Fórmula 1: 10 lições do GP de Abu Dhabi
Por Fábio Mendes e Pedro André Mendes
Com a época 2022 terminada, eis as dez lições que aprendemos do GP de Abu Dhabi:
Max Verstappen e Red Bull podem marcar uma era na F1
Se há algo que aprendemos nesta época é que a Red Bull está de volta ao topo e com Max Verstappen pode ir muito longe. O piloto neerlandês apresentou-se numa forma tremenda, mas também a Red Bull fez um excelente trabalho, quer do lado técnico, quer do lado desportivo. Pode ser, de facto, o começo de uma nova era na F1 em que a Red Bull lidera o pelotão. Veremos se os novos regulamentos, pensados para evitar domínios exacerbados, realmente funcionam, mas a Red Bull parece estar um passo à frente das restantes e Max Verstappen é o homem certo para tirar partido da mais-valia dos carros desenhados por Adrian Newey,
Ferrari ainda tem muito trabalho pela frente
A Ferrari ficou mais próxima do título? Sim. Ainda tem muito trabalho pela frente para ser candidata? Sem dúvida. A equipa desabituou-se de lutar por títulos e denota algumas fragilidades, especialmente na vertente desportiva. Tecnicamente, a equipa criou um excelente carro, mas talvez algo difícil de desenvolver. Desportivamente, vimos a Scuderia a desperdiçar muitas oportunidades. Há muito trabalho pela frente para a equipa italiana, mas os sinais são positivos. No entanto, há erros que se repetem que não podem acontecer numa equipa candidata.
Mercedes tem de abandonar o conceito do W13
O 13 foi mesmo o número do azar para a Mercedes. O W13 pretendia ser revolucionário, mas acabou por dar dores de cabeça à equipa. Um exemplo claro que nem sempre a teoria resulta na prática, o que foi uma lição muito dura para a Mercedes que sempre preferiu seguir às riscas as suas simulações. O W13 não esteve perto do potencial previsto e a Mercedes terá de usar as lições aprendidas para não voltar a cometer os mesmos erros. Depois de uma corrida excelente no Brasil, os Mercedes voltaram à terceira posição no pelotão e, apesar de mais próximos da Ferrari, não foram capazes de se aproximar do pódio o suficiente. O carro de Hamilton teve problemas hidráulicos, o primeiro problema terminal para a Mercedes que, ainda assim, mostrou uma fiabilidade notável. A Mercedes sabe como fazer um carro fiável. Só falta ser um pouco mais rápido.
McLaren começa a ser pequena para Lando Norris
E se Lando Norris estivesse na Red Bull? Ou na Ferrari? Ou na Mercedes? Seria ele capaz de lutar pelo título? A verdade é que Lando Norris mostra que está preparado para outro tipo de lutas que não as do meio da tabela. Em qualificação costuma ser dos melhores e em corrida é raro cometer erros e apresenta sempre um ritmo notável. A postura afável e jovial talvez engane e nos faça pensar que ainda não tem o “killer instinct” que os candidatos ao título precisam de ter, mas Norris vai fazendo muito, por vezes com pouco. A McLaren tem de apressar a sua evolução, ou a sua estrela poderá querer experimentar novas paragens.
Aston Martin falhou na última corrida de Sebastian Vettel
Sebastian Vettel merecia mais na sua última corrida. Merecia uma estratégia melhor, pois o alemão fez questão de guardar a sua melhor prestação do ano para o final. Apetece dizer que um piloto que faz este tipo de corrida não pode sequer pensar em abandonar. Vettel esteve em grande, mas a Aston Martin não o ajudou, com uma estratégia que não beneficiou a estrela germânica.
A522 não gosta de Fernando Alonso
Terminou a época que trouxe o fim dos problemas de Fernando Alonso com o monolugar francês que tanto criticou. Mas, na verdade, foram muitas desistências e resultados não conseguidos devido a problemas com o Alpine A522. Apesar de ser um carro rápido e a equipa ter apostado numa enorme evolução durante a temporada, o carro número 14, como se referiu muitas vezes o espanhol, teimou em deixar ficar Alonso várias vezes apeado.
Alonso espera não encontrar o mesmo na Aston Martin.
Alfa Romeo não evoluiu
O sexto lugar da Alfa Romeo no campeonato acabou por ser decidido pelo desempenho do monolugar durante as primeiras nove corridas da época. O Alfa Romeo C42 “nasceu” mais leve do que todos os outros carros de 2022, apesar de ter demonstrado desde cedo alguma queda por ficar parado em pista. Mas foi rápido numa altura em que a concorrência direta evoluía os seus monolugares. Depois disso, vimos apenas alguns rasgos de bom desempenho, mas pontos nem por isso.
A equipa suíça terminou em igualdade pontual com a Aston Martin, que evoluiu muito o seu carro durante a época, ao contrário da Alfa Romeo. Diferenças de orçamento ainda? Talvez.
Haas tinha já feito as malas a Schumacher
A última corrida de Mick Schumacher pela Haas parecia não ter grande importância para a equipa norte-americana. O alemão estava apenas a aquecer o banco para Nico Hülkenberg, confirmado pouco antes da última prova do ano. Schumacher também não facilitou e cometeu um erro claro, na tentativa de ultrapassar Nicholas Latifi e que resultou no toque entre ambos. Talvez as duas partes estivessem já concentradas noutros objetivos e a corrida serviu apenas para cumprir calendário.
Corrida morna, aqueceu devido à estratégia
Ainda restava definir algumas coisas nas classificações, mas a última corrida do ano acabou por não ser um grande final de época. Os melhores momentos ficaram a cargo de Sebastian Vettel, na fase inicial da corrida, e depois o foco passou a ser a decisão do vice-campeonato. Mesmo a discussão final entre Vettel e Daniel Ricciardo, que além de ser a última luta do alemão na Fórmula 1 (e talvez do australiano), poderia resultar no sexto lugar no campeonato de construtores para a Aston Martin, não teve a atenção que merecia. Outro exemplo disso, que já tinha acontecido durante a época, foi a ultrapassagem de Zhou Guanyu a Alexander Albon, que apenas ficou disponível após a corrida.
A estratégia tomou conta da corrida e por um lado ainda bem, porque ou era isso, ou uma corrida sem muito para contar.
Emoção na despedida de Vettel, comprova valor do piloto
Foi todo um fim de semana emotivo para qualquer fã da Fórmula 1. Não é todos os dias que um tetracampeão se despede da competição e mais ainda, um com um carácter vincado e que marcou uma geração. O valor de Vettel não foi apenas em pista que ficou demonstrado, tanto que nas últimas época mostrou uma faceta pouco conhecida e que ainda aumentou mais a sua base de fãs.
O célebre jantar que juntou todos os pilotos da grelha à mesa prova o afeto que há em torno de Vettel dentro do paddock.
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Antonio Santos
22 Novembro, 2022 at 21:25
Finalmente o jornalista escreveu o nome do verdadeiro gênio nos bastidores “ dos carros desenhados por Adrian Newey“
Os comentadores de bancada deviam passar os olhos por um livrinho que eu recomendo “How to build a car” de Adrian Newey.
...
23 Novembro, 2022 at 11:40
Acho que todos aqui sabem quem é A. Newey e o génio que é, pelo menos já oiço falar dele desde 1990…Se calhar as equipas técnicas da MB da SF (e já agora de todas as outras equipas) também deviam passar os olhos pelo livro do Newey…cumprimentos da bancada onde me encontro.