GP do Japão F1: Suzuka expôs (ainda mais) as fragilidades dos novos regulamentos

Por a 28 Março 2026 15:25

A visita a Suzuka era um dos momentos mais esperados pelos fãs de F1. Mas os novos regulamentos reduziram a espetacularidade e chegámos ao fim do que deveria ter sido uma das melhores sessões de qualificação com amargo de boca.

Um regulamento ainda em fase embrionária

Devemos fazer esta ressalva antes de começar. Estes regulamentos estão no início. Há muito a descobrir, muito a evoluir, muito a melhorar. Sabemos que os engenheiros da FIA e da F1 não são amadores que não pensaram nas consequências do que estavam a fazer. A FIA precisou de colocar em cima da mesa um desafio aliciante para novas marcas, com relevância para as estradas do dia a dia, permitindo evolução e espetáculo. Nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio certo, muito menos à primeira. E os engenheiros das equipas de F1 fizeram o melhor que podiam com as regras e a tecnologia à disposição. Relembramos o ano de 2014, em que tínhamos motores com um som triste comparado com os V8, com carros horríveis, lentos e pouco apelativos. Esses foram os primórdios do que viria a ser uma das eras mais rápidas da F1. Portanto, sabemos que há caminho a percorrer.

O mito da F1 e dos seus gladiadores

Dito isto, é importante também destacar que a F1 é um espetáculo onde 22 gladiadores pegam nas máquinas mais rápidas do mundo e tentam chegar ao primeiro lugar, numa luta em que um décimo de segundo é a diferença entre a vitória e a derrota. A F1 está no imaginário das pessoas como o desporto das velocidades estonteantes, da coragem, do talento para segurar máquinas que o comum dos mortais não conseguiria levar nem a 50% da sua real capacidade. Olhamos para os nomes consagrados do desporto e vemos neles algo especial: uma capacidade quase sobre-humana de ser rápido com máquinas implacáveis.

Como se mede o talento nesta F1?

No início da temporada, tinha uma pergunta num dos blocos de notas: com esta F1, como se mede o talento? E hoje, em Suzuka, ficou a sensação de que os grandes talentos ficaram impedidos de mostrar o que realmente valem. E que esta regulamentação nos impede de ver os melhores no seu esplendor. Que a busca por eficiência se tornou mais importante que a espetacularidade. Que o tempero deste desporto foi praticamente eliminado.

Chegámos ao ponto em que a F1, na sua habitual publicação de volta onboard, “saltou” para fora do carro na zona da 130R, a mais espetacular da pista, e também aquela onde os novos monolugares mais sofrem com a falta de potência da unidade motriz por falta de energia elétrica. Dificuldade técnica ou algo deliberado para mascarar a realidade?

As pistas que fazem sonhar

Há qualificações que qualquer fã espera ansiosamente. Pistas mais exigentes, como Mónaco, Spa, Suzuka, Montreal, Silverstone… Em todas as pistas cuja sessão de qualificação causa ainda mais expetativa, parece haver elementos comuns: são pistas rápidas, fluídas, onde é preciso, além de encontrar a trajetória certa, ser mais corajoso, travar mais tarde, acelerar mais cedo. Hoje não vimos isso. Num dos melhores traçados do mundo, os artistas não precisaram de ir ao limite. Porque ir ao limite é ser mais lento. Um contrassenso que ainda é difícil de digerir e que não devia existir a F1.

Leclerc, Norris, Alonso: sintomas de um problema maior

Vimos Charles Leclerc a queixar-se de que, se travar mais tarde e acelerar mais cedo, vai perder tempo nas retas, por causa da gestão de energia. Vimos Lando Norris a falar de dor na alma ao ver a quantidade de velocidade que se perde com o super clipping. Vimos Alonso a dizer que se perdeu a magia de Suzuka, que 50% dos membros da equipa poderiam ser rápidos, e que as curvas de alta velocidade, onde apenas os melhores e mais destemidos se destacavam, servem agora para recarregar baterias e são feitas a menores velocidades. As estrelas disseram que não deram o seu máximo, pois o máximo é agora a causa de ser lento. Sabemos que aqueles 22 que estão na grelha estão entre os melhores do mundo. O problema é que não estão a ser colocados à prova. Ou melhor, estão, mas não da forma que a F1 deveria exigir.

Suzuka sem sabor a Suzuka

Hoje Suzuka não soube a Suzuka. Kimi Antonelli foi o melhor e merece a pole. Não se pode, nem se deve, minimizar o que conseguiu. Mas a sensação de que a maioria deixou algo por mostrar em pista é demasiado evidente. E esta F1, assim, não entusiasma.

Vêm aí cinco semanas que serão cruciais para tentar remediar esta situação. Claro que quem vence quer poucas ou nenhumas mudanças e quem perde quer uma revolução. Que os interesses superiores do desporto sejam tidos em conta e se desenhe uma solução que permita voltar a ter uma F1 entusiasmante.

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