F1: Tost tem solução para a F1… Menos apoio aerodinâmico

Por a 9 Janeiro 2019 13:11

A busca por uma F1 com corridas mais emocionantes, com mais ultrapassagens e com mais lutas tem sido um dos temas mais debatidos dos últimos tempos. São várias as opiniões e as sugestões para resolver este problema e as novas regulamentações que serão introduzidas em 2021 terão um papel fundamental.

O apoio aerodinâmico tornou-se ao longo dos anos no aspeto mais trabalhado e que, por conseguinte, se tornou numa grande fatia do desenvolvimento de um chassis de F1. Para quem gosta, a busca pela perfeição e por soluções inovadoras é também um espetáculo dentro do próprio espetáculo. A forma engenhosa como as equipas vão buscar mais eficiência nos fluxos de ar que passam pelo carro pode ser muito interessante de seguir e no fundo é o que dá identidade própria aos carros. Mas é também muito fácil de entender que este tipo de “espetáculo” apenas agradará a uma minoria e que a maioria dos fãs querem ver lutas acesas e ultrapassagens. Poucos querem perder tempo a tentar entender como a nova solução de uma equipa permite ganhar 0.2 seg. por volta… A maioria quer falar das lutas dos pilotos em pista, das ultrapassagens, da estratégia.

O regulamento em vigor prometeu-nos no início, uma visão diferente da F1. Apesar de carros mais largos e mais rápidos em curva, as primeiras explicações da nova regulamentação diziam-nos que o aumento de 25% no aerodinâmico seria feito, na maior parte, graças a um difusor traseiro maior e mais eficiente e que os tempos por volta cairiam 3 a 4 segundos, graças também aos pneus maiores. Alguns foram nessa conversa (incluindo quem escreve este texto) mas deveríamos ter ficado atentos apenas à expressão “aumento do apoio aerodinâmico em 25%”.

Se até 2016 a questão do “ar sujo” era muito falada, com as mudanças feitas, o lógico seria que tal continuasse a ser tema em destaque, o que se verificou. Os carros são muito mais agressivos e apelativos que anteriormente, mas mantém uma falha grave… continuam a não permitir lutas em pista que é o que todos queremos ver.

Franz Tost, tem uma solução simples para este problema:

“Temos tanto apoio aerodinâmico, o que significa altas velocidades em curva, mas ninguém pode seguir os carros por causa do ar sujo e agora dificilmente temos boas zonas de travagem”, disse Tost. “Como é que podemos ter ultrapassagens? Isso significa que a FIA, a FOM – e há pessoas experientes por lá, como Ross Brawn, Pat Symonds – sabem exatamente o que devemos fazer: diminuir o apoio aerodinâmico. Eu cortaria no mínimo 40-50% do apoio atual, para tornar o carro muito mais instável nas curvas. Então as pessoas veriam os pilotos a lutar com o carro. Os carros seriam muito mais rápidos em reta, e teríamos mais hipóteses de ultrapassagem- devido ao aumento das travagens – e os pilotos podiam seguir os adversários nas curvas. Um regulamento assim seria facilmente implementado… bastaria que eles o quisessem.”

Questionado sobre quem seria contra uma proposta deste género, Tost disse: “As equipas! Nunca perguntem às equipas. Os responsáveis têm de chegar com os regulamentos, e dizer’ é aceitar ou ir embora’. Mas eles perguntam às equipas. Depois vão para o Grupo de Trabalho Técnico. Quem está no Grupo de Trabalho Técnico? Engenheiros. Nunca perguntem aos engenheiros!”

As máquinas da atualidade são fantásticas e podemos dizer que temos em pista os F1 mais rápidos da história (até agora). A época 2018 foi muito boa com lutas interessantes, dentro e fora de pista. Foram raras as corridas que foram realmente aborrecidas, mas é também um facto que se tivéssemos mais lutas seria ainda melhor. A redução do apoio aerodinâmico faz algum sentido, embora haja outras soluções igualmente pertinentes.

Pessoalmente gosto destes carros, gosto das unidades motrizes e das soluções que as equipas têm encontrado para ganhar vantagem, mas as corridas são feitas de lutas no asfalto… é esse o principal ingrediente. A F1 sempre foi feita de números, a grande maioria deles com capacidade de nos deixar de queixo caído. E a F1 sem esses números nunca seria o que é hoje. Mas não podemos esquecer que a F1 é emoção e que esse fator é também importante… o mais importante. Basta ver que numa luta entre pilotos, raramente vamos olhar para os gráficos que nos dizem a que velocidade os carros fazem determinada curva. Pessoalmente não me lembro ao certo a que velocidade os carros de 2014 fazia a Parabólica em Monza, mas dificilmente esquecerei a ultrapassagem do Ricciardo a Vettel (este é apenas um entre muito exemplos).

Talvez a F1 do futuro tenha de olhar mais para a emoção e menos para os números. Uma F1 feita para quem está em casa e não para os engenheiros. E se para isso for preciso reduzir o apoio aerodinâmico… que seja. Acredito que seja possível um compromisso entre tecnologia, inovação, competição e emoção. A F1 sempre foi assim. Mas se tivermos que cortar num aspeto e apostar mais noutro… a emoção terá de ser sempre o caminho a seguir. Ross Brawn e a Liberty têm em mãos a tarefa de escolherem o rumo para o futuro a médio prazo, com outras categorias a ganharem cada vez mais força. A margem de erro é cada vez mais pequena.

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can-am
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can-am

Anda-se a falar disso há “séculos” mas nada se faz. Há muitos interesses em jogo,e no fim fica-se pelo que não “magoa” os grandes. If you know what I mean !Tira-se de um lado, e espeta-se no outro etc. Apenas maquilhagem. Na minha opinião,os F1 não deviam ter nenhuma asa à frente,apenas teriam a asa traseira semelhante às que vão agora vigorar. Os flancos deviam ser em forma de asa invertida,mas sem saias que selassem tudo. Altura ao chão mais baixa que a actual, que dá um aspecto algo feio aos carros. Carro de corrida quer-se bem baixinho. (veja-se o… Ler mais »

jcmr
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jcmr

é tão ‘ velha ‘ esta história. SIMPLES: reduzir o apoio aerodinâmico em no mínimo 78-80% e mais grip mecânico – leia-se pneus mais largos. Os bons pilotos aqui subressairiam ….

jcmr
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jcmr

há algo mais: parar com a palhaçada das mudanças de pneus – únicos para toda a corrida; quem os soubesse preservar (mais finos de condução), mais lhes propiciaria no final da corrida terem pneus em melhor estado. Numa corrida de sprint não há mudanças de pneus (estas têm lugar exclusivamente em corridas de maior endurance). – Experimentassem fazer mudanças de pneus no MOTO GP e matariam esta disciplina que continua em crescendo de audiências, contrariamente ao verificado na F1 onde as audiências decrescem desde há muito ….

tp25101702
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tp25101702

claro, e depois vão queixar-se de que não podem andar a fundo pq têm de gerir os pneus a corrida toda. digam o que disserem, façam o que fizerem nunca vão agradar a todos. A não ser que criem um regulamento técnico mais próximo da FE no que toca a chassis, não há volta a dar. Mesmo com as novas asas com menos penduricalhos, as equipas vão arranjar maneira de recuperar a carga aero perdida com a alteração regulamentar, e não há nada que se possa fazer sem limitar ainda mais o regulamento, que já é uma das razões de… Ler mais »

2fast4u
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2fast4u

Não podia estar mais de acordo, Alain Prost já o tinha referido, e já tinha dito que na minha opinião este “problema” afecta as competições de automóveis, pois os carros podem-se tornar mais eficientes mas tornam-se mais fáceis aborrecidas as corridas.
Isto é um problema de todas as competições praticamente.
A aposta tem de passar por haver maior dependência do grip mecânico, e fazerem motores mais potentes pois a F1 devia ser o pináculo e não haver um carro de estrada com mais potência

malhaxuxas
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malhaxuxas

Mas que grande idéia! Não diga! Só contaram pra ele!

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