F1: Podia ter sido um ano memorável para a Ferrari

Por a 14 Dezembro 2017 17:28

A Ferrari foi uma das estrelas de 2017 e foi a equipa que mais fez suar a Mercedes na luta pelos títulos. A Scuderia teve um 2016 pouco positivo, mas efetuou mudanças na sua estrutura que resultaram num 2017 bem mais competitivo. James Allison pediu para sair devido à vontade de regressar a Inglaterra e a equipa ficou sem aquele que deveria ser o cérebro principal do departamento técnico. As mudanças foram feitas e ao contrário do que se esperava, a Ferrari apresentou-se mais forte e mais competitiva. Os conceitos usados na máquina deste ano suscitaram surpresa e interesse por parte dos adversários, que a meio da época começaram a copiar algumas soluções italianas. Foi claramente a equipa mais forte na primeira ronda asiática e o carro parecia ser aquele que melhor se adaptava às diversas condições, ao contrário do Mercedes que era um monolugar bem mais difícil de entender.

A segunda metade do ano deitou por terra as esperanças do título, depois da Mercedes ter recuperado o tempo (e os pontos) perdidos no final da primeira metade. O segundo périplo pela Ásia foi um pesadelo para a Scuderia, que perdeu pontos de forma desnecessária, dando à Mercedes uma vantagem que esta não desperdiçou. Podia ter sido o ano do regresso aos títulos, mas por culpa própria, a equipa de Maranello ficou mais um ano a ver os Mercedes abrirem o champanhe da vitória.

No entanto não deixa de ser notória a evolução da equipa que se apresentou muito melhor este ano, mais forte e consolidada. Maurizio Arrivabene esteve perto da saída, mas a sua permanência pode ter sido uma das chaves para o sucesso parcial deste ano. Outro dos fatores importantes foram sem dúvida os pilotos.

Vettel, desde que ingressou na Ferrari, tem assumido o papel de nº1, merecidamente diga-se. A sua postura e a forma como trabalha são exemplos para os mais jovens e pode não ter a velocidade de Hamilton, ou o talento de Alonso, mas tem uma forma de trabalhar notável, e tornou-se num elemento essencial para a caminhada deste ano. Se muito do sucesso se deve a ele, alguns dos dissabores também, especialmente em Baku, onde a sua imagem e a da equipa ficou prejudicada. O incidente de Singapura não merece ser apontado como culpado pois fez exatamente o que qualquer piloto na sua posição faria. Faltou-lhe apenas um pouco de cabeça fria em certos momentos para não ultrapassar os limites, mas essa sede de vitória mostra bem o compromisso que o alemão tem para com a sua atual equipa. Voltamos a ter um Vettel mais próximo do que se viu na Red Bull, e foi a par de Hamilton um dos melhores em pista este ano.

Quanto a Raikkonen, foi mais um ano ao nível que nos habituou nesta segunda passagem pela Ferrari… competente, mas longe do brilhantismo de outros tempos. Foi claramente o nº2 e esteve longe de Vettel na maioria das provas. Vettel conseguiu mais pontos, foi melhor que Raikkonen 14 vezes em corrida (contra apenas 2 do finlandês), 15 vezes em qualificação (contra 5) e rodou mais voltas no top 10. Raikkonen já não é o Iceman de outros tempos, mas mostrou que é ainda útil à equipa e a sua regularidade e velocidade em corrida foram os seus pontos mais fortes.

O futuro da Scuderia ainda vai passar por esta dupla, que tem claramente potencial para vencer os campeonatos em disputa. Dificilmente Raikkonen irá mostrar estofo para tentar outro título, mas será um elemento fulcral na conquista do campeonato de construtores. Vettel terá mais um ano para mostrar que pode ser campeão pela Ferrari e se a equipa continuar com o nível de progresso que evidenciou este ano, a Mercedes que se cuide.

A Ferrari terá de começar a ponderar quem será o substituto de Kimi para o futuro. Leclerc é o talento que está a dar que falar e que provavelmente irá ganhar uma vaga na equipa principal, se confirmar o potencial demonstrado, mas talvez a equipa não queria colocar já em 2019 o monegasco ao volante do Ferrari. Perez foi um dos nomes ventilados para a vaga de Raikkonen e parece que o lugar do finlandês poderá ser dos mais apetecíveis no futuro a curto prazo. Para já a dupla, que já passou por momentos tensos este ano e que manteve a harmonia, parece a ideal para que a Ferrari se foque a 100% na evolução do carro sem se preocupar com querelas internas. Espera-se muito da equipa em 2018.

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10 comentários

  1. so23101706

    14 Dezembro, 2017 at 17:36

    Excelente texto! Objectivo e imparcial como já não estávamos habituados aqui no AutoSport. Especialmente quando o tema é a Ferrari e Sebastian Vettel.

    • João Pereira

      14 Dezembro, 2017 at 18:30

      Se o caro so se chamasse Dupont, e eu me chamasse Dupond, eu diria mais:
      – Excelente texto! Objectivo e imparcial como já não estávamos habituados aqui no AutoSport. Especialmente quando o tema é a Ferrari e Sebastian Vettel.
      Como não somos Dupont et Dupond, vou dizer:
      – Irra que este Sr. Fábio Mendes só pode estar á procura de emprego na Ferrari, a escrever os Press Release a justificar as asneiras da equipa.

      • so23101706

        15 Dezembro, 2017 at 15:36

        Tem razão, você não é o Dupond. Os Dupondt têm piada, você não.

        • João Pereira

          15 Dezembro, 2017 at 18:42

          Eu diria mais, não sou Dupond nem Dupont porque eles têm piada só por serem idiotas.
          Por acaso pensei que o caro so até achasse piada, apenas porque estava a ser sarcástico no seu comentário, mas aparece parece que entendi mal, e percebo agora que o meu caro é o Dupond, e o Dupont é o outro que vê ao espelho quando se barbeia de manhã.
          Vá lá, agora tive piada. Boa?!
          P.S.- Veja lá não rape o bigode. Eheh!

    • O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada

      14 Dezembro, 2017 at 22:19

      Excelente texto! Concordo.

      “…pode não ter a velocidade de Hamilton, ou o talento de Alonso…”

      Cumpr(i)mentos

  2. João Pereira

    14 Dezembro, 2017 at 19:04

    Oh Sr. Fábio Mendes! A Scuderia pagou este artigo, ou nós que estamos deste lado a ler isto, somos “quase” todos atrasados mentais? Só lhe falta dizer que a Ferrari foi a melhor equipa, e Vettel o melhor piloto, que só não foram campeões porque Alison se foi embora, e Raikkonen só fez asneira.
    Com que então Vettel foi um grande exemplo para os jovens em termos de postura e a forma como trabalha? Yeah! Principalmente em Baku, onde deu uma de Schumacher (e um bocadinho de Prost também). Com isso quer dizer que os jovens devem aprender a atirar o carro para cima dos adversários, e em última análise ao ponto de o adversário bater no carro do colega e acabarem os dois carros fora da corrida?
    Fique sabendo, que infelizmente para todos os verdadeiros adeptos de F1, a Ferrari comprometeu bem cedo o campeonato, graças aos seus erros e aos de Vettel, que todos juntos até prejudicaram o excelente trabalho que Raikkonen tentou fazer e quase conseguiu como 2º piloto, o que só demonstra má gestão de pilotos em termos de estratégia de equipa.
    A Ferrari perdeu a vantagem adquirida no início do campeonato, por Vettel estar mais concentrado no rádio a mandar vir com toda a gente dentro e fora da pista, e por não haver ninguém na equipa que fosse capaz de lhe puxar as orelhas.
    O incidente de Singapura não lhe deve ser apontado? Então o fulano tem o rival atrás dele, e parece que tinha palas nos olhos como os burros, e nem percebeu que a corrida ainda mais 300Km? Ele não fez exactamente o que qualquer piloto faria nas circunstâncias, fez exactamente o que poucos pilotos já fizeram em circunstâncias semelhantes em toda a história da F1.
    Ao contrário de si Sr. Mendes, eu acho que Vettel tem uma velocidade e um talento ao nível de Hamilton e Alonso, mas este ano, asneirou mais que os outros dois juntos somando todos os seus GP, e olhe que são dois rapazes que andam nestas coisas há mais tempo que ele, e só um foi tetra como ele e foi este ano.
    Sr. Mendes, se Vettel é o seu super-herói, diga-lhe que com “grande poder, vem grande responsabilidade”, fraze que se aplica a si também, já que também se diz que “a caneta é mais poderosa que a espada”, e o senhor tem uma “caneta” na mão.
    O seu artigo, é um atentado à inteligência de quem há muitos anos vê e segue corridas de automóveis, motos e até outros desportos motorizados ou não. Admito que tenha as suas paixões, e que até seja parcial, mas a este nível é ridículo e mesmo muíto vergonhoso.
    Se fosse seu patrão, pode crer que amanhã não tinha cadeira onde se sentar.
    As melhores felicidades na sua futura profissão, que poderá ser como “trolha” ou “almeida”, onde os seus talentos seriam provavelmente melhor aproveitados.
    João Paulo Pereira.
    Passe bem.
    P.S. Podem até bloquear-me, não seria a primeira vez, e já fui mais uma ou duas vezes ameaçado pelo “censor” Sr. José Luís Abreu, mas se o fizerem, pelo menos tenham a coragem de deixar aqui este meu comentário, e que se dignem dar resposta pelo menos se decidirem que é ofensivo ao ponto de merecer expulsão.

  3. O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada

    14 Dezembro, 2017 at 22:16

    Também gostei deste texto com alguns pontos importantes a reter:

    “Podia ter sido o ano do regresso aos títulos, mas por culpa própria, a equipa de Maranello ficou mais um ano a ver os Mercedes abrirem o champanhe da vitória.”

    Acerca de Vettel: “…pode não ter a velocidade de Hamilton, ou o talento de Alonso (…) Se muito do sucesso se deve a ele, alguns dos dissabores também, especialmente em Baku, onde a sua imagem e a da equipa ficou prejudicada.”

    Claro que o texto falha naquele ponto de Singapura onde toda a gente viu que o alemão da Ferrari foi o responsável pelo fim da corrida dele e do seu companheiro de equipa mas pronto…

    Cumprimentos

    • O Verstappen comeu o Hamilton de cebolada

      16 Dezembro, 2017 at 11:34

      Eu já percebi que você não é desses foristas talibans, como outro que escreveu neste post, que só escrevem baseados em ódios e raivinhas e que desaparecem quando os seus “heroizinhos” são batidos…
      Cumprimentos

  4. NOTEAM

    15 Dezembro, 2017 at 8:44

    Está tudo neste artigo. A Ferrari surpreendeu muita gente, eu incluído, ao aparecer em Jerez na frente de toda a concorrência, depois de um 2016 fraco e com a saída do James Allison a meio da época, estava francamente à espera de um ano terrível para a Ferrari, em vez disso, tivemos a scuderia a produzir o seu melhor monolugar da última década. A Mercedes não é uma qualquer como sabemos e mostrou estar ainda ligeiramente na frente da Ferrari, isso foi particularmente determinante na segunda metade da época. Se até à paragem do meio da época a Ferrari fez quase tudo bem e tinha o título de pilotos praticamente no bolso, a 2a metade da temporada foi um verdadeiro desastre tal como diz o artigo, nem a Ferrari esteve à altura da Mercedes, nem Vettel esteve à altura do melhor Hamilton das últimas épocas. Em circuitos onde a Ferrari tinha vantagem (Singapura, Malásia, México) não foi capaz de segurar a pontuação máxima, enquanto a Mercedes não perdoou quando teve carro superior (Spa, Monza, Suzuka), isto fez toda a diferença num campeonato que estava destinado a ser disputado até à última volta, sendo que os duas últimas corridas da temporada ( brasil, Abu Dhabi), se tratavam de circuitos claramente à medida dos Ferrari. Esta temporada de 2017 foi uma oportunidade de ouro para a Ferrari se sagrar campeã, se em 2018 a Ferrari se voltar a apresentar muito forte já não será uma surpresa.

  5. Miguel Costa

    15 Dezembro, 2017 at 12:12

    Excelente texto que só peca por defender um Vettel, que apesar de excelente piloto, teve demasiadas atitudes “à lá Schumacher” como refere o forista ernie. O Alemão está nos melhores pilotos do grid, tem 4 títulos e não os ganhou o Newey sozinho, como muita gente pensa, metade do trabalho foi dele, até o Webber, piloto mediano, teve responsabilidade nessa época de ouro da RB. Concordo que o Vettel não tem a velocidade do Hamilton e o talento do Alonso, mas está logo atrás desses dois, tem atitudes de puto mimado e aquelas do “Vale tudo, até arrancar olhos” e isso já acontecia na Red Bull (o outros dois também as tiveram já, sendo que o Hamilton é o que tem a folha mais limpa dos três), acusou a pressão para mim, como referiu também o Hamilton algures numa entrevista que li. Ele foi contratado pela Ferrari, como foi o Alboreto, o Schumacher, o Kimi (este não tanto porque a equipa estava na mó de cima) e o Alonso, para levantar a equipa e levá-la de volta aos títulos, curiosamente, apesar de ser visto como o sucessor do Schummi não o conseguiu ainda, (4 anos), mas o primeiro titulo do Schumacher também levou 5 anos a aparecer, este ano se tivesse mais cabecinha poderia te-lo conseguido, falhou a toda a largura, acusou a pressão e a equipa também, tem um companheiro que se presta a serviço de taxista (infelizmente), e mesmo assim com tantos anos de F1, cedeu. O Hamilton tem as mesmas armas e nem precisou de ajuda do Bottas, que também está lá para fazer o mesmo que o Kimi. O problema da Ferrari é o aspeto latino da questão, se corre bem é tudo sorrisos, se não estala o verniz e detioram-se as relações, atiram-se culpas e inventam-se cenários de conspiração, o Alonso sofreu do mesmo mal. Em igualdade de circunstâncias acho que o Hamilton ganha ao Vettel, 7 em cada 10 e nem gosto de nenhum dos dois.

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