GP de Abu Dhabi: Nico Rosberg é o novo campeão do mundo de Fórmula 1

Por a 27 Novembro 2016 14:41

 

Foi um ano de avanços e recuos. De recuperações incríveis, azares mecânicos e resultados desportivos que levaram os pilotos da Mercedes ao limite, do ponto de vista psicológico. Uma temporada em que Hamilton chegou a ter 43 pontos de desvantagem para o seu colega de equipa, depois de este vencer, de forma consecutiva, as quatro primeiras provas do calendário. E em que o piloto inglês deu azo a uma ‘remontada’ digna dos melhores contos de fadas, transformando, no início de agosto, um cenário preocupante num comando de 19 pontos.

A seguir foi a vez de Rosberg brilhar novamente, vencendo nos Grandes Prémios da Bélgica, Itália e Singapura de forma consecutiva. Duas corridas depois, a desistência de Hamilton na Malásia parecia ter entregado, em definitivo, o primeiro campeonato da carreira do alemão, que voltou a estabelecer a diferença em 33 pontos. Mas eis que um novo surto vitorioso do colega na Mercedes foi adiando esse sonho.

Chegámos à última corrida do ano, em Abu Dhabi, com tudo por decidir. Mas com Rosberg na dianteira, graças aos 12 pontos que separavam os escudeiros dos ‘Flechas Prateadas’. No momento decisivo, o alemão fez a corrida calma que lhe competia, e que no fundo marcou este fim de época. Qualificou-se em segundo, conseguiu manter a posição no arranque e não cometeu qualquer erro para emular o pai e tornar-se no segundo filho de um antigo campeão do mundo (Damon Hill foi o primeiro, repetindo o feito de Graham) a sagrar-se ‘rei’ da Fórmula 1.

CORRIDA INTERESSANTE, MAS COM POUCOS MOTIVOS DE INTERESSE

Se esperava um arranque estratosférico de Lewis Hamilton ou Nico Rosberg, desengane-se. Ambos fizeram partidas ‘normais’, mas o alemão teve a sorte de Daniel Ricciardo ter ‘patinado’ as rodas no momento em que engrenou a segunda velocidade do seu Red Bull, aguentando o ‘comboio’ liderado por Sebastian Vettel, que procurava desesperadamente ultrapassar o seu antigo colega de equipa em Milton Keynes.

Já Max Verstappen fez o favor de se despistar logo a seguir à travagem para a curva 1, não evitando um ligeiro toque em Sergio Perez. Um dos fatores – a prestação da Red Bull – que poderia ‘apimentar’ a decisão do título parecia estar descartado. Faltava saber o que iria fazer a Ferrari, com Raikkonen em terceiro. Mas o finlandês nunca conseguiu ‘atacar’ o Mercedes de Rosberg. Só quando os pilotos da frente efetuaram as suas primeiras paragens nas boxes é que a corrida ganhou alguma emoção, pois a Red Bull decidiu arriscar com Verstappen, pedindo ao holandês para se manter em pista. Tudo num momento em que apenas 5s separavam os seis primeiros – algo praticamente inédito ao longo de 2016.

No regresso ao traçado, Hamilton estava na frente, mas Rosberg ficou ‘entalado’ atrás de ‘Mad Max’, que, como é costume, não facilitou em nada a ultrapassagem. Até que na volta 20, o alemão, com tudo a perder (bastava-lhe ser terceiro para garantir o título), decidiu forçar esse momento, perante os aplausos do seu engenheiro. Com isso ganhou uma vantagem suficiente para parar novamente nas boxes à 30ª volta, retornando ao Circuito de Yas Marina com 3,7s de vantagem sobre Verstappen, que apenas tinha parado uma vez.

HAMILTON E VETTEL PROCURARAM SURPREENDER

Enquanto os dois Mercedes já tinham parado duas vezes a 25 voltas do fim, Vettel apenas tinha-o feito por uma ocasião, encontrando-se por isso na liderança. De forma inteligente, Hamilton, segundo à frente de Rosberg, procurou abrandar o ritmo da corrida – uma tentativa de fazer com que os pilotos que seguiam atrás do duo da Mercedes (Verstappen e Ricciardo) se aproximassem do líder do campeonato, colocando-lhe mais alguma pressão e retirando-lhe, eventualmente, preciosos pontos. Mas nada disso aconteceu, com a equipa anglo-germânica a pedir encarecidamente ao #44 para ‘abrir a pestana’.

O inglês voltou então a fazer o que melhor sabe, sempre com Rosberg no seu encalço, mas sem nunca perder o controlo. A diferença, que chegou a ser de 8,1s à volta 31, foi baixando paulatinamente até 4s, até Sebastian Vettel se dirigir finalmente às boxes à volta 38 para efetuar a sua segunda paragem e montar pneus ultramacios. Tudo na mesma – Hamilton regressava ao comando e Rosberg era segundo. Mas Vettel estava rapidíssimo.

A 12 voltas do fim, Palmer e Sainz tocaram-se no momento em que Verstappen e Ricciardo faziam as suas dobragens. O britânico falhou a travagem e acabou por embater no Toro Rosso do espanhol, ausente de qualquer culpa no cartório. Duas voltas depois, a Mercedes pede a Lewis Hamilton para aumentar o ritmo e fazer tempos “na casa do segundo 44”, avisando-o de que Vettel estava a apenas 7s. Mas essa recuperação era precisamente o que o ainda campeão em título queria, a ver se contava com uma ajudinha. As últimas cinco voltas foram de cortar a respiração. A Ferrari acertou na estratégia, mas faltava Vettel caçar Verstappen. Numa ultrapassagem emocionante, o #5 conseguiu o que procurava. Agora tinha Rosberg à sua frente, que era novamente abrandado por Lewis Hamilton, apesar dos pedidos de Paddy Lowe e da Mercedes para aumentar o ritmo e garantir a vitória. “Lewis, precisamos que andes mais depressa” “Agora não posso falar”, respondeu. A duas voltas do fim, “agora estou a perder o campeonato, deixem-me vencer a corrida”, voltou a dizer o inglês.

Apesar da pressão, tal não aconteceu, com Nico Rosberg a levar o carro até ao segundo posto e a festejar o primeiro título mundial da sua carreira, embora Lewis Hamilton tenha vencido 10 Grandes Prémios, contra nove do alemão.

 

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43 comentários

  1. [email protected]

    27 Novembro, 2016 at 14:47

    “E o campeão de formula um deste ano é: O Motor do Rosberg!” Parabéns! Uma grande salva de aplausos! … Dahhh…

    • Roger M

      27 Novembro, 2016 at 14:55

      Continuo a achar que estas últimas corridas do Rosberg foi mais a gerir. Pois se tal não fosse, acredito que teria dado mais luta ao Hamilton. O Hamilton que tome calma, e que agora com o colega Campeão lhe dê mais respeito.

      • pascasio

        28 Novembro, 2016 at 1:43

        Escreves a sério? O Hamilton ganha-lhe dês da adolescência, e agora deve respeitar? Quando ele conseguir fazer, pelo menos metade do que conseguiu o Hamilton!Mas isso ninguém acredita.

      • Fernando Cruz

        28 Novembro, 2016 at 11:51

        Nesta F1 a qualificação é meio caminho andado para a vitória. O Hamilton foi melhor nestas quatro últimas qualificações e isso é que foi decisivo para ganhar as corridas. Este ano a fiabilidade é que decidiu e só em 2014 é que o Rosberg conseguiu bater o Hamilton nas qualificações…

    • Iceman07

      27 Novembro, 2016 at 16:26

      A culpa é sempre do motor, dos pneus… Foi incompetente depois das férias de verão e perdeu o campeonato, ponto.

      • Frenando_Afondo™

        27 Novembro, 2016 at 22:21

        Aquele motor partido custou 10 pontos de vantagem (25 da vitória frente aos 15 do terceiro lugar que Rosberg conquistou nesse GP e nem falo que poderia ter acabado em 4º). Rosberg ficou 5 pontos à frente de Hamilton no final do campeonato, o que significa que Hamilton teria sido campeão, mesmo com os maus arranques e a tal incompetência de que falas. E que eu saiba um motor NOVO partir não é culpa do piloto, é incompetência de quem o construiu e montou e que eu saiba Hamilton não é mecânico nem é ele que os monta, assim que não sei como posso atribuir um motor partido como sendo culpa do inglês (quer dizer sei, é ódio ao rapaz que mesmo com tudo o que lhe aconteceu conseguiu ganhar mais provas que o companheiro e ficar somente a 5 pontos do título).

        • Pity

          27 Novembro, 2016 at 22:48

          As suas contas estão erradas. Se Hamilton vencesse aquela corrida, teria mais 25 pontos e Rosberg menos três, logo, a diferença seria de 28 pontos e não 10.

    • peudreot106rallye

      27 Novembro, 2016 at 21:28

      claro! o Rosberg como anda tem 10% probabilidades de partir o motor, o Hamilton tem probabilidade de 90%!andar mais e bruscamente tem o seu preço

      • pascasio

        28 Novembro, 2016 at 1:47

        Há há há… És o tal, o verdadeiro artista da comédia!

      • Iceman07

        28 Novembro, 2016 at 3:35

        Ora ai está, a verdadeira razão pela qual o Hamilton desacelerou nas ultimas voltas… para poupar o motor!

    • Renato Antunes

      28 Novembro, 2016 at 9:24

      Como quem Obtém mais pontos que os demais adversários é que ganha, por isso mesmo o caneco vai para quem obteve esses pontos…ninguém disse que a vida era fácil, é preciso saber lutar e estar no sitio certo na altura certa para o obter….
      Obs: Mas por um feliz acaso acertou no motor que foi campeão, esse é Mercedes!

  2. Roger M

    27 Novembro, 2016 at 14:53

    Corrida um pouco para o enfadonha…destacando-se o Hamilton a retardar o pelotão a ver se a jogada sortia efeito no Rosberg, levando a que fosse ultrapassado. A meu ver o Rosberg merecia este Campeonato, por ter sido um Piloto que teve um grande contributo no desenvolvimento desta equipa vitoriosa, e pelos anos de luta contra um piloto fora de série como o Hamilton.

    • peudreot106rallye

      27 Novembro, 2016 at 22:13

      por acaso, o Rosberg fez dos melhores campeonatos que eu me lembro em 45 anos a seguir formula 1 . o que admirei no Hamilton foi ter aguentado a pressão do Rosberg

  3. belc_hris

    27 Novembro, 2016 at 14:58

    O campeão é quem acumula mais pontos até à última corrida… e isso o Nico conseguiu, não importa de que forma, isso todos já esqueceram.

    • Frenando_Afondo™

      27 Novembro, 2016 at 22:23

      Exacto, já se esqueceram como Rosberg por duas vezes não se improtou de usar manobras menos desportivas para impedir o companheiro de ultrapassar. Sem falar no motor partido e a quantidade de vezes que hamilton teve de trocar de motor (Rosberg teve quantos problemas mesmo? Ah sim, um, no mónaco, com os travões).

  4. DaniPiquet

    27 Novembro, 2016 at 15:03

    Parabéns ao campeão Rosberg por ter resistido aos 3 adversários e ao Vettel que, para mim, fez a melhor corrida do ano! Aquela ultrapassagem ao Mimado Verstappen deixou-o a ver navios!

  5. Campos

    27 Novembro, 2016 at 15:23

    Parabéns ao Rosberg! Título mais que merecido, pois sempre que Hamilton teve problemas o Rosberg estava na melhor posição para aproveitar os deslizes/azares. Grande ultrapassagem de Rosberg ao Max sem precisar de arriscar mostrou que o titulo ficaria bem entregue com uma grande manobra.

  6. Aníbal José Russo

    27 Novembro, 2016 at 15:38

    Parabéns ao novel campeão na melhor corrida deste ano.
    Mais uma vez o Verstapen foi protegido pelos desuses menores e escapa a paralisações que são aplicadas aos demais.

  7. [email protected]

    27 Novembro, 2016 at 15:41

    Grande Campeão o Nico, esta corrida e tudo o que ele fez e passou mostra-o! Ganhou o campeonato ao passar o Max naquela manobra musculada que podia ter deitado tudo a perder!
    Parabéns, Campeão estás um Senhor Piloto!

  8. aguia25

    27 Novembro, 2016 at 15:49

    O campeão mais injusto da história da F1. Menos poles, menos vitórias, menos pódios, menos problemas de fiabilidade. A real diferença? Motor rebentado na Malásia!!!!😠

    • Pity

      27 Novembro, 2016 at 16:18

      É verdade que a Malásia fez toda a diferença, mas é exagerado dizer que o Nico foi o campeão mais injusto. Que dizer então dos tempos em que os pilotos tinham de deitar resultados fora, fazendo com que pilotos que fizeram menos pontos durante a época fossem campeões? Senna foi um deles. Hamilton também ganhou o seu primeiro título com menos vitórias do que Massa, Prost em 86 também.

      • JS1970

        27 Novembro, 2016 at 17:31

        Pity quando o Hamilton venceu o seu primeiro título o melhor carro do grid era o Ferrari!

        • Pity

          27 Novembro, 2016 at 17:52

          E daí? A questão não era essa, mas sim o número de vitórias. Seja como for, um piloto que ganha nove corridas, mesmo com o melhor carro, tem de ter mérito.

    • Iceman07

      27 Novembro, 2016 at 16:28

      O que não falta é campeões injustos. James Hunt, Keke Rosberg, Mario Andretti… mas o que importa? A taça está na casa deles, ou no museu, justo ou injustamente.

  9. Pity

    27 Novembro, 2016 at 15:54

    Não tivemos um final dramático, como em 2008, mas a incerteza manteve-se até ao fim, pregando-nos ao ecran. Para mim, piloto do dia foi o Vettel, grande corrida, com uma excelente estratégia, culminando com uma ultrapassagem “à la Verstappen”, ao dito cujo. Pena Buttom ter terminado a carreira com um abandono. Verstappen também a fazer uma boa corrida, depois de borrar a pintura no arranque.
    Mas vamos ao que interessa realmente. Parabéns aos homens da Mercedes, Rosberg porque conquistou o seu primeiro título de campeão, e Hamilton, porque fez tudo o que estava nas suas mãos para o impedir. Parabéns também, porque souberam comportar-se dignamente em pista. Hamilton sempre no comando, manobrando o elástico, Rosberg a sofrer um bocadinho, mas a fazer uma boa ultrapassagem a Verstappen (não tão vistosa como a de Vettel, mas eficaz). As últimas quatro ou cinco voltas a serem um pouco tensas, pois um erro podia acontecer e, com os quatro tão próximos, um toque poderia ter deitado tudo a perder. Felizmente tudo correu bem.
    Preferia ver Hamilton a ser novamente campeão, mas não fiquei triste, Rosberg mereceu. Esperemos que no próximo ano seja o braço (e o pé…) a ditar o campeão, não as quebras de motor. E, já agora, que seja uma luta, no mínimo, a quatro.

  10. Speedway

    27 Novembro, 2016 at 16:20

    Pronto o rapaz lá ganhou o mundial que a Mercedes lhe tinha prometido.
    O Hamilton fez tudo o que podia : ganhou, travou no final ,para tentar compactar quem viesse atrás e dar-lhe uma chance de alguém passar o Rosberg, mas pelos vistos só o Vestappen é que podia ter feito alguma coisa nesse sentido. Tanto o Vettell como o apagado Ricciardo pouca vontade tinham de ultrapassar ( ou tentar).
    O Nico merece ? Merece, até porque tem 23 vitórias e isso é qualquer coisa.
    O Lewis, sempre um gentleman, tem razões de queixa da equipa este ano ? Tem,porque em grande parte da época deram-lhe um carro com problemas de fiabilidade. E isso decidiu o campeonato.

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