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Fórmula 1: Quando o céu cai sobre as pistas


Grande Prémio Fórmula 1 da Malásia de 2009: UM DILÚVIO DE PROPORÇÕES BÍBLICAS

O Grande Prémio da Malásia de 2009 foi afetado por uma enorme ‘carga de água’, tudo por causa da teimosia de Bernie Ecclestone. Ficou na história como o terceiro GP mais curto da história do Mundial…

Ao atrasar para as cinco da tarde locais o arranque para o GP da Malásia de Fórmula 1, Bernie Ecclestone sabia que havia o forte risco duma forte chuvada parar a corrida. Mas decidiu ir avante assim mesmo, provavelmente convencido que depois de algumas voltas atrás do Safety Car as condições da pista melhorariam o suficiente para se poder voltar a rodar.
Uma chuvada que durou mais de meia hora acabou por tornar impraticável a pista de Sepang, forçando o Director de Corrida a dar a prova por terminada, contando apenas 31 das 56 voltas previstas.
A decisão de Bernie Ecclestone atrasar o início do GP. da Malásia de Fórmula 1 em 2009, para as 16h30m foi amplamente criticada pelos locais mas, como de costume, “Mr. E” fez ouvidos de mercador e levou a sua avante. Acontece que nesta altura do ano é quase uma certeza que cairá chuva intensa a partir das 17 horas locais em quase todo o Sudoeste Asiático e no domingo da corrida foi isso que aconteceu, até um pouco mais cedo do que é habitual.
Nessas circunstâncias a corrida foi uma espécie de “salve-se quem puder”, com a chuva a aumentar e a diminuir de intensidade por diversas vezes, deixando os pilotos e as equipas em grandes dificuldades. Pouco depois de ter sido percorrida metade da distância prevista, a prova foi mesmo parada, com Button a ganhar na frente de Heidfeld e Glock.
Isto porque o alemão da BMW beneficiou da interrupção da corrida, pois valeu a classificação da volta anterior à da amostragem da bandeira vermelha, quando ainda estava à frente do seu compatriota da Toyota.
Ecclestone recusou-se a admitir o erro, disse que a chuva poderia acontecer a qualquer altura, mas no ano seguinte antecipou o início da prova para as 16 horas, não fosse o diabo tecê-las…
O GP da Malásia foi o terceiro mais curto da história do Mundial, atrás do G. P. da Austrália de 1991 e o G. P. da Áustria de 1975.
Isto também significou que o segundo triunfo consecutivo de Jenson Button lhe deu apenas cinco pontos, pois sem se terem atingido três quartos da distância prevista só metade dos pontos foram atribuídos. Mal no arranque, o inglês recuperou a liderança depois do primeiro reabastecimento e se sofreu mais na chuva, acabou por merecer este triunfo.
Mas como se pode calcular, este Grande Prémio não foi caso único. Recorde alguns outros, também afetados pela chuva, mas com significados distintos na rica história da F1…

Fórmula 1
Quando o céu cai sobre as pistas

Corridas de Fórmula 1 afetadas pela chuva são habituais, a meteorologia é cada vez mais imprevisível, e a história da F1 tem muito bons exemplos. Enquanto que o GP da Malásia de 2000 foi afetado devido a pura teimosia de Bernie Ecclestone, muitas outras corridas houve que… simplesmente aconteceu. Não vamos recordar o GP do Japão de 2014 propositadamente. Esse queremos mesmo é esquecer…

GP da Bélgica de 1963
Com pista seca o antigo circuito de Spa já era perigoso. Imagine-se com muita chuva. Graham Hill fez a pole, mas nem ele nem ninguém, naquele dia, poderia fazer alguma coisa face a Jim Clark que apesar de arrancar em oitavo, já liderava no fim da primeira volta. Deu uma volta de avanço a todos, exceto a Bruce McLaren, e ainda hoje a diferença para o segundo, Bruce McLaren (Cooper Climax), 4m54s ainda é a maior diferença de sempre entre primeiro e segundo na F1. E Clark nem gostava muito de Spa!

GP do Japão de 1976
As épicas batalhas entre Niki Lauda e James Hunt durante a temporada de 1976 estão bem documentadas, até em filme (Rush). Com a chuva que caiu no início da corrida, Niki Lauda e outros pilotos consideraram o circuito demasiado inseguro, recusando-se correr e isso deixou James Hunt a precisar de pelo menos um terceiro lugar para conquistar o título. Com a pista muito molhada, Hunt esteve imparável, parecia que iria vencer facilmente, mas quando o circuito secou começou a perder tempo. Foi às boxes, regressou em quinto, mas ainda a tempo de realizar duas ultrapassagens e ganhar o título por um ponto.

GP do Mónaco de 1984
Será justo dizer que este GP deu a conhecer Ayrton Senna ao mundo, mas houve outra estrela a brilhar muito, Stefan Bellof. A polémica corrida foi ganha por Alain Prost depois do seu amigo Jacky Ickx, que era Diretor de Prova, ter interrompido a corrida, que estava a desenrolar-se debaixo de chuva torrencial. Toda a gente se lembra do Toleman que, magistralmente pilotado por Ayrton Senna, se aproximava a passos largos do francês, e que, sem a interrupção da corrida, poderia tê-la ganho, mas houve um Tyrrell azul-escuro que pilotado por um alemão, rodava ainda mais depressa e, não apenas se aproximava de Prost, como cada vez mais de Senna. Esse sim, teria provavelmente sido o vencedor desse GP. O seu nome? Stefan Bellof!

GP de Portugal 1985
Uma corrida história na F1, já que se tratou da primeira vitória em GP de Ayrton Senna. Sob uma chuva torrencial de abril, esta foi a primeira e única vez que a prova portuguesa se realizou naquele mês. Uma exibição estrondosa do brasileiro, um momento inesquecível para a história da F1, quase todos os pilotos em pista a escorregarem na água, como por exemplo Alain Prost em plena reta da meta. Mas com trajetórias incríveis e até ali nunca vistas, o jovem brasileiro levou o Lotus na ponta das unhas até ao final da prova, passando incólume a sustos que se revelaram ‘fatais’ para muitos outros pilotos numa corrida que marcou o início da magia de Ayrton Senna. Hoje em dia, esta corrida nunca se realizaria naquelas condições…

GP da Europa de 1993
Uma máginca primeira volta! Donington, 11 de Abril de 1993, pista muito molhada pela chuva que teimava em cair desde manhã cedo. Ayrton Senna largou do 4º lugar da grelha e, na partida, ainda sofreu um “chega pra lá” de Michael Schumacher. Quando se recompôs, passou Schumacher, no “S” a seguir, foi a vez de Karl Wendlinger, na curva seguinte, Old Hairpin, Senna era já 3º, duas curvas mais tarde passou Damon Hill, em Coppice, e o líder Alain Prost não resistiu muito mais tempo: na travagem para o gancho Melbourne, Senna travou muito mais tarde que o francês e, ainda antes da última curva da primeira volta estava já na frente. 75 voltas e 1h50m mais tarde, assinava a que foi a sua 38ª vitória – e uma das mais belas de todas. Um dos momentos mais sublimes da História da F1. Terá sido uma das poucas vezes que um piloto rodou numa pista molhada, como se ela estivesse… seca.

GP da Bélgica de 1998
O arranque deste Grande Prémio foi o mais caótico da história da modalidade, com 13 pilotos a ficarem logo ali. Os dois McLaren de Mika Hakinen e David Coulthard arrancaram bem, curvaram em La Source na frente, mas o escocês despistou-se na descida para Eau Rouge, despoletou uma enorme carambola, de onde não escapou praticamente ninguém, já que lá ficaram 13 monolugares. A corrida foi interrompida, mas após o reinício, houve novos acidentes, entre eles Schumacher e Hakkinen. No final, Damon Hill ofereceu à Jordan a sua primeira de quatro vitórias na F1, curiosamente… a sua última.

GP da Europa 2007
O início do GP da Europa de 2007 que se realizou no Nurburgring foi absolutamente louco. Uma chuvada repentina na primeira volta apanhou de surpresa todo o plantel, exceção feita a Markus Winkelhock, no seu Spyker. As primeiras voltas foram absolutamente repletas de incidentes, e de repente, Winkelhock viu-se com uma vantagem de 33 segundos, naquela que foi a primeira e única vez que correu na na F1! A corrida foi interrompida, e o Spyker perdeu a liderança depois do reinício…

GP do Canadá de 2011
É a corrida mais longa da história da F1. Começou atrás do ‘Safety Car’, mais tarde um incidente entre os dois McLaren de Button e Hamilton, levou a nova entrada do ‘Safety Car’. A corrida prosseguiu mas a chuva veio em força e esta foi interrompida durante duas horas. Nunca se tinha visto tanta água junta numa só pista de Fórmula 1.
Novo recomeço atrás do Safety Car, até que um incidente com Fernando Alonso atirou com Button para o último lugar. Depois veio uma incrível recuperação, e na última volta o prémio, pois o inalcansável, embora pressionado, Vettel, entrou em pião nuam das últimas curvas e Button aproveitou para obter uma fantástica vitória.