Fórmula 1: 10 lições do GP dos EUA
Por Pedro André Mendes e Fábio Mendes
440.000 pessoas passaram pelo Circuito das Américas durante todo o fim de semana do Grande Prémio dos EUA, segundo a organização. Um novo recorde para o traçado texano e mais um sinal claro que os norte-americanos abraçaram a Fórmula 1 de vez. Mais discreto do que em Miami fora de pista, o espetáculo no Texas foi muito maior do que na cidade do estado da Flórida.
Estas foram as 10 lições que aprendemos do GP dos EUA.
Red Bull justa campeã
A Red Bull carimbou o seu quinto título numa época em que foi claramente superior à concorrência. Melhor carro, melhor estrutura, melhor liderança (goste-se ou não) e uma dupla de pilotos que dá garantias de sucesso. A Red Bull enfrentou uma caminhada por vezes penosa para regressar ao topo, mas fê-lo com estilo, numa época em que começou com dois desaires em três corridas e em que se pensou que seria a Ferrari a fazer um passeio. A Red Bull conseguiu responder ao desafio e chegou ao topo. Enfrenta a polémica do Limite Orçamental, mas tem uma liderança coesa e unida que irá certamente resolver a questão. A Red Bull regressou à forma que mostrou de 2010 a 2013. Resta saber se conseguirá repetir o domínio ou se a nova filosofia da F1 irá impedir mais uma hegemonia da equipa austríaca.
Mercedes mais próxima
Em Austin tivemos sinais animadores por parte da Mercedes. Lewis Hamilton lutou pela vitória e a Mercedes aproximou-se da Red Bull. Em qualificação, ficou a 0.5 segundos da referência, o que é ainda demasiado, mas em corrida teve argumentos para pelo menos manter a Red Bull sob alguma pressão, algo impensável a meio da época. A Mercedes aproximou-se, mas ainda tem muito trabalho pela frente. A facilidade com que Verstappen anulou a desvantagem para Hamilton é sintomática. A Mercedes é a terceira força, mas aproximou-se perigosamente da Ferrari, sendo este o duelo mais quente do final de época.
Ferrari a pensar em 2023
A Ferrari não fez uma má corrida, mas fica no ar a ideia que 2022 já não conta muito para a Scuderia. Ensaiam-se soluções para o futuro e não se procura performance para bater uma Red Bull aparentemente imbatível. Esta visão pragmática fará com que Mattia Binotto fique em Maranello nas últimas corridas do ano, focado em 2023. A Ferrari está muito mais próxima do desejado título. Mas ainda há muitas arestas a limar.
Lando Norris voltou a valer à McLaren
Lando Norris começa a ver que o seu talento é demasiado grande para a McLaren e já lançou o aviso. Ou a equipa cresce de forma indubitável, ou começará a olhar para outros destinos. Uma estratégia arrojada e arriscada, mas legítima por parte do jovem britânico que em Austin provou novamente o seu valor. Numa McLaren algo perdida nesta fase, beneficiou dos erros da Alpine e dos azares de Alonso. Norris andou pelo meio do pelotão, mas no segundo stint foi subindo paulatinamente até chegar ao sexto posto, excelente resultado para a equipa. Norris precisa de se juntar às lutas da frente para crescer mais e se tornar ainda mais completo. A McLaren vai fazer tudo para o agarrar com unhas e dentes.
Vettel fez a melhor corrida do ano
O que Vettel nos serviu em Austin foi um pequeno doce. Uma recordação do que o alemão é capaz de fazer, já sem os erros que a busca do limite por vezes provoca. Vettel foi o grande animador de serviço e se no ano passado já tinha sido o piloto com mais ultrapassagens, este ano deve ser candidato a esse prémio. Manobras belíssimas, um ritmo excelente, numa Aston Martin em claro ascendente. Vettel vai deixar o desporto no final da época e merece uma despedida em grande, por tudo o que nos foi dando. Austin foi um pequeno lembrete do que um quatro vezes campeão do mundo pode fazer.
Alonso é um fenómeno
Sem dúvida que Fernando Alonso é um dos melhores pilotos que já passou pela Fórmula 1, apesar dos números não comprovarem o quão bom o espanhol é. Alonso é um leão em pista mesmo que o monolugar possa não estar à altura do piloto e em Austin recordou-nos disso mesmo, para o caso de ser necessário.
Com o A522 sem o novo fundo, só montado no carro de Esteban Ocon, e danificado pelo acidente sofrido – que nos recordou outros acidentes violentos sofridos por Alonso, como o da Austrália na altura na McLaren – conseguiu recuperar do fundo da classificação para terminar nos pontos, bem acima da posição ocupada pelo companheiro de equipa.
O resto, a penalização pós corrida, foi mais uma enorme confusão no seio da FIA.
Pior fase da época para Russell
Começou bem a caminhada na nova equipa, mostrando ter argumentos para colocar o multi campeão Lewis Hamilton em sentido. Mas a época avançou e George Russell parece não se estar a dar tão bem com o caminho traçado pelo desenvolvimento do carro. Este fim de semana chamou “diva” ao W13, mas não foi um bom espetáculo que deu em pista. Está muito longe daquilo que vimos no início da época.
Bom fim de semana de Albon
Os fins de semana de Alex Albon dependem muito do seu carro e da capacidade competitiva em diferentes pistas. Esteve mais discreto tanto em qualificação como em corrida – um pouco como aconteceu com Zhou Guanyu – mas esteve perto de terminar nos pontos. Discutiu e teve de atacar e defender os últimos lugares, mas uma melhor estratégia, ou diferente, de alguns adversários fizeram-no baixar na classificação. Ainda assim, prestigia o nome de uma equipa com muita história na competição.
FIA continua a comprometer
Começa a ser normal, infelizmente, falar-se dos ‘árbitros’ na Fórmula 1. As decisões continuam a não ter um fio condutor e parecem algo anárquicas e consoante o estado de espírito de quem ajuíza. Em Austin, a lição que se retira da penalização a Fernando Alonso, por exemplo, é que o colégio de comissários desportivos tinha um entendimento diferente da direção de prova, que não obrigou o piloto a parar, e também não considerou que a situação de Sergio Pérez fosse igual à do espanhol, quando ambos perderam peças em pista. Os pilotos serão sempre pilotos, tendem a carregar no acelerador para tirar aquela milésima de segundo, mas no final dão espetáculo, que neste caso fica manchado por decisões difíceis de entender, seja por parte do CCD ou da direção de prova.
Clima de suspeição é muito negativo para o desporto
Negociações para acordos sobre infrações, sanções que não são aplicadas de igual forma, tudo isto ajuda a criar uma aura de suspeição de favorecimento para algumas partes. Isto claramente não é o que queremos para o desporto automóvel, muito menos na sua classe rainha, a F1. Existe uma tentativa dos regulamentos serem mais claros e de existir uma maior franqueza nos processos, mas ainda estamos longe disso na sua plenitude.
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kkk
24 Outubro, 2022 at 22:24
O que gostei mesmo foi de ouvir o zé do brinco por causa dos limites de pista, a azia de não ganhar é tão grande que até se faz esta figurinha, enfim
Lagafe
25 Outubro, 2022 at 5:44
Educação precisa-se…
Lagafe
25 Outubro, 2022 at 5:45
Não entendo como o Alonso aguentou aquele carro até ao final. Brilhante.