Felipe Massa: Respeito, talento e trabalho na Fórmula 1

Por a 8 Dezembro 2017 14:27

Felipe Massa é um exemplo de um piloto com um percurso de respeito, em que o seu talento e trabalho superam em muito os registos estatísticos conseguidos ao longo de uma carreira de 15 anos na F1. Em ano de despedida, relembramos o acarinhado piloto brasileiro

O automobilismo vive, sobretudo, de paixão e emoções, mas não são poucas as vezes em que olhamos para os números para sublinhar os feitos da generalidade dos pilotos, como se fosse necessário consubstanciar analiticamente as nossas escolhas ou o motivo que nos leva a seguir um piloto em detrimento de outro. No entanto, por vezes, surgem alguns que extravasam a ditadura dos números – Gilles Villeneuve e Jean Alesi são alguns que passam imediatamente pela cabeça, dadas as emoções e sentimentos que emprestaram aos seus feitos. Felipe Massa enquadra-se neste último grupo – não venceu qualquer Campeonato, muito embora tenha estado muito próximo, mas ainda assim deixou uma marca indelével na Fórmula 1 graças à sua maneira de estar e humanidade.

DIAMANTE POR LAPIDAR

Depois de ter descoberto Kimi Räikkönen em 2001, que, entretanto, fora contratado pela McLaren, Peter Sauber decidiu voltar a apostar em 2002 num jovem piloto para colocar ao lado do confiável Nick Heidfeld, escolhendo um desconhecido brasileiro que se sagrara Campeão da Euro Formula 3000 em 2001, que na prática não era mais que uma segunda divisão da categoria que então se afirmava a antecâmara da Fórmula 1. Massa rapidamente mostrou a sua competitividade e rapidez, pontuando logo no seu segundo Grande Prémio, que teve lugar em Sepang, terminando a temporada com quatro pontos, contra os sete do seu mais bem experiente colega germânico. As indicações dadas eram boas, exibindo uma excelente capacidade de controlo, apesar de alguns erros que lhe custaram diversos piões e abandonos, próprios da sua juventude, então tinha apenas 22 anos, que evidenciavam algumas arestas por limar. Mas o potencial existia. Contudo, o brasileiro acabaria por não continuar com a Sauber precisamente por não aceder a ordens de equipa – uma situação que conheceria de uma forma diferente 10 anos depois. Durante o Grande Prémio da Europa, que se disputava em Nürburgring, Massa rodava no sexto posto, então o último lugar pontuável, e já perto do final da prova, Peter Sauber ordenou que o “rookie” cedesse o lugar a Heidfeld.

As ordens de equipa são normais no automobilismo em geral e na Fórmula 1 em particular, mas também é verdade que estas têm que servir um propósito claro, caso contrário acabam apenas por criar tensões no seio da estrutura. Sem que Heidfeld estivesse na luta pelo que quer que fosse, o jovem piloto não viu qualquer motivo para ceder o seu lugar conquistado em pista ao alemão e não seguiu a ordem clamada pelo patrão através do rádio, causando a ira de Peter Sauber.

Mais tarde, Massa receberia uma penalização de 10 lugares na grelha de partida para o Grande Prémio dos Estados Unidos da América, depois de ter atirado para fora Pedro de la Rosa em Monza. O suíço, deixando já antever o futuro do piloto de São Paulo, não esteve com meias medidas e chamou Heinz Harald Frentzen, que se estreara em 1994 com a equipa, para o substituir. Estes dois episódios acabaram por ser decisivos para que o homem forte da equipa helvética optasse por deixar cair Massa ao fim de apenas uma temporada. O brasileiro haveria de voltar à formação helvética para mais duas épocas (2004 e 2005), depois de um ano sabático como piloto de testes da Ferrari, mas esta primeira ‘exclusão’, em 2002, não deixou de o desagradar, mostrando anos mais tarde o seu desapontamento com a sentença do fundador da equipa de Hinwil. “Fez-me duvidar de mim mesmo. O Peter Sauber tomou a sua decisão quando comecei a ficar muito melhor. Era a minha primeira temporada, mas evoluí bastante e tornei-me mais forte que o meu colega de equipa, Nick Heidfeld. Não merecia ser despedido”, afirmou o piloto de São Paulo antes do início da temporada de 2009.

O INÍCIO DA ERA FERRARI

Depois de dois anos com a Sauber, em que demonstrou uma evolução segura contra pilotos como Giancarlo Fisichella e Jacques Villeneuve, Massa ingressou na Ferrari para fazer equipa com o Michael Schumacher, habitual triturador de companheiros, o piloto sobre o qual a Scuderia rodava e a bitola a partir da qual todos eram avaliados.

As primeiras corridas de vermelho não foram fáceis para o brasileiro, ficando aquém do esperado, enquanto o alemão estava já envolvido na luta pelo seu oitavo ceptro com Fernando Alonso. Contudo, o potencial existia e na Ferrari acreditava-se que Massa poderia ser um piloto de futuro – ter a sua carreira gerida por Nicolas Todt não lhe foi prejudicial, seguramente – e Jean Todt, o responsável máximo pela Scuderia, após quatro corridas, haveria de tomar uma decisão determinante para o recruta do seu filho,

quando substituiu Gabriele delli Colli por Rob Smedley no papel de engenheiro de pista do carro número seis.

Enquanto que a relação entre o jovem de São Paulo e o italiano nunca floresceu, com o inglês nasceu uma longa amizade que prossegue até aos dias de hoje, ultrapassando até as barreiras da Fórmula 1. “Ele teve alguns resultados fracos e precisava apenas de se acalmar, estava muito nervoso. Lembro-me de irmos para Nürburgring e ele estar agitado e nervoso acerca dos seus resultados, achava que tinha que bater o Michael Schumacher e vencer corridas. Eu era mais: ‘Isso acabará por acontecer, mas antes

tens que fazer trabalho de base ou não conseguirás’. Modéstia à parte, o que fiz por ele foi colocar-lhe objetivos realísticos e dizer-lhe: ‘estes são os objetivos e isto é o que gostaria que tentássemos e alcançássemos durante um dado período’. Ele mudou completamente, dado que alguém lhe tinha colocado a mão no ombro e dito: ‘tu és capaz. Existe muito trabalho para fazer para seres um piloto completo, mas és capaz e é desta forma que o iremos conseguir’.

Nessa primeira corrida o Michael venceu e o Felipe conseguiu um pódio, depois, houve um ‘click’ e todas as peças caíam no sítio certo”, afirmou Rob Smedley, que no início de 2014 seguiu Massa para a Williams. O brasileiro foi evoluindo consistentemente, assegurando o seu primeiro triunfo no Grande Prémio da Turquia, e se em 2007 não se mostrou ainda capaz de lutar pelo cetro, muito embora tenha sido determinante na conquista do título de Kimi Räikkönen, na temporada seguinte assumiu-se como o piloto de ponta da Ferrari, lutando pelo Campeonato até ao último instante da última corrida de 2008.

ALI TÃO PERTO E AO MESMO TEMPO TÃO LONGE

Ao longo da época Massa assumiu-se como o líder da Scuderia, mostrando rapidez – conseguiu seis pole-positions contra apenas duas de Räikkönen – e consistência, o que lhe permitiu ser o piloto com mais vitórias ao longo do ano, seis contra cinco de Hamilton, e poderia facilmente ganhar mais duas, se na Hungria o motor do seu carro não tivesse partido a três voltas da bandeirada de xadrez quando liderava confortavelmente, e se em Singapura o tristemente célebre despiste de Nelsinho Piquet não motivasse uma falha nas boxes por parte da Ferrari, ditando o seu abandono quando era claramente o mais rápido do pelotão.

Este quadro acabou por criar a situação, dificilmente credível se tivesse origem em Hollywood, em que o homem de São Paulo, a correr em Interlagos, era Campeão Mundial quando cruzou a linha de meta da última prova do ano, para perder o título cerca de quarenta segundos depois com a ultrapassagem de Hamilton a Timo Glock na última curva do traçado brasileiro. Depois de ter feito a pole-position, assinado a volta mais rápida, esmagado toda a oposição e vencer o Grande Prémio do Brasil, Massa teve que lidar com uma derrota quase cruel perante o seu público.

A angústia terá sido lancinante ao longo da sua volta de desaceleração, sentindo-se derrotado, muito embora alguns ainda celebrassem nas bancadas o seu título, tendo as lágrimas tomado conta de si durante esses momentos, como o próprio admitiu. Mas uma vez no pódio, mostrou, apesar de emotivo e humano, extrema dignidade perante um público intenso a par com uma determinação e liderança que pareciam poder levá-lo mais longe que nunca. No fundo, a forma como se apresentou perante o público numa situação difícil, parecia indicar que aquela derrota no último instante tinha sido o catalisador para o fim de um processo que tornaria Massa num piloto completo, como queria Smedley, e a luta por títulos aparentava ser o seu destino.

“No dia seguinte já estava bem. É claro que não dormi naquela primeira noite, mas de uma forma esquisita, foi algo de positivo para a minha vida pessoal. Aprendemos muito nestas situações. Por vezes, de uma forma diferente, talvez fosse de mais – vencer o título na última corrida no Brasil. O que me aconteceria?”, afirmou Massa no início de 2009, continuando: “Acredito que, se merecermos algo, um dia tê-lo-emos. O Lewis (Hamilton) teve o que era suposto ter – talvez devido ao que aconteceu em 2007 (ndr.: perdeu o Campeonato na última corrida, Brasil, por um ponto). Talvez a sorte estivesse em débito para com ele. Este ano (ndr: 2009) talvez a sorte me bafeje.”

O DESTINO VIRA AS COSTAS

A temporada de 2009, porém, revelar-se-ia afinal uma época sem sorte para o brasileiro logo desde a pré-temporada, dado que a Ferrari, tal como a McLaren, em parte devido aos recursos centrados na luta pelos cetros da época anterior, não apresentou um carro competitivo para o novo regulamento técnico, ficando longe da batalha pelas vitórias, onde a Brawn e a Red Bull eram as protagonistas. Ainda assim, Felipe Massa, muito embora longe das posições a que estava habituado desde que vestira de vermelho, foi, uma vez mais, impondo-se no seio da Scuderia, até que a sorte quase o abandonou completamente na qualificação para o Grande Prémio da Hungria. Uma mola solta do Brawn de Rubens Barrichello acabaria por atingir o capacete do seu conterrâneo, enviando o piloto da Ferrari para o hospital e para um estado comatoso. Muito embora a sua vida nunca tenha estado verdadeiramente em risco, a sua visão e, por conseguinte, a sua carreira, esteve em perigo.

“Não me lembro de nada (ndr.: relativo ao acidente). Lembro-me do ‘run’ anterior, mas não do acidente. Não me lembro sequer de ter acordado, três dias depois. Lembro-me de meia hora depois de ter acordado. Pensava que não falhara sequer uma corrida. Estava a discutir com a minha mulher. Disse que iríamos para Valência (ndr.: onde se disputava o Grande Prémio da Europa), três semanas mais tarde. Ela respondeu: ‘não me parece’. Falei com o médico e disse-lhe, ‘a minha mulher está a dizer estas coisas estúpidas'”, afirmou o brasileiro antes do início da temporada de 2010, depois ultrapassar uma experiência marcante e que o poderia ter levado para longe das pistas.

Porém, depressa Massa percebera a situação pela qual estava a passar e os desafios que tinha pela frente. “Rapidamente compreendi o que estava a acontecer. Voltei para o Brasil, onde fizeram um modelo à escala da minha cabeça para os ajudar a analisar a segunda operação. Era mais sério do que eu pensava, mas nunca, nunca senti que tinha que abandonar as corridas”, reconheceu o piloto que no seu regresso encontraria uma Ferrari diferente e um novo colega de equipa – Fernando Alonso.

O REGRESSO

Depois de ter falhado o resto da temporada de 2009 – para recuperar, antes de mais, enquanto homem e, depois, enquanto piloto – Massa regressou à competição na primeira prova de 2010, o Grande Prémio do Bahrein, e nem lhe correu mal, batendo o seu colega de equipa na qualificação, assegurando o segundo posto atrás de Sebastian Vettel, e terminando na mesma posição, mas desta vez a quinze segundos do espanhol que fora recrutado pela Scuderia durante o inverno. No entanto, o poder na Ferrari tinha mudado, emergindo Alonso como o centro das atenções no seu seio. “É desapontante quando olhamos para esse período, dado que ele voltou a uma equipa diferente. Era uma equipa bastante equilibrada entre ele e o Kimi, quando ele teve o seu acidente, quando um batia o outro devia-se a mérito e ele regressou a uma equipa que era centrada no Fernando, algo em que o Fernando é muito bom. Não estou a dizer que é correto ou incorreto, é apenas um facto que a Ferrari se tornou na equipa do Fernando e ele regressou e teve dificuldades em lidar com isso a curto prazo”, afirmou Smedley, que continuava a ser o engenheiro de pista de Massa, no final de 2016.

Enquanto o espanhol se batia pelo título, que haveria de perder na última corrida para Vettel, Massa foi evidenciando dificuldades em acompanhar o seu colega de equipa e, no dia em que se mostrou ao nível do bicampeão mundial, em Hockenheim, ouviu através do rádio as palavras: “Fernando is faster than you”  (“O Fernando é mais rápido que tu”). Ao contrário da situação pela qual passou em 2002 ao serviço da Sauber – Heidfeld não tinha nada para ganhar – desta vez havia muito em jogo, uma vez que Alonso estava claramente na luta pelo título, ao contrário do brasileiro, e este, com um forte sentimento de grupo, ainda que com relutância, cedeu o seu lugar ao piloto de Oviedo. A ordem emanada da Ferrari era justificada, mesmo sendo na altura proibida. Ainda frágil da situação de risco que vivera em 2009, este foi um episódio que em nada favoreceu a confiança de Felipe Massa, que na verdade nunca recuperou verdadeiramente. O mundo da Fórmula 1 pode ser bastante cruel e os homens da Scuderia não tiveram qualquer pejo em pensar em resultados, deixando para segundo plano a recuperação do piloto que abdicara de uma vitória no “seu Grande Prémio” para que Kimi Räikkonen pudesse conquistar o seu único título e o derradeiro Campeonato de Pilotos conquistado pela formação de Maranello. “Nem sempre foram justos com ele e ele sabia disso, apesar das palavras ditas pelas pessoas.

Penso que foi muito duro para ele, mas continuou e conseguiu ainda alguns bons resultados com um carro que não era muito bom”, afirmou Smedley em 2016.

O CONFORTO DA WILLIAMS

Felipe Massa terminaria a sua passagem pela Ferrari no final de 2013, oito temporadas de grandes momentos, de sucessos, derrotas, ilusões e desilusões, encontrando guarida na Williams em 2014. O brasileiro sabia que, em circunstâncias normais, não iria ter a possibilidade de voltar a vencer ou lutar por títulos, mas a sua paixão pelas corridas ainda lhe corria nas veias e a formação de Grove, que tinha caído na cadeia competitiva da Fórmula 1, precisava de um piloto com experiência de equipas grandes para inverter a tendência de queda dos últimos anos.

Isso garantia um ambiente onde o brasileiro se sentiria desejado, o que foi determinante para que voltasse a ganhar a confiança do passado. “Foi muito importante. Ele podia ter abandonado. Se olharmos para o que ele conquistou enquanto piloto, o dinheiro que ganhou – se isso é importante, todas as coisas que contam para as pessoas que olham para status – ele conseguiu tudo isso.

Tem muitas ‘medalhas’, não precisava de fazer mais nada. Penso que, mentalmente, foi muito importante ele ter vindo para aqui (ndr.: para a Williams), ter um colega de equipa forte como o Valtteri e bater-se com ele. Ajudar a equipa a crescer, voltar a colocá-la no topo do meio do pelotão”, afirmou Smedley antes da despedida de 2016 de Massa.

Depois de três anos em que se bateu igual para igual com Bottas, o brasileiro resolveu terminar a sua carreira e no Brasil, depois de abandonar por despiste, teve uma caminhada apoteótica até às boxes, com o público a gritar pelo seu nome e as equipas a irem para o pitlane para o homenagear, enquanto a prova ainda decorria com Safety-Car.

Foi como se o destino, que o fintara em 2008 e 2009, se unisse para de uma situação desapontante, terminar o último “seu Grande Prémio” com uma saída de pista, lhe dar algo verdadeiramente único – o reconhecimento e respeito de todos os que estavam naquele circuito em uníssono frente a milhões de espetadores. O destino dar-lhe-ia até, graças ao abandono de Nico Rosberg no final de 2016, mais uma temporada de Fórmula 1, oferecendo-lhe a possibilidade de realizar uma vez mais o último “seu Grande Prémio”, tendo realizado uma performance digna daquele Massa de 2008/2009, batendo por ironia do destino, o mesmo Fernando Alonso perante quem teve que se vergar na Ferrari. Não ganhou títulos, mas sua história não deixa ninguém indiferente e a sua ausência será notada quer no paddock quer entre os muitos fãs, dado ter sido sempre fiel às suas raízes e ao seu caráter num mundo rarefeito em que muito dificilmente isso acontece.

A sua capacidade de se colocar na pele dos outros foi determinante para essa fidelidade a si mesmo, tendo uma experiência frustrante com Ayrton Senna, a quem pedira um autógrafo, sido decisiva. “Fiquei muito chateado, mas isso ajudou-me muito como profissional. Hoje, é quase impossível eu não atender um fã. Especialmente se for uma criança”, admite.

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2 comentários

  1. Frenando_Afondo™

    8 Dezembro, 2017 at 17:56

    O que é que são “objetivos realísticos”?

    • João Pereira

      9 Dezembro, 2017 at 14:53

      Todos os que tenham a ver com “realistidade” ou que sejam “realistizáveis”!

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