Fórmula 1: Jacky Ickx frustrado com o tratamento do “GP como um acidente de viação”

Por a 24 Novembro 2021 12:43

O antigo piloto de Fórmula 1 Jacky Ickx diz-se frustrado com a Fórmula 1, tendo em conta as regras que são seguidas pelo desporto. O belga, que venceu 8 corridas de F1 na sua carreira, é da opinião que o fio das corridas são quebrados com tantas penalizações e multas aos pilotos, quando estes assumiram o risco inerente à competição. 

“Pessoalmente, estou frustrado com a Fórmula 1, e em particular com as regras atuais do que deveria ser, para mim, filosoficamente falando, uma luta”, disse Ickx à edição francesa do Motorsport.com. “É uma batalha entre homens que assumem um risco livremente acordado. E homens que lutam uns contra os outros a 300 km/h e mais. O progresso dos acontecimentos é arbitrado por pessoas que certamente têm boas intenções mas que, na minha opinião, e talvez eu esteja errado mas, à parte de um deles em cada corrida, são pessoas que nunca pilotaram carros de corrida. Não estou certo de que possamos, em termos de evento, percurso da corrida, em nome de uma segurança acrescida, tratar o grande prémio como um acidente de viação. Quebramos o ímpeto essencial da corrida, a combatividade e a própria natureza deste desporto e destes pilotos, através de uma sucessão de penalidades e multas”. 

O antigo piloto utilizou os casos das multas aplicadas a Max Verstappen e Lewis Hamilton no GP do Brasil como argumento. “Acho espantoso que nos atrevemos a multar com 50.000 euros por colocar um dedo na asa do carro do seu oponente. Acho espantoso que se atreva a multar o Hamilton em 25.000 euros por desprender o cinto antes de voltar às boxes para levar a bandeira brasileira em honra de Senna. Isso não funciona, não há a alegria da vitória. Há apenas constrangimentos que, para mim, são inexplicáveis”.

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36 comentários

  1. Scirocco

    24 Novembro, 2021 at 13:12

    Fala quem sabe. O espectáculo a que muitos de nós assistimos no GP de França de F1 de 1979 (1 de julho – Circuito de Dijon-Prenois) entre Gilles Villeneuve y René Arnoux não seria provávelmente possivel hoje em dia sem assistirmos ao rôr de penalizações a que assistimos hoje em dia. Aqueles que admiraram (onde eu me incluo) Gilles Villeneuve, são provávelmente aqueles que hoje tanto criticam Max Verstappen.
    Percebo que haja controlo e limites, mas o que se assiste hoje penso que está para lá dos limites do aceitável e desejável.

    • Donadel

      24 Novembro, 2021 at 13:49

      Pois… Mas se fosse o Verstappen nesse caso, a luta acabava logo na primeira curva, pois ia mandar o adversário para fora da pista.

    • Lagafe

      24 Novembro, 2021 at 15:27

      Dei-me ao trabalho de voltar a ver essa batalha memorável. É épico e não devemos usar-lo como referência porque é único. Mesmo na história global da F1.
      Podes pensar na batalha entre o Rosberg e o Hamilton em 2014 no Bahrein para ver que é possível ter espetáculos interessantes. Agora é necessário que os carros permitam esse tipo de disputas roda com roda. Espero que para 2022 seja possível que os carros rodem mais perto um dos outros como permitia o efeito-solo em 79.
      Cumprimentos.

    • Mpabe Lyan

      24 Novembro, 2021 at 15:45

      Perfeitamente de acordo com o que descreve, contudo nos casos mais recentes, tem existido uma preocupação por parte de um dos intervenientes de não possibilitar essa luta roda com roda dentro dos limites da pista. O “agora a curva é minha” não está a funcionar.

  2. Osmane Damianse

    24 Novembro, 2021 at 13:17

    Concordo com tudo, mas então não tem limites? Verstapen pode andar de um lado para o outro na pista como um bêbado, pode simplesmente se fazer de bobo e esquecer que seu rival esta ao seu lado na curva!!! Em todas as disputas ele vai tirar proveito porque é o mais corajoso e louco e só o outro precisa levantar o pé para evitar acidentes. Bom, no meu entender o piloto precisa mostrar que entendeu as regras e as pratica!!!

  3. Honda Power

    24 Novembro, 2021 at 13:24

    Assino por baixo. A ultima geração de pilotos ( com responsáveis incluidos), apesar do talento extraordinário de alguns, transformou a F1 numa espécie de corrida de chorões, onde quem mais chora mais mama…

  4. Cágado1

    24 Novembro, 2021 at 15:02

    Não concordo totalmente, mas há o seu quê de verdade e tem graça na maneira como coloca as coisas. Lembrem-se que este foi o homem que fez a última partida das 24h de Le Mans, ao velho estilo, a passo, para protestar contra o perigo que tinha os pilotos partirem com os cintos desapertados.

    • Scirocco

      24 Novembro, 2021 at 18:05

      Estamos a comparar uma volta de consagração com a partida para umas 24h de LeMans? Têm graça como coloca as coisas…

      • Cágado1

        25 Novembro, 2021 at 11:47

        Não, claro que não estamos a comparar. Estou precisamente a dizer o contrário, que ele foi totalmente pró cinto de segurança e mesmo assim aceita que possa ser aliviado na volta de consagração.

    • jo baue

      25 Novembro, 2021 at 9:42

      É verdade. E passados 4 minutos morreu um piloto, cuspido do cockpit pois não tinha o cinto apertado.
      E em 1970, tivesse o piloto os cintos apertados provavelmente não teria havido um campeão de F1 a título póstumo. Foi o dia zero para o seu manager começar dedicar parte do seu tempo às questões da segurança e transformar por completo a F1 nessa área.

  5. Lagafe

    24 Novembro, 2021 at 15:10

    Adoro estes comentários de que noutros tempos é que era bom sem fazer o devido enquadramento.
    A grande diferença é que no tempo do Ickx havia um risco de morte gigantesco e por isso havia outro respeito entre pilotos. Com as melhorias na segurança esses riscos baixaram imenso e os pilotos passam a ter uma atitude muito mais agressiva.
    Basta pensar no acidente de Monza de 21 para entender a gravidade da roda do Verstappen a bater contra a cabeça do Hamilton. Nunca na vida o Ickx e o Stewart tentariam fazer essa habilidade nem estou a responsabilizar o Max. Simplesmente estou a alertar para o risco.
    As multas fazem parte de um ambiente super competitivo e profissional que busca evitar problemas.
    Agora como nunca guiei um F1, a minha opinião não tem qualquer relevância.

    • Carlos Soares

      24 Novembro, 2021 at 15:48

      Mais do que Monza, onde acho que o papel do halo foi sobrevalorizado, o rollbar (dissimulado na entrada de ar por cima da cabeça do piloto) e o capacete seriam suficientes para que não houvessem lesões graves no LH, em Silverstone pelo contrário, a pancada do Max contra a barreira, se fosse aqui há uns anos (veja-se o acidente do Senna) seria fatal, e o do Grosjean o ano passado, onde, ai sim, o halo foi salvador.

      • Lagafe

        24 Novembro, 2021 at 16:26

        Sem dúvida que o rollbar é fundamental mas o halo ajuda à festa porque impede que o carro aterre diretamente na cabeça do piloto. No caso do Grosjean 100% de acordo. Seguramente é a mim que me está a falhar qualquer coisa mas eu não vejo o acidente de Silverstone assim tão grave pelo impacto na barreira ser lateral.

      • ...

        24 Novembro, 2021 at 17:38

        O halo não teria salvado o Senna…

        • Lagafe

          24 Novembro, 2021 at 21:07

          Não sei. poderia ter alterado a trajetória do braço da suspensão que segundo me recordo foi o principal responsável pelo traumatismo cerebral.
          Mas é um bom exemplo de uma trajetória mais violenta, na minha opinião, que o acidente do Max. E náo invalida que este tenha sido duro.
          Por acaso tens alguma tabela das forças G de cada acidente? Seria interessante. Há também uma entrevista gira do Piquet a falar das diferenças entre o seu acidente em Imola e o do Senna.

          • ...

            24 Novembro, 2021 at 22:26

            Sobre causa da morte de Senna sabe-se que foi uma parte de uma peça do carro agora qual, é uma incógnita. Em tudo que li e vi nunca vi isso confirmado. Apenas um aeroscreen tipo os de indy poderia ter protegido Senna (e Massa). Não tenho uma tabela das forças G de cada acidente (deve existir dos últimos anos) por isso falei apenas daquele que sei…mas 51g é uma brutalidade!

  6. Mpabe Lyan

    24 Novembro, 2021 at 15:50

    Lá vai o tempo em que se dava boleia aos adversários e colegas.

  7. Rodrigo Ferreira

    24 Novembro, 2021 at 15:53

    Ele sabe do que fala…
    O Stefan Bellof que o diga🤨

    • Scirocco

      24 Novembro, 2021 at 18:19

      comentário de gosto duvidoso. O Bellof (de quem sou um grande admirador) tentou uma ultrapassagem num sitio impossivel (os S de Eau rouge). Infelizmente morreu aquele que poderia, num carro semelhante, ter dado luta ao Senna. Um duelo para a eternidade…

  8. JCF

    24 Novembro, 2021 at 16:51

    Ickx, piloto magistral e inesquecível. Genericamente estou de acordo e de há muitos anos. Os exemplos das multas que ele aponta, são mesmo estupidez, no caso da bandeira mostrada pelo Lewis é a negação da festa e da emoção da F1. Todavia, uma coisa é o acidente, outra é a ação intencional. Antigamente o poder dos pilotos era total. Não se justifica que uma classe, seja ela qual for, tenha poder total. O contabilista pode errar um cálculo mas não pode “errar” e o dinheiro ir parar na conta dele! O piloto pode errar mas não pode ser um perigo em pista. As pistas é que deviam ser difíceis, seletivas e ter componente de perigo sentido pelos pilotos. Como não são, assiste-se a comportamentos em pista que atualmente são banais e generalizados e que nos 1970s seriam impensáveis.

    • jo baue

      24 Novembro, 2021 at 17:48

      De acordo. Mas em compensação também houve nos 1970s situações e comportamentos como o do Beltoise em Buenos Aires / 71 que jamais seriam tolerados no presente, felizmente. Ou seja, tem que haver um ponto de equilíbrio.

  9. jo baue

    24 Novembro, 2021 at 16:52

    De acordo com essa preocupação que espelha este tempo, a começar por muitos adeptos e adeptas que fazem análises como se fossem polícias de trânsito perante infracções estradais e que provavelmente nunca puseram os pés alguma vez na vida num kartódromo ou autódromo.
    Dito isto, o Ickx é um monstro sagrado do automobilismo, infelizmente ligado a vários incidentes fatais, mas pertence a um tempo em que era tudo à balda, basta lembrar que ele próprio foi piloto e director de corrida em simultâneo, embora, reconheça-se, tenha feita alguma coisa, pouca, pela segurança.

  10. [email protected]

    24 Novembro, 2021 at 17:16

    Totalmente de acordo! O problema são os precedentes criados nos últimos anos fruto da vaidade dos comissários e que inquinam qualquer razoabilidade das leis que tentam regular o comportamento em pista. No Quatar e sobretudo no Brasil, falou-se mais das penalizações do que da prova em si. Mas sim, têm que existir linhas vermelhas como por ex. mudar mais de 2 vezes de direção em reta para evitar ultrapassagens. Quanto aos limites de pista, trata-se de uma baboseira sem qualquer sentido, se não querem que utilizem os limites da pista coloquem gravilha.

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