GP do Brasil F1: O mau agouro de ‘Rubinho’ Barrichello em Interlagos

Por a 1 Novembro 2024 16:49

Rubens Barrichello venceu onze vezes na sua carreira na Fórmula 1, mas nunca venceu o Grande Prémio do Brasil. Por alguma razão, houve sempre algo que impediu o brasileiro de realizar o sonho de vencer em casa. Em 19 participações teve 11 abandonos, 10 deles consecutivos, e apenas um pódio. Recordamos as suas prestações em detalhe, ano por ano.

De forma geral, Barrichello merecia melhor sorte na sua corrida de casa. Desde miúdo, quando andava no karting, sempre sonhou em vencer a corrida, especialmente em carros vermelhos. Era um sonho vencer no Brasil sendo piloto da Ferrari. O facto é que isso nunca aconteceu. Era como se um poder superior quisesse impedir um feito que é sempre especial na carreira de um piloto. Pode-se ganhar pela primeira vez uma corrida, podem ser vencidas muitas corridas, mas vencer num Grande Prémio no mesmo país onde se nasceu é um dos momentos mais emocionantes para um piloto. Quando Senna venceu pela primeira vez no Brasil, em 1991, viu-se o alívio na sua face e as lágrimas que lhe escorriam no rosto falavam por si. Barrichello não conseguiu lá chegar, mas todos os azares que sofreu em Interlagos não impedem uma reflexão positiva sobre a sua carreira. Barrichello foi um dos grandes pilotos que passou pela Fórmula 1 e deu-nos alguns momentos inesquecíveis que ficarão para sempre na memória dos amantes do desporto motorizado.

1993– Jordan-Hart (Abandono)

Rubens Barrichello estreou-se na Fórmula 1 em 1993, com a equipa de EddieJordan. O carro ainda mostrava alguns problemas de fiabilidade, mas Rubens já mostrava ter muito talento e rapidez. No Brasil, na segunda corrida da temporada, qualificou-se no 14º lugar. Na partida, teve que ser defensivo para evitar um acidente entre o McLaren-Ford de Michael Andretti e o Ferrari de Gerhard Berger e ficou na 12ª posição. Ele seguia atrás de um comboio até que, na volta 13, teve problemas na caixa de velocidades e abandonou o seu carro em pista.

Neste ano de estreia, Barrichello mostrou bons sinais, com uma belíssima corrida em DoningtonPark que acabou com um problema de pressão de combustível quando rodava em 3º. No Japão somou os seus primeiros pontos com um 5º lugar, acabando a temporada com dois pontos.

1994 – Jordan-Hart (4º lugar)

No seu segundo ano na Fórmula 1, a temporada começou precisamente no Brasil. Nesta prova, Barrichello colocou o seu Jordan-Hart no 14º lugar. A sua corrida foi muito positiva, naquela que seria uma das suas melhores prestações no Grande Prémio do Brasil. Barrichello aproveitou os muitos abandonos nesta prova mas também fez uma condução muito sólida e terminou num brilhante 4º lugar, igualando o melhor resultado até à data da Jordan e, com o abandono de Ayrton Senna da corrida, foi o melhor brasileiro na corrida.

Nesse ano teve um início inspirado de campeonato, somando logo a seguir em Aida um 3º lugar, o seu primeiro pódio da carreira. Apesar do seu horrível acidente no fatídico Grande Prémio de São Marino, Barrichello não perdeu velocidade e somou uma série de resultados nos pontos, incluindo a sua primeira pole, na Bélgica, terminando no 6º lugar no campeonato.

1995– Jordan-Peugeot (Abandono)

Ainda com a Jordan, agora com motores Peugeot, a temporada de 1995 voltava a ter o Brasil como prova de abertura. Naquele que foi o primeiro Grande Prémio do Brasil depois da morte de Ayrton Senna, o público voltava-se agora para um novo herói: Rubens Barrichello. O brasileiro teve um fim de semana difícil, com um motor partido e problemas na caixa de velocidades, não indo além do 16º lugar na qualificação. Na corrida, as coisas não melhoraram, abandonando a corrida ao fim de 16 voltas com um problema na caixa de velocidades. Aqui iniciou-se uma sequência de nove corridas consecutivas em Interlagos sem chegar ao final.

Barrichello somou nesse ano o seu melhor resultado, com um excelente 2º lugar no Canadá, mas foi uma época frustrante, com pouca fiabilidade do carro, somando 11 pontos.

1996– Jordan-Peugeot (Abandono)

Na qualificação, Barrichello foi a grande sensação e conseguiu colocar o seu Jordan-Peugeot num incrível 2º lugar, batido apenas pelo Williams-Renault de Damon Hill. A corrida teve a presença da chuva e, na partida, Barrichello foi cauteloso e foi passado pelo Williams-Renault de Jacques Villeneuve e pelo Benetton-Renault de Jean Alesi. Rubens ganhou confiança e atacou bastante Alesi para o 3º lugar. Villeneuve fez um pião e abandonou, e Alesi fez o mesmo, mas voltou à corrida, promovendo Barrichello ao 2º lugar, até à sua paragem nas boxes, na volta 35, numa altura em que a pista ainda não estava ideal para pneus de piso seco, e isto obrigou Barrichello a voltar às boxes na volta 43 depois para colocar os “slick”, mas como fez a troca tarde, foi passado pelo Ferrari de Michael Schumacher. O brasileiro atacou o seu futuro colega de equipa, mas, na volta 60, cometeu um erro ao travar, não sendo ajudado pelo facto de ter os travões a sobreaquecer e fez um pião no final da Reta Oposta, ficando preso na gravilha, terminando de forma inglória uma corrida excelente.

Durante o ano, Barrichello lutou contra um carro que parecia perder rapidez ao longo da temporada, mas ainda assim somou sete classificações nos pontos, dando indicações positivas para equipas mais fortes estarem atentas ao brasileiro. O Grande Prémio do Brasil foi um exemplo disso, apesar de ter acabado prematuramente.

1997– Stewart-Ford (Abandono)

Após quatro anos com a Jordan, Barrichello mudou de ares e passou para a nova equipa liderada por JackieStewart, a StewartGrandPrix. No Brasil, qualificou-se no 11º lugar. A sua corrida foi problemática, o seu Stewart-Ford ficou parado na grelha de partida, e com os comissários incapazes de remover o carro, a corrida foi interrompida. Barrichello passou para o carro de reserva, mas abandonou a corrida na volta 16 com problemas na suspensão, depois de estar no 13º lugar, num ano em que foi vítima de má fiabilidade do carro, apenas o 2º lugar num Grande Prémio do Mónaco a ser o ponto alto de um ano difícil.

1998–Stewart-Ford (Abandono)

Barrichello qualificou o seu Stewart-Ford no 13º lugar, batendo o seu colega de equipa, Jan Magnussen. A corrida de Barrichello durou até à volta 56, quando foi traído pela caixa de velocidades, uma vez mais. A equipa Stewart ainda se debatia com alguns problemas de fiabilidade nos seus carros numa época em que pareceram melhor do que na época anterior, mas ainda havia muito trabalho a fazer.

1999– Stewart-Ford (Abandono)

No seu último ano com a Stewart, e num ano muito competitivo, com três pódios, Barrichello fez uma belíssima qualificação com o seu Stewart-Ford, ficando em 3º, batido apenas pelos McLaren Mercedes de MikaHäkkinen e David Coulthard. Na partida, Coulthard ficou parado e Barrichello subiu ao 2º lugar. Depois surgiu um grande momento, quando MikaHäkkinen teve um problema momentâneo ao selecionar mudanças na Reta Oposta, e Barrichello passou para a liderança da corrida para gáudio dos adeptos no início da volta 4. O brasileiro manteve-se consistente e rápido até à sua paragem nas boxes no final da volta 27, mas saiu atrás do Ferrari de Eddie Irvine e teve de o passar em pista, mas perdeu tempo e comprometeu a sua estratégia de duas paragens, perdendo para Michael Schumacher e Häkkinen, que pararam apenas uma vez. Rubens rodava na 3ª posição na volta 42 quando partiu o motor na Subida dos Boxes. Emocionado e desapontado, saiu do carro e voltou a pé para as boxes, recebendo uma ovação do público.

Este desapontamento não desmotivou Rubens, que logo na corrida seguinte somou um 3º lugar em Imola, fez uma pole brilhante à chuva em França e teve uma corrida interessante para terminar no 3º lugar e voltou a somar o 3º lugar num imprevisível Grande Prémio da Europa, em Nürburgring. Estes resultados permitiram ao brasileiro chegar à Ferrari no ano seguinte.

2000–Ferrari (Abandono)

Desta vez, Rubens era um candidato à vitória. O brasileiro mudara-se para a Ferrari, realizando um sonho de criança. Era, em teoria, o lugar ideal para finalmente ter sucesso na sua carreira e vencer não só no Brasil, mas também ser campeão. Neste ano, qualificou-se no 4º lugar. Na partida conseguiu manter a sua posição em pista, e os Ferrari estavam muito rápidos porque estavam numa estratégia de duas paragens. O seu colega, Michael Schumacher, passou para a liderança e Barrichello passou os McLaren Mercedes de David Coulthard e MikaHäkkinen para chegar ao 2º lugar. Na volta 22 fez a sua primeira paragem nas boxes, mas cinco voltas depois, começou a sair fumo da traseira do seu Ferrari e o brasileiro parou nas boxes para abandonar com um problema hidráulico, saindo cabisbaixo do seu monolugar.

A tristeza na face de Barrichello raramente se viu neste ano, onde somou vários pódios incluindo uma vitória formidável no Grande Prémio da Alemanha. Foi a sua melhor temporada desde que chegou à Fórmula 1, com um 4º lugar no campeonato, 62 pontos e ajudando Michael Schumacher na sua caminhada ao título.

2001 – Ferrari (Abandono)

Barrichello teve um fim de semana com alguns problemas mecânicos e com alguma imprecisão na afinação do carro, mas qualificou-se no 6º lugar, embora sentisse que podia ser melhor. Mas os problemas continuaram na corrida. Ao fazer a volta de instalação para a pré-grelha, o seu motor deu problemas e o brasileiro ficou parado em pista, passando para o carro de reserva. A sua partida foi má, caindo para o 8º lugar, mas passou rapidamente o BAR-Honda de Jacques Villeneuve até à entrada do Safety Car provocada pelo McLaren-Mercedes de MikaHäkkinen, que ficou parado na grelha. Logo após a saída da pista do Safety Car, Barrichellojá era 6º e seguia atrás do outroJordan-Honda de JarnoTrulli e do Williams-BMW de Ralf Schumacher. Ralf tentou passar Trulli por dentro na Reta Oposta, mas abortou a manobra, passou para o lado direito da pista, e apanhou de surpresa Barrichello, que não evitou uma colisão com o Williams, ficando sem a roda dianteira direita, ficando preso na gravilha, e deixou o Williams sem asa traseira, comprometendo a corrida do alemão.

Barrichello explicou o acidente: “O Ralf estava a tentar ultrapassar alguém por dentro, e depois mudou completamente a linha e travou, e eu não estava à espera que alguém viesse do outro lado da pista para a direita e travar.”

Barrichello somou 10 pódios nesta temporada e terminou em 3º no campeonato, embora não tivesse vencido corridas, mas ajudou mais uma vez o seu colega de equipa a conquistar o campeonato.

2002–Ferrari (Abandono)

A Ferrari estreou nesta corrida o lendário F2002, mas apenas para Michael Schumacher. Rubens tinha que correr ainda com o carro do ano anterior, o F2001 e, na qualificação, teve o seu tempo mais rápido anulado por ter saído das boxes com estas fechadas, uma infração cometida nos treinos livres. O brasileiro foi apenas 8º na qualificação, mesmo com a penalização imposta, que não lhe custou posições, e tinha muito trabalho para a corrida. Com o carro mais leve, numa estratégia mais agressiva, Barrichello subiu posições atrás de posições, passando os Renault, os McLaren-Mercedes, o Williams-BMW de Ralf Schumacher, e aproveitou o toque e consequente asa dianteira partida no outro Williams de Juan Pablo Montoya, após um toque com Michael Schumacher na primeira volta para subir ao 2º lugar em poucas voltas. Michael Schumacher deixou-o passar para a liderança da corrida para maximizar a sua estratégia no combustível. Até aqui, com um carro antigo, as coisas estavam a correr extremamente bem, mas a má sorte voltou para lhe dar o nono abandono em dez corridas em Interlagos. Na volta 17, perdeu pressão hidráulica e ficou parado na pista, voltando a pé para as boxes. O que poderia ele fazer para terminar uma corrida em casa?

Em declarações a um repórter quando voltava a pé para as boxes, tentou encontrar uma razão para mais uma falha mecânica: “Pressão hidráulica, perdi-a, perdi as mudanças, sem andamento… nada. Eu apenas estava a andar a fundo, era tudo o que podia fazer.”

Neste ano, Barrichello teve uma temporada com o ponto baixo na Áustria, onde obedeceu às ordens de equipa e deixou Schumacher vencer a corrida. No lado mais positivo, venceu por quatro vezes e terminou como vice-campeão. O título parecia estar mais perto a cada ano que passava.

2003 – Ferrari (Abandono)

Barrichello entrou em Interlagos com o F2002, o carro do ano passado, porque a Ferrari ainda não tinha estreado o novo F2003-GA. Apesar de ter um carro antigo, ainda era extremamente competitivo, e pela primeira vez na sua carreira, conseguiu fazer a pole no Brasil. Era o lugar perfeito para finalmente tirar a pedra no sapato que tinha neste circuito. “É fantástico, apesar de ainda não ter feito nada. Tive sempre momentos difíceis aqui. É bom colocar o carro na pole […]; estou numa posição muito boa para a corrida de amanhã.”A corrida teve chuva e começou com uma partida lançada. Barrichello demorou demasiado a arrancar e foi imediatamente passado pelo McLaren-Mercedes de David Coulthard. A Michelin tinha um pneu mais eficaz na chuva e foi depois ultrapassado pelo outro McLaren de Kimi Räikkönen e pelo Williams-BMW de Juan Pablo Montoya. Algumas voltas depois, foi passado por Michael Schumacher. Devido a um acidente, o Safety Car entrou em pista e os pilotos aproveitaram para parar nas boxes. Barrichello ganhou uma posição e subiu ao 5º lugar para o recomeço. Rubens passou o Toyota do compatriota Cristiano da Matta, e com um múltiplo acidente que, entre outros, envolveu Montoya e Michael Schumacher, apanhados pela aquaplanagem, Rubens subiu ao 3º lugar, que passou a 2º quando Kimi Räikkönen parou nas boxes após a entrada do Safety Car.Algumas voltas depois do recomeço, e depois de aguentar um ataque de Ralf Schumacher, Barrichello apanhou Coulthard, mas o Safety Car voltou à pista por causa de mais acidentes. Após a terceira intervenção do Safety Car na corrida, Rubens apanhou o líder, David Coulthard, colocou pressão e fez Coulthard cometer um erro na curva 1 e o brasileiro passou para a frente na volta 45. O público ficou em pé. Infelizmente para os locais, iriam sentar-se nos seus lugares quando um problema na pressão de combustível forçou o brasileiro a parar na pista na volta 47, e a voltar a abandonar uma corrida que parecia quase ganha. Foi uma montanha russa para o brasileiro, mas uma vez mais, ficou com um abandono para a coleção. Era o 10º abandono em 11 Grandes Prémios do Brasil.

“Estou muito desapontado. Tudo o que posso dizer é que dei o meu melhor. No início da corrida, quando a pista estava mais molhada, foi difícil, porque o carro tinha uma carga aerodinâmica relativamente baixa. Eu concentrei-me para manter-me calmo, à espera do momento certo para atacar. Quando estava na liderança, eu consegui uma diferença, mas depois fui forçado a parar com um problema na alimentação de combustível. Foi muito frustrante porque eu tinha a certeza de que conseguia vencer.

Naquele ano esteve na luta pelo campeonato, vencendo por duas vezes, com a sua vitória na Grã-Bretanha a ser espetacular, numa recuperação semelhante à que tinha feito em Hockenheim em 2000, mas acidentes na fase final da temporada impediram o sucesso do brasileiro.

2004 – Ferrari (3º lugar)

O Grande Prémio do Brasil passou a ser o último da temporada, e Rubens Barrichello voltou a fazer a pole em Interlagos. Mais uma oportunidade dourada para conquistar o “seu” Grande Prémio. A chuva apareceu antes da partida, e Barrichello foi passado por KimiRäikkönen na primeira volta, mas conseguiu recuperar rapidamente a liderança três voltas depois. A pista estava a secar rapidamente e os pilotos pararam para colocar pneus de piso seco. Barrichello ficou em pista demasiado tempo, parando uma volta depois dos seus adversários mais diretos, e caiu para o 8º lugar. A partir daqui, Barrichello passou ao ataque e fez uma boa corrida, e com um bom trabalho nas boxes da Ferrari, na sua última paragem nas boxes, conseguiu passar o Williams-BMW de Ralf Schumacher e o Renault de Fernando Alonso para subir ao 3º lugar, onde acabou a corrida. Finalmente, Barrichello não só conseguia terminar uma prova em Interlagos, como subiu ao pódio naquele que foi o seu melhor resultado em casa.

“As circunstâncias da corrida, em termos da chuva, não nos favoreceram e não podia fazer melhor. A nossa estratégia funcionou bem, mas o resultado final foi um pouco desapontante depois de eu ter sido dominador em termos de ritmo ao longo do fim de semana e estava confiante para a corrida. O tempo não jogou a nosso favor, mas estou feliz por estar no pódio, apesar da vitória ainda estar para chegar para mim aqui.”

Esta temporada foi marcada pelo domínio da Ferrari. Michael Schumacher esteve intratável, Barrichello fez o melhor que pôde e conseguiu 14 pódios e duas vitórias. A sua vitória em Monza, perante os fãs da Ferrari, foi muito especial.

2005 – Ferrari (6º lugar)

No seu último ano pela Ferrari, o seu carro não estava tão competitivo. Os pneus Bridgestone eram inferiores aos Michelin, comprometendo a equipa italiana num ano bastante difícil para o brasileiro, que teve algumas corridas em que estava completamente fora do seu ritmo normal, Barrichello foi apenas 10º na qualificação e não se mostrou muito na corrida, mas uma condução sólida classificou-o em 6º, e nos pontos. Pelo menos Barrichello conseguia terminar a corrida, o que, dado o seu historial em Interlagos, era um facto positivo.

2006 – Honda (7º lugar)

Barrichello mudara-se da Ferrari para a Honda. Foi uma época com resultados consistentes nos pontos, mas não era muito provável vencer. Barrichello qualificou-se muito bem, com um 5º lugar para a corrida. Na partida, o brasileiro atacou Fernando Alonso, que estava a lutar o título, mas não alterou a sua posição. Barrichello foi passado pelo Renault de Giancarlo Fisichella e por Michael Schumacher, também ele na luta pelo título. Barrichello quase tinha uma colisão nas boxes com Fisichella depois da primeira paragem e depois lutou pelos pontos, terminando no 7º lugar. O seu compatriota, Felipe Massa, venceu a corrida.

2007 – Honda (Abandono)

Os Honda estavam menos competitivos em 2007 e o desempenho caiu. Esta foi a sua pior temporada na Fórmula 1, não somando qualquer ponto. No Brasil, Barrichello esforçou-se e qualificou-se no 11º lugar, eliminado na Q2. Na partida fez uma falsa partida e foi penalizado com uma passagem pela via das boxes. Rubens foi-se mantendo fora dos dez primeiros até que o sobreaquecimento do motor, causado pelo calor intenso, forçou-o a abandonar na volta 41, abandonando pela primeira vez em Interlagos desde 2003.

2008 – Honda (15º lugar)

Esta foi a última corrida da Honda com a sua equipa de fábrica na Fórmula 1, e Barrichello não foi além do 15º lugar na qualificação. A sua corrida não foi particularmente feliz e terminou em 15º, com uma volta de atraso, naquela que foi a corrida em que Felipe Massa voltou a vencer em Interlagos mas perdeu o título na última volta para Lewis Hamilton. Foi um ano difícil para o brasileiro, o 3º lugar em Silverstone à chuva foi o seu ponto alto.

2009 –Brawn-Mercedes (8º lugar)

A Honda tinha passado a ser a Brawn GP e foi um ano inesquecível, com um inesperado título de pilotos e de construtores. Rubens conseguiu vencer por duas vezes, no Grande Prémio da Europa, onde aproveitou uma má paragem nas boxes de Lewis Hamilton e atacou antes de parar, e em Itália, onde fez funcionar uma estratégia de uma paragem e bateu os adversários que estavam na estratégia de duas paragens.

Barrichello tinha um carro competitivo e brilhou na chuva para conquistar a sua terceira e última pole em Interlagos com o seu Brawn-Mercedes, tirando vantagem de ter o carro mais leve na grelha, com menos combustível para a corrida. “Estou muito contente por ter qualificado na pole para o meu Grande Prémio de casa, particularmente depois de uma sessão de qualificação nada usual. […] Estou muito orgulhoso do que conseguimos hoje. […] É uma boa situação de começar na frente e ter o teu ritmo de corrida ao invés de estar no pelotão. Ainda assim, o trabalho está apenas a meio e estou a manter os pés no chão e estou a apenas a concentrar-me em ter uma boa corrida.”

Barrichello ainda estava na luta pelo título e tinha, a duas corridas para o fim, uma desvantagem de 14 pontos para o seu colega de equipa, Jenson Button.

Na partida, conseguiu manter a liderança e controlava os acontecimentos, sempre seguido pelo Red Bull-Renault de Mark Webber. Na volta 21, Barrichello parou nas boxes, mas como não conseguiu construir uma boa liderança, de acordo com a estratégia, caiu para o 9º lugar, ficando atrás do tráfego. No final das paragens nas boxes, o brasileiro era 3º.

A dez voltas do fim, foi passado pelo McLaren-Mercedes de Lewis Hamilton, mas houve um toque muito ligeiro, e o azar de Interlagos voltou, com um furo ligeiro que o obrigou a parar nas boxes e assim caiuao 8º lugar, onde acabou a corrida. Barrichello perdia também as hipóteses de chegar ao título, que ficou nas mãos de Jenson Button.“Enquanto que estou obviamente desapontado com o resultado hoje, tenho que estar deliciado com o nosso ano na Brawn GP. Tivemos um belo carro e uma bela equipa e foi mesmo um ano fantástico, tendo em conta a situação em que estávamos mesmo antes do início da temporada. Estou mesmo orgulhoso do Jenson como amigo e ele é um grande campeão.[…] A equipa esteve soberba este ano e eles merecem ter vencido ambos os Campeonatos de Construtores e Pilotos hoje.”

2010 – Williams-Cosworth (14º lugar)

Barrichello mudara-se para a Williams nesta temporada e somou alguns resultados positivos, embora o carro não fosse tão competitivo como era o Brawn-Mercedes no ano anterior, acabando por dez vezes nos lugares pontuáveis. Nesta corrida, o seu colega de equipa, Nico Hülkenberg, fez a pole em condições climatéricas variáveis. Barrichello fez uma boa qualificação e ficou em 6º, mas na corrida voltou a ser afetado pela má sorte quando, depois de uma paragem que foi demorada e que o fez cair de 7º para 17º, sofreu um furo depois de colidir com o Toro Rosso-Ferrari de Jaime Alguersuari na luta pelo 13º lugar, comprometendo as suas hipóteses de um bom resultado, tendo acabado em 14º, a uma volta. Ainda assim, foi o melhor brasileiro na corrida.

2011 – Williams-Cosworth (14º lugar)

Esta foi a última corrida de Rubens Barrichello na Fórmula 1. Foi o seu 327º Grande Prémio, um recorde, e o seu objetivo seria levar o seu Williams-Cosworth aos pontos, embora fosse uma tarefa muito difícil. Conseguiu uma boa qualificação, no 12º lugar. Na corrida, teve um péssimo arranque e caiu oito posições para o 20º lugar. A partir daqui foi uma corrida para limitar os danos e a sua última corrida foi concluída no 14º lugar, a uma volta do vencedor.

Após a corrida, Rubens falou sobe a corrida e deixava ainda uma hipótese de continuar na Fórmula 1 no ano seguinte: “Pensámos que iria chover hoje e por isso estávamos com uma primeira velocidade longa. Eu comecei no fundo da subida, e como foi uma partida a seco, eu escorreguei para trás. Foi uma corrida divertida, mas ainda não temos um carro que consiga terminar nos pontos. Quero agradecer à equipa por todo o trabalho duro esta temporada. Tivemos uma temporada difícil, mas tentámos puxar juntos. Houve muita conversa ao longo do fim de semana, mas acredito que vou estar de volta na próxima temporada.” No fim de contas, Barrichello foi substituído por Bruno Senna e rumou para uma temporada na IndyCar.

Jorge Covas

Fotos Arquivo AutoSport

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