Fórmula 1: 10 lições da Arábia Saudita
Por Pedro André Mendes e Fábio Mendes
# Verstappen vs Leclerc
O duelo entre as duas estrelas está para durar, mas a dinâmica é muito diferente do ano passado entre Max Verstappen e Lewis Hamilton. Ainda é cedo, apenas tivemos duas corridas mas nota-se uma dinâmica claramente diferente. No ano passado Verstappen atacou desde cedo e foi agressivo com Lewis Hamilton sempre que lutaram entre si. Este ano com Charles Leclerc a postura de Verstappen é diferente, menos impetuosa, mais calculista. O fogo que caracteriza Verstappen ainda existe e a forma como reagiu às primeiras tentativas de defesa de Leclerc mostram isso. Mas conseguiu recompor-se e jogar de forma tão inteligente quanto o seu opositor. Este duelo promete muito e há muita história entre estes dois talentos, mas para já, o respeito e as espetaculares manobras têm prevalecido.
# Pérez continua com azar
No fim de semana que podia ser todo pintado de Verde, Branco e Vermelho, Sergio Pérez teve azar na corrida. A entrada do Safety Car na pior altura para si, estragou uma corrida que tinha tudo para ser de Checo. Fica a grande volta de qualificação (ele que nunca foi muito forte nas qualificações). Merecia um pouco mais de sorte mas provou a si mesmo que consegue bater Verstappen.
# Sainz a melhorar… mas pouco
Carlos Sainz disse que melhorou este fim de semana e que o facto de ter estado numa pista onde tinham corrido há pouco tempo com os carros da geração anterior o fez perceber melhor onde estava a perder e onde precisa melhorar. Vimos alguma melhoria por parte do espanhol mas ainda não o suficiente para estar ao nível de Leclerc. Mas Sainz é um piloto muito trabalhador e como tal não será surpreendente se for melhorando a cada corrida.
# McLaren progrediu
Foram os primeiros sinais positivos da McLaren desde o teste do Bahrein. Vimos um pouco mais de ritmo e, não fosse o azar de Daniel Ricciardo, ambos os carros poderiam ter acabado nos pontos. Não podemos esquecer que apenas 13 carro terminaram a corrida, mas não estamos muito enganados se dissermos que a McLaren encontrou algo mais em Jidá e dá alguns sinais de recuperação.
# Unidades Red Bull ainda dão pouca confiança
No Bahrein, apenas Yuki Tsunoda terminou a corrida, na Arábia Saudita apenas o japonês não viu a bandeira de xadrez. Mas apesar da melhoria, há ainda muito trabalho a fazer do lado da Red Bull na sua unidade motriz. A fiabilidade é elemento chave para a luta pelo título e com um duelo tão renhido com a Ferrari, que nesse capítulo parece estar mais forte, este tipo de fraquezas pode-se pagar caro.
# Mercedes deu um tombo terrível
Aqui a grande dúvida é se a Mercedes está pior do que se pensava ou é Lewis Hamilton que não consegue tirar o mesmo que George Russell de um monolugar que tem problemas para serem resolvidos o quanto antes. Uma coisa é certa: a qualificação de Hamilton foi péssima e com um carro com défice para os adversários diretos, o britânico teve dificuldades em progredir na classificação durante a corrida. Conseguiu chegar aos pontos, mas não bateu Kevin Magnussen nas voltas finais.
O seu colega de equipa terminou em “terra de ninguém”, depois dos 4 carros da Red Bull e Ferrari e na frente do restante segundo pelotão.
“Doloroso”, disse Toto Wolff. Pelo menos até ao GP da Austrália vai ser, depois disso se verá se a equipa consegue melhorar e juntar-se aos rivais.
# Williams não evoluiu como as restantes do fundo da tabela
A Williams terminou a segunda prova do ano mais cedo. Ficou sem Nicholas Latifi primeiro e no perto do final da corrida, o abandono de Alexander Albon, que foi com “demasiada sede ao pote” e levou Lance Stroll à frente na curva 1. Foi imprudente e com isso foi penalizado para a Austrália.
Nicholas Latifi devia já se ter afirmado no ano passado e este ano parece ter ainda mais dificuldades para domar o novo monolugar. Más notícias para a Williams, que para além de dois abandonos parece ter um carro francamente inferior às outras nove equipas.
Com a Alfa Romeo e Haas mais fortes, a Williams fica muito isolada no fundo da tabela classificativa.
# Magnussen carrega a Haas
O regresso de Kevin Magnussen à Fórmula 1 tem sido uma boa surpresa. O carro é mais competitivo do que o último monolugar que pilotou no Grande Circo, é certo, mas tem demonstrado todas as suas capacidades como piloto nas duas primeiras corridas do ano. Considerado muitas vezes agressivo em pista, o dinamarquês completou a corrida de ontem para dar o máximo de pontos à equipa, que tinha apenas um carro na grelha, e não arriscou como possivelmente queria. Fica no entanto, a recordação da luta com Lewis Hamilton e a forma como teve sempre resposta para o sete vezes campeão do mundo da disciplina. Foi um acrescento de qualidade à grelha de 2022.
# Luta Ocon vs Alonso animou
Otmar Szafnauer já suava com a luta protagonizada pelos dois pilotos da equipa na fase inicial da corrida. A equipa bem deixou Fernando Alonso e Esteban Ocon digladiarem-se em pista, mas teve de impor o fim das hostilidades pelo bem coletivo. Percebe-se, podia ter terminado muito mal e perderam muito terreno para os adversários. Como fãs queríamos mais, obviamente.
Depois de abraços e ajuda mútua em 2021, teremos conflito entre ambos em 2022?
# Cash is King
Foi o ponto mais baixo da Fórmula 1 este fim de semana. Depois de um ataque a uma estrutura petrolífera localizada perto do circuito de Jidá e levantadas as preocupações de segurança pelos pilotos, o negócio continuou como de costume. Como se nada tivesse acontecido. Bem sabemos que tudo não passa de negócio e lucro, talvez o longo contrato com a organização do GP da Arábia Saudita, acompanhados dos milhões de dólares, tivessem “pesado” na decisão.
O Autosport já não existe em versão papel, apenas na versão online.
E por essa razão, não é mais possível o Autosport continuar a disponibilizar todos os seus artigos gratuitamente.
Para que os leitores possam contribuir para a existência e evolução da qualidade do seu site preferido, criámos o Clube Autosport com inúmeras vantagens e descontos que permitirá a cada membro aceder a todos os artigos do site Autosport e ainda recuperar (varias vezes) o custo de ser membro.
Os membros do Clube Autosport receberão um cartão de membro com validade de 1 ano, que apresentarão junto das empresas parceiras como identificação.
Lista de Vantagens:
-Acesso a todos os conteúdos no site Autosport sem ter que ver a publicidade
-Desconto nos combustíveis Repsol
-Acesso a seguros especialmente desenvolvidos pela Vitorinos seguros a preços imbatíveis
-Descontos em oficinas, lojas e serviços auto
-Acesso exclusivo a eventos especialmente organizados para membros
Saiba mais AQUI





NOTEAM1 NOTEAM1
28 Março, 2022 at 16:50
Depois de duas corridas em dois circuitos com características opostas, parece-me claro que a Mercedes se encontra sem oposição na 3a posição. Demasiado lenta para chegar aos mais rápidos, mas demasiado rápida para ser alcançada pelas equipas do meio da tabela.