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Fórmula 1: As frustrações da Ferrari | AutoSport

Fórmula 1: As frustrações da Ferrari

Por a 8 Agosto 2022 10:50

A Ferrari e as questões que a têm infligido tem sido um dos temas da temporada, com a equipa italiana a perder oportunidades devido a erros e questões de fiabilidade, o que a deixou, na prática, fora da luta pelos títulos apesar de ter um carro competitivo, senão o mais competitivo. Mas serão os problemas que fizeram descarrilar a ‘Scuderia’ questões endémicas?

A temporada começou de uma excelente forma para a formação de Maranello, com duas vitórias em três corridas, a abrir com uma dobradinha, mas desde então voltou apenas a triunfar um par de vezes, em nove provas, e esta quebra de forma não se deve a falta de competitividade do F1-75, que no mesmo período, pelas mãos de Charles Leclerc e Carlos Sainz, assegurou seis pole-positions, que só por uma vez foi concretizada numa subida ao degrau mais alto do pódio.
Os problemas da Ferrari devem-se a três vetores que, como tudo na Fórmula 1, são de capital importância para que uma equipa, sobretudo para uma que lute por vitórias e títulos, seja bem-sucedida – fiabilidade, erros de pilotos e estratégia.
Estas três vertentes custaram vitórias à ‘Scuderia’ em Espanha, Mónaco, França e Hungria e talvez no Azerbaijão, isto sem contar com posições do pódio que se perderam por um motivo ou por outro. Com desilusões desta ordem, é difícil poder estar na luta pelos títulos, apesar da equipa ter um carro que é um foguete.
A primeira questão a surgir foi os pilotos, com Carlos Sainz a cometer erros em Melbourne, Miami e Imola, ao passo que Charles Leclerc teve as suas faltas pessoais também no Autódromo Dino e Enzo Ferrari e Paul Ricard.
No caso do espanhol, este viu-se numa situação em que não conseguia acompanhar o seu colega ao volante de um carro que não era fácil de pilotar para si. Sainz pela primeira vez na sua carreira – e recorde-se que teve Max Verstappen ao seu lado – viu-se numa situação de inferioridade no seio da sua equipa, e acabou por, na tentativa de conseguir acompanhar o monegasco, ir cometendo um conjunto de erros que lhe foi custoso e teve impacto na sua adaptação ao F1-75.
As falhas de Leclerc tiveram outra origem – a tentativa de maximizar um resultado que lhe permitisse aumentar as suas aspirações ao título. Em Imola tentava desesperadamente garantir o segundo posto frente a Sérgio Pérez, de modo a minimizar as perdas para Max Verstappen, o seu rival na luta pelo ceptro deste ano. Em Paul Ricard, uma vez mais, Leclerc tinha de fazer funcionar uma estratégia que, como seria de esperar na luta com Verstappen, estava no limite, muito embora parecesse haver um ligeiro ascendente do monegasco. Isto com o pano de fundo de ser obrigado a vencer, dado as desilusões que sofrera anteriormente. Um pequeno erro numa das curvas mais rápidas de Paul Ricard e uma das mais exigentes do mundial, acabou por o atirar para fora de pista e para as barreiras.
Esta talvez seja a questão mais fácil que a Ferrari tem para resolver.
Até aqui os seus dois pilotos não tinham tido um carro verdadeiramente competitivo – mesmo em 2019 Leclerc tinha um monolugar que apenas em alguns circuitos tinha como poder lutar por títulos – e claro que na panela de pressão que é a Fórmula 1, tanto o monegasco como o seu colega de equipa estão a passar pela primeira vez por esta situação. Qualquer um deles é inteligente e capaz de aprender com os seus erros, esperando-se que tanto Leclerc como Sainz erradiquem estas questões que marcaram as respectivas temporadas.
Até a questão da fiabilidade pode ser vista de acordo com um plano que a Ferrari tem a médio prazo.
O monegasco viu a unidade de potência do seu monolugar ceder quando comandava em Espanha em Baku, e o espanhol sofreu o mesmo fim quando tinha um segundo lugar quase garantido em Spielberg. É evidente que a unidade de potência da Ferrari tem um problema de fiabilidade – as mesmas questões verificam-se com a Alfa Romeo e a Haas – mas era de esperar que isto pudesse acontecer.
Depois da quebra de performance em 2020, em 2021 foram dados passos firmes e consistentes, mas a ‘Scuderia’ tinha como objectivo alcançar a competitividade nesta área este ano. Com o congelamento do desenvolvimento dos propulsores até 2026, os técnicos de Maranello não podiam continuar por um caminho seguro e arriscarem ficar quatro temporadas com um V6 turbohíbrido que não lhe permitia aspirar aos triunfos. Assim, foram arrojados e terão produzido aquela que será a unidade de potência mais competitiva da atualidade. Mas claro que, quando se dá um passo tão grande como o dado pela Ferrari, algumas questões de fiabilidade são de esperar – e foi o que se verificou este ano.
Estas questões não eram inesperadas, mas realizar modificações nas unidades de potência não são obra do momento, principalmente no panorama atual, em que existe falta de matéria-prima e dificuldades nas entregas devido a questões de logística provocadas pela COVID-19 e a Guerra da Ucrânia.
Segundo o que já afirmou Mattia Binotto, neste momento a questão técnica que tem criado os problemas de fiabilidade nos motores de Maranello está a ser gerida corrida a corrida, sublinhando que uma resolução definitiva será implementada no carro do próximo ano.
Faltam os problemas de gestão estratégica que apresentou questões visíveis em Monte Carlo, em Silverstone e em Hungaroring. O que estas três provas têm em comum foi a necessidade de existir uma adaptação às circunstâncias de corrida.
No Mónaco foi uma pista molhada com tendência a secar, em Silverstone um Safety-Car que alterou a dinâmica da prova e em Hungaroring foram as condições do asfalto anormais – mais frio e lavado por uma chuvada – a apanhar os estrategas da Ferrari.
São, portanto, questões dinâmicas a criar os problemas estratégicos a Leclerc e a Sainz, dando ideia que são as ferramentas de simulação que não estão a dar as informações corretas aos homens que decidem no calor do momento.
Isto poderá não ser um problema que se resolva subitamente, nem com o rolar de cabeças, no entanto, poderá ser conveniente para a Ferrari contratar fora da equipa de modo a evoluir nos processos e nas ferramentas de simulação.
Talvez seja esta a área onde Mattia Binotto tenha que se dedicar mais, caso pretenda estar em liça pelos títulos do próximo ano, uma vez que os deste… já escaparam por entre os dedos da Ferrari pela décima quarta temporada consecutiva.

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