A entrada de Nikita Mazepin na Haas veio relançar o debate sobre os pilotos pagantes, um tema que talvez nunca deixe de existir.
Mazepin entrou na Haas por ter o apoio do pai, que por sua vez tem na conta uns valentes milhões de dólares. Não é segredo nem surpresa que o jovem russo entra na equipa americana por ter bolsos mais fundos que outros jovens. Mas será isso sentença de qualidade duvidosa?
O termo piloto pagante é visto como um termo pejorativo, de alguém que não teve talento suficiente para entrar por mérito próprio, mas que conseguiu chegar à F1 desembolsando mais notas que os restantes. Alguns dos maiores nomes da F1 entraram porque tiveram apoio financeiro para tal. Niki Lauda é o nome que mais vezes será lembrado, mas Mark Webber, Michael Schumacher e Fernando Alonso, nomes consagrados do desporto tiveram oportunidade por terem o apoio financeiro adequado (no caso de Webber e Alonso, dado por Flavio Briatore e no caso de Schumacher dado pela Mercedes).
Na grelha atual Lance Stroll, Nicholas Latifi são os primeiros que vêm à cabeça como pilotos pagantes, mas George Russell entrou na F1 com o apoio da Mercedes e Sérgio Pérez tem também apoio financeiro muito forte e não é por isso que não são vistos como pilotos de grande valia.
Nikita Mazepin competiu em 189 corridas, venceu sete, foi ao pódio 24 vezes e foi vice-campeão no GP3 e terceiro classificado na F3 asiática. Não é um currículo impressionante, mas como disse Guenther Steiner, o facto de pagar pelo lugar não implica que seja mau piloto:
“Há muitos pilotos que entram na F1 graças a apoios financeiros”, disse Steiner, que revelou que as conversas com Mazepin começaram no ano passado. “Existem pilotos muito bons na F1 que no começo trouxeram um patrocinador. Checo [Sergio Perez] veio para a F1 e foi um piloto pagante. Ele agora tem pódios e está a fazer um bom trabalho. George Russell para mim é um dos melhores pilotos, mas sem a ajuda da Mercedes ele não estaria onde está. Lance Stroll, subiu ao pódio. Se eles forem bons na F2 e tiverem patrocinador, é uma solução perfeita.”
“Quando falei com Niki [Lauda] há muito tempo, ele disse: ‘Entrei na F1 graças a um banco que me patrocinou, para que eu pudesse comprar um carro. E ele foi tricampeão mundial.”
“Acompanhei o Mazepin durante toda a temporada. Com certeza ele teve um começo difícil e, sem isso, ele estaria na luta pelo campeonato. Então é isso que eu vejo, não consigo ver mais do que isso. Os resultados sempre falam.”
É certo que as expetativas que recaem sobre Mazepin são baixas e não é apontado como uma estrela do futuro (e pessoalmente não creio que tal venha a acontecer), mas não é descabido pensar que a subida de nível permita ao piloto russo melhorar ainda mais e tornar-se num bom piloto de F1. O volante está nas suas mãos, agora cabe-lhe provar o seu valor. O cronómetro, por mais caro que seja, nunca mente.










