na minha opinião, foi a decisão certa. Sem precipitações, sem busca desmesurada pelo espetáculo. Portanto o timing da ativação terá sido o correto.
Quanto ao DRS em si, voltamos a ver casos em que o DRS ajudou nas ultrapassagens apenas o suficiente e o espetáculo foi bom, noutros casos vimos diferenças demasiado grandes e ultrapassagens demasiado facilitadas. Mas somos forçados a reconhecer que sem o DRS estas corridas poderiam ser um pouco mais processionais e, como tal, é uma ferramenta que ainda faz sentido manter nesta geração de carros.
Aproveitamos para desafiar os leitores sobre este tema: Deveria o DRS ser ativado mais cedo? O DRS ainda é necessário para o espetáculo?










