GP do Japão de Fórmula 1: Max Verstappen bicampeão, ‘matchpoint’ em Suzuka

Por a 10 Outubro 2022 18:09

Max Verstappen conquistou o seu segundo Campeonato do Mundo de Pilotos ao vencer o Grande Prémio do Japão, uma prova que foi um microcosmo do que aconteceu ao longo da temporada.

O neerlandês chegava a Suzuka com a possibilidade de realizar o ‘matchpoint’ pela segunda vez esta época, depois de as condições não se reunirem em Singapura, mas ainda assim precisava que Charles Leclerc não terminasse em segundo, caso vencesse.

Verstappen esteve ao seu nível habitual numa pista que, tendencialmente, se ajustava melhor às características do Red Bull RB18, não dando qualquer possibilidade aos seus adversários, que nada puderam fazer quanto à lei ditada por agora virtual Bicampeão Mundial.

O nível que o piloto da equipa de Milton Keynes mostrou durante todo o fim-de-semana de Suzuka é um exemplo evidente do que se passou ao longo da temporada deste ano.

Como se esperava, Verstappen foi, normalmente, o ponta de lança da Red Bull, sendo dele que se esperavam os melhores resultados da equipa, mesmo quando, no início do ano, a Ferrari parecia ter um ligeiro ascendente face à sua rival de Milton Keynes.

Apesar dos erros estratégicos da ‘Scuderia’ e da falta de fiabilidade do seu carro, só pouco antes das férias de Verão Verstappen arrancou decisivamente para a conquista do seu segundo título.

As vitórias em Hungaroring, Spa-Francorchamps e Monza, circuito onde arrancou atrasado por um motivo ou por outro, conquistou triunfos autoritários, evidenciando um desejo de se impor férreo e uma incisividade nas ultrapassagens impressionante, o que foi determinante para os resultados.

O RB18, claro, nas suas mãos, é uma arma temível, mas como se viu com Sérgio Pérez, era preciso um talento nato e uma confiança à toda a prova para a usar em toda a sua plenitude e, não nos iludamos, apesar de todos os problemas, Leclerc e a Ferrari foram adversários difíceis, que poderiam virar o resultado do campeonato, caso ao volante do monolugar número não estivesse um piloto da craveira de Verstappen.

Para além do seu inegável talento, este ano viu-se no holandês um piloto mais calmo e capaz de jogar o jogo das hipóteses, ao invés de 2021 em que a sua atitude era a de ‘vai ou racha’.

Este ano, mesmo nos duelos com Leclerc, viu-se um Verstappen capaz de ceder, quando arrastar uma luta poderia trazer mais prejuízos que ganhos, algo que nunca se viu com Hamilton, em que jamais cedeu nos duelos corpo a corpo, contribuindo decisivamente para incidentes entre os dois.

Como é evidente, ao longo de uma temporada nem tudo corre sempre bem e Verstappen teve também os seus momentos menos bons.

A sua quebra de performance mais evidente ocorreu no Grande Prémio do Mónaco, onde foi completamente dominado por Sérgio Pérez, mas nessa altura o RB18 ainda padecia de um problema de subviragem, que foi corrigido com a diminuição do excesso de peso do monolugar de Milton Keynes.

Cometeu alguns erros, sendo o pião de Hungaroring e a saída de pista em Barcelona alguns dos exemplos, enquanto em qualificação, por vezes, na tentativa de bater Leclerc, pareceu ultrapassar os limites do seu carro, o que lhe custava algum tempo.

Porém, Verstappen foi o piloto mais completo ao longo da temporada e o título é inteiramente merecido.

Nada para Verstappen

Pode-se dizer que o Grande Prémio do Japão foi um exemplo do que verificou ao longo de toda a temporada.

Com as condições incertas que se viveram durante a temporada, as dúvidas para a corrida eram muitas, uma vez que na sexta-feira a chuva marcou a sua presença em Suzuka, para depois no sábado a pista estar completamente seca, obrigando a que as equipas e pilotos se adaptassem o mais rapidamente possível à situação.

A Red Bull, através de Verstappen, foi a que mais depressa se conseguiu ambientar às condições, tendo o holandês conquistado a pole-position, muito embora alguns pequenos erros na sua segunda volta da Q3, o tenham deixado exposto ao ataque dos pilotos da Ferrari.

O holandês acabaria na melhor posição da grelha de partida, batendo Leclerc por dez milésimos de segundo e Carlos Sainz por 0,057s.

A possibilidade de chuva para o dia da corrida confirmou-se e todos os pilotos recorreram aos pneus intermédios para uma pista que, talvez, exigisse borrachas de chuva.

A primeira vítima foi Sainz, que colocou o seu Ferrari nas barreiras, abandonando – como aconteceu este ano, um erro de pilotagem debilitava a ofensiva da ‘Scuderia’.

A prova foi imediatamente interrompida com bandeiras vermelhas, situação em que se manteve durante mais de duas horas.

A corrida foi retomada a quarenta e cinco minutos do limite máximo de três horas durante a qual se pode realizar, com o Safety-Car a liderar o pelotão, que estava a obrigado a sair das boxes com pneus de chuva.

Apesar de a chuva se ter mantido a cair insistentemente, a pista foi secando lentamente, e os intermédios, mais tarde ou mais cedo, seriam utilizados.

Verstappen e Leclerc pararam na mesma volta para a operação, na sétima volta, mas o monegasco foi atrasado pela entrada nas boxes de Pérez, vendo a sua diferença para o holandês crescer de pouco mais de um segundo para mais de quatro.

O piloto da Ferrari rodou durante três voltas ao ritmo do holandês, dando a ideia de que poderia pressioná-lo, mas depois o sobreaquecimento dos pneus dianteiros obrigou-o a descer o ritmo, deixando escapar o líder, que rumou para a sua décima vitória da temporada de forma autoritária.

Já Leclerc, ficou na mira de Pérez e na última volta, quando tentava manter o segundo posto, atravessou a Chicane Casio, cruzando a linha de meta à frente do mexicano.

Contudo, ainda antes da cerimónia do pódio receberia uma penalização de cinco segundos devido à sua indiscrição, o que o atirou para o terceiro lugar, promovendo o piloto da Red Bull a segundo.

Tal como ao longo da temporada, oposição da Ferrari foi-se esfumando por diversos motivos, deixando Verstappen descansado para conquistar um triunfo que, na verdade, desde cedo parecia seu, tal como o Campeonato de Pilotos deste ano.

FIGURA: Max Verstappen

O holandês esteve sempre um passo à frente da concorrência, mas na qualificação, alguns pequenos erros, deixaram-no exposto.

Na corrida não deu qualquer possibilidade aos seus adversários e arrancou para a sua 12ª vitória da temporada, em condições difíceis, o que lhe permitiu conquistar o seu segundo título na Fórmula 1, ainda que circunstâncias tão especiais que no paddock eram poucos os que sabiam do resultado.

MOMENTO: Entrevista de Herbert a Verstappen

O ex-piloto inglês entrevistava Pérez, quando de repente chamou o colega de equipa deste para lhe anunciar que tinha conquistado o Campeonato de Pilotos deste ano.

As confusões regulamentares que se viveram com o esquema de pontuações, por a prova ter tido apenas 28 voltas em vez das 53 previstas, deixaram todos convencidos de que não haveria pontos suficientes para que Verstappen pudesse celebrar o título em Suzuka, mas a penalização de Leclerc e um artigo perdido no regulamente desportivo da F1, acabou por dar o cetro ao holandês que soube através de Herbert.

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