Chegamos ao fim dos três dias de testes no Bahrein. As equipas tiraram as suas notas e agora vão voltar ao trabalho para ter tudo pronto para o arranque da época.
Esperavam-se algumas simulações de corrida e perto do fim da sessão, à mesma hora da qualificação do primeiro GP, poderíamos ver algumas simulações de qualificação.
Decorrida uma hora de testes, não houve grande alterações na tabela de tempos, com as exceções de Fernando Alonso ter colocado o seu monolugar no sétimo lugar, logo atrás do registo conseguido de manhã por Esteban Ocon, seu colega de equipa na Alpine, e ainda Kimi Raikkonen, oitavo a 1.378s. Em nono estava Max Verstappen a 1.546s e finalmente, Nikita Mazepin (+1.802), comum registo melhor que o de Schumacher esta manhã. Lewis Hamilton, no Mercedes, ainda não tinha sido visto em pista.

Com cerca de uma hora dentro da tarde do último dia de testes e o Mercedes ainda tinha ido para a pista, o que aconteceu à entrada da segunda hora.
As equipas estavam a fazer os famosos “long runs”, com os pilotos a acumular mais voltas em ritmo de corrida. Não há muitas novidades na tabela de tempos, a não ser Daniel Ricciardo que ultrapassou o seu colega de equipa e tinha agora o terceiro melhor registo do dia. Lewis Hamilton continuava a fazer tempos modestos, com a Mercedes ainda a não estar focada em voltas rápidas, tal como acontecia com a Ferrari e Carlos Sainz e a Aston Martin com Sebastian Vettel.
Max Verstappen tratou de fazer o melhor tempo da sessão no início da terceira hora, tendo melhorado o registo pouco depois, enquanto Daniel Ricciardo fez o segundo melhor tempo de seguida. Fernando Alonso fez o quinto tempo, à frente de Kimi Raikkonen. Mas no final penultima hora quem se destacava era Yuki Tsunoda que destronou Daniel Ricciardo do segundo lugar. Lewis Hamilton tinha o décimo tempo da sessão, à frente de Carlos Sainz que regressou às boxes com aparentemente um problema de caixa de velocidade, que mais tarde foi confirmado como um problema hidráulico que foi resolvido com relativa rapidez. Quem não estava a ter uma boa sessão era Sebastian Vettel que estava “preso” nas boxes, quando os tempos começaram a cair. Um problema com a sua unidade motriz terminou a sessão do alemão mais cedo que o desejado.

A última hora de testes de 2021 foi claramente a mais animada. Com as temperaturas a baixar, os pilotos tentaram melhorar os registos feitos até agora.
Max Verstappen foi o primeiro a baixar significativamente o tempo, mesmo com uma tentativa algo atabalhoada com uma ligeira saída de pista, mas a surpresa veio da boxe da Alpha Tauri. Tsunoda começou a fazer voltas rápidas e chegou a liderar a tabela de tempos, sendo destronado por Verstappen. Carlos Sainz ganhou um lugar no top3, seguido de Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton que voltou a perder o controlo do seu monolugar na entrada para uma volta rápida. O britânico continua a colecionar pequenos erros devido à instabilidade na traseira do W12.

Max Verstappen ainda tentou baixar novamente o tempo, mas a tentativa não correu da melhor forma tendo sida abortada no final. Hamilton também teve uma nova tentativa que não deu o resultado desejado. Não vimos mais mudanças até ao fim da sessão assim Verstappen ficou com melhor tempo de 1:28:960, melhor do que na FP1 do GP do Bahrein no ano passado.

Destaques
Nunca foi produtivo tentar tirar conclusões do que vemos nos testes. Há que ter em conta as condições da pista, as cargas de combustível, os pneus usados, os modos de energia usados no motor… uma serie de fatores que podem mascarar ou exagerar os tempos que vemos. Mas de uma forma geral podemos entender quem sai do teste mais satisfeito e quem tem trabalho de casa a fazer.
Red Bull e Alpha Tauri são equipas certamente felizes neste momento. A Red Bull terminou no topo da tabela de tempos num teste, algo que nunca aconteceu na era híbrida e a Alpha Tauri mostrou um monolugar bem equilibrado, fácil de usar e competitivo. Os dois carros com motor Honda deram nas vistas, tal como os quatro pilotos que os conduzem. Verstappen e Pérez tiveram um bom teste, tal como Pierre Gasly e Tsunoda surpreendeu na última hora com excelentes voltas.
Outra equipa que estará contente com o resultado dos testes será a McLaren. Três dias sólidos, com o programa cumprido sem problemas (a McLaren nunca gostou de fazer muitas voltas nos testes) e com tempos por volta interessantes. Ricciardo integrou-se bem na equipa e Norris mostrou que pode ser rápido mais uma vez.
Alpine teve um teste algo discreto, e não surpreendeu com os tempos que conseguiu, mas os franceses deram muitas voltas e recolheram muitos dados para evoluir um carro cuja base vem de 2019. Alonso mostrou que está em forma e que a paragem não o afetou. Alfa Romeo mostrou apontamentos interessantes e a Williams parece ter dado mais um passo podendo estar até melhor que a Haas .
Com algumas dores de cabeça estarão a Mercedes, Aston Martin e Ferrari. A Ferrari será a “menos má” deste trio com um carro que parece estar melhor que a versão de 2020, mas ainda há muito trabalho na Scuderia pela frente, especialmente para Carlos Sainz que parece estar pouco à vontade com a sua nova máquina.
A Aston Martin perdeu praticamente um dia de testes e quem está pior é Sebastian Vettel que viu o seu carro ficar na boxe por duas vezes. Problemas no motor e na caixa tiraram muito tempo de pista ao alemão e mesmo Lance Stroll não parecia extremamente entusiasmado com o que viu, ao contrário do que aconteceu em 2020.
A Mercedes deixa-nos com muitas dúvidas. Não queremos dizer que perderam toda a vantagem que tinham e que não vão lutar pelo título, tal não faria sentido. Apesar de alguns percalços técnicos conseguiram um número aceitável de voltas. O ritmo pode não ser ainda o melhor mas a Mercedes nunca mostrou muito andamento nos testes. Mas o que “preocupa” são os vários piões de Hamilton, a traseira algo instável do W12 e uma sensação de que a época não vai começar sobre rodas para a equipa, que tem pouco tempo para retificar os erros. O que nos parece é que a Mercedes estará mais à mercê da Red Bull no arranque da época e com menos tempo de teste e menos orçamento para evolução, será certamente uma dor de cabeça.
Assim, com as devidas precauções, a ordem atual deverá dar Mercedes e Red Bull muito próximas, seguidas da McLaren não muito longe, com a Alpha Tauri a prometer ser uma boa surpresa. Ferrari, Alpine, Alfa Romeo e Aston Martin deverão estar muito próximas umas das outras, seguindo-se a Williams que poderá ter largado a cauda do pelotão e a Haas que este ano deverá passar muito tempo nos últimos lugares. Nada disto é certo e so daqui por duas semanas teremos uma visão mais clara.








