GP Abu Dhabi, F1, Carlos Sainz: “no Twitter e nas redes sociais, há muita polarização”
Carlos Sainz não está envolvido diretamente na luta pelo título de pilotos, mas assistindo do lado de fora à disputa entre Lewis Hamilton e Max Verstappen, o piloto espanhol pensa que é o “cenário ideal” para a disciplina, tendo no entanto, um lado menos bom: o extremismo nas redes sociais, um tema muito abordado durante o ano.
“Penso que é o cenário ideal para a F1 como desporto, e é super excitante de assistir”, disse Carlos Sainz ao Autosport.com. “Quando voltei ao meu quarto no domingo à noite vi a repetição da corrida só para ver o que raio aconteceu lá à frente, e porque é que todos falavam do que tinha acontecido? E tive a oportunidade de assistir, e apercebemo-nos de como esta batalha está muito próxima, como cada corrida tem uma luta entre os dois concorrentes ao campeonato, e como é excitante e ideal para a F1. Infelizmente, no Twitter e nas redes sociais, há muita polarização, muito, eu não diria abuso, entre ambos os lados dos fãs, mas muito polarizado. E torna a luta um pouco menos excitante quando se vê os dois lados a lutar tanto um contra o outro. Penso que é melhor ser um pouco mais neutro, apreciar a luta, e deixar o melhor homem ganhar”.Sem querer apoiar publicamente Hamilton ou Verstappen, ao contrário do seu compatriota Fernando Alonso, Sainz pediu aos dois colegas de profissão que disputam o tão desejado campeonato a terem uma corrida limpa, sem incidentes: “Do meu lado, desejo apenas que possam manter a corrida limpa este ultimo fim de semana, ter um bom confronto final pela imagem do desporto, mais do que qualquer outra coisa, e pelo benefício da F1 provar que ainda somos um desporto, e não apenas um espetáculo, e mostrar desportivismo e um bom confronto na grande final”.
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Furelli GP
10 Dezembro, 2021 at 13:18
É verdade. São os novos tempos em que vivemos. Na F1 sempre houve pilotos ou equipas preferidos. É normal, todos gostamos mais deste do que daquele ou temos um maior afecto com uma determinada equipa por variadíssimas razões. Mas antes, e preferências à parte, queríamos era ver borracha queimada, sentir o cheiro da gasolina e ver os carros mais rápidos do pináculo do automobilismo a disputar batalhas em pista. E sempre houve um enorme fair play entre os apreciadores de F1 porque mesmo que não ganhasse quem preferisse, ver uma boa corrida deixava qualquer adepto desta disciplina satisfeito. Eu pelo menos sempre preferi ver uma boa corrida mesmo que o resultado não fosse o que mais gostasse do que uma corrida monótona onde o resultado fosse bom para as minhas preferências.
E isto, penso que sempre foi mais ou menos transversal a todo o automobilismo. Acontece que neste momento a F1 deve ser a única disciplina onde esta polarização está a acontecer. Deixou de haver preferência para haver clubismos desmedidos, deixou de haver fair play entre adeptos que ficavam felizes só de poder ter uma boa conversa com outros apreciadores de F1, mesmo que gostassem de pilotos/equipas diferentes para dar lugar a ódio entre quem não gosta do mesmo. A F1 nunca foi isso, mas aparentemente agora é. As causas? São muitas. A F1 “vendeu a alma ao Diabo” para reconquistar um lugar de destaque entre as massas e isso trouxe grandes mudanças.
Há corridas em que há mais acção no show pré e pós corrida do que na pista. A comunicação da F1 também é mais centrada nas redes sociais, que não é o ambiente mais saudável. A série DtS também trouxe novas pessoas e é uma das principais causas do crescimento entre as massas, mas trouxe muitas pessoas que nunca conheceram o ambiente dos apreciadores de F1. Pessoas que tomam um documentário que tem uma narrativa enviesada para melhorar o entretenimento como um reflexo da realidade e que passam a acompanhar a F1 porque gostaram da série e acham que a F1 é mesmo aquilo.
É claro que é inegável que a F1 cresceu como nunca (pelo menos na história moderna) durante o reinado Liberty. Mas há sempre o lado bom e o lado mau. Além disso, não podemos esquecer de um outro factor muito importante: estamos a ter um campeonato empolgante e é sem dúvida um catalisador para esta polarização. Cabe aos entusiastas saber respeitar o próximo e perceber que no final de contas são só corridas de carros.