F1, Sebastian Vettel: “Em 2020, já estava em declínio”

Por a 30 Dezembro 2025 12:25

Sebastian Vettel foi durante muito tempo um dos pilotos menos apreciados. O indicador em riste a cada vitória tornou-se na sua imagem de marca e o motivo de muitos ódios. Ainda hoje surgem detratores do tetracampeão alemão, afirmando que nunca teria sido campeão sem os monolugares da Red Bull. Como se fosse possível ser campeão sem um bom carro.

A ausência de Vettel no paddock ainda hoje é sentida. A sua frontalidade, a forma como defendeu as suas causas e a inteligência que sempre revelou dentro e fora de pista fizeram do alemão uma das referências da modalidade. E é com essa postura que olha para a sua carreira.

Vettel fez uma leitura crua e lúcida da sua passagem pela Ferrari, admitindo que chegou a Maranello em alta, mas terminou a sua aventura em clara fase descendente da carreira. As suas reflexões surgem num momento em que Lewis Hamilton enfrenta o desafio de evitar tornar‑se apenas mais um campeão do mundo a fracassar na missão de devolver a glória plena à Scuderia.

Vettel reconheceu que a partir de 2019 começou a perder o “último impulso” competitivo, precisamente quando Charles Leclerc chegou à equipa com uma energia e motivação que o confrontaram com a diferença de fases das respetivas carreiras.

O alemão admitiu que sempre viveu focado em vencer — em títulos, vitórias e pole positions — e que resultados como um quinto ou sexto lugares pouco lhe diziam, enquanto Leclerc festejava esses desfechos como marcos importantes. Essa discrepância acabou por expor o desgaste interno de Vettel, que começou a sentir maiores dificuldades em manter o nível de exigência e agressividade competitiva de outros tempos.

A temporada de 2020 agravou esse processo: além de um Ferrari pouco competitivo e de uma relação desportiva em deterioração, a paragem forçada pela pandemia deu‑lhe um período em família que o levou a reavaliar prioridades.

Vettel explicou: “Cheguei à Fórmula 1 em 2006, 2007, e diria que já em 2010, quando conquistei o campeonato, estava, de certa forma, no meu auge. Em 2011 estava muito mais preparado para ganhar o título do que em 2010 e depois tive anos fortes, obviamente a vencer campeonatos. 2015 foi um ano muito forte, tal como 2017 e 2018, e depois, em 2019 e, em boa verdade, em 2020, já estava em declínio. Fico contente por poder dizê‑lo agora, porque já não tinha aquele derradeiro impulso final.”

Sobre Leclerc, admitiu: “O Charles tinha imensa energia. Em boa verdade, eu estava mal-habituado: tinha ganho quatro campeonatos, tantas corridas, tantas poles. Só me interessava vencer, era esse o tipo de atleta que eu era. Queria ganhar, queria o maior troféu, queria aquele momento no pódio em que sabes que venceste a corrida, queria a sensação de segunda‑feira de ‘ganhei a última corrida e sinto‑me tão bem’, mas esse sentimento não dura o suficiente, por isso tens de ganhar outra. Depois, o Charles chegou e, quando terminávamos em quinto e sexto, ele ficava radiante com um quinto e sexto, porque estava numa fase diferente da carreira, no seu primeiro ano num carro competitivo. Acho que foi aí que comecei a ter mais dificuldade.”

Sobre 2020 e a pandemia, acrescentou: “O ano de 2020 chegou, um ano realmente estranho com a COVID: deixámos de correr, tive uma pausa fantástica que nunca tinha tido e desfrutei imenso desse tempo com a família. Comecei a tomar mais consciência, com os miúdos a crescer, dos problemas no mundo e de como isso me afetava e se refletia em mim. Nessa altura, já não estava, diria, no meu pico.”

Desde então, Vettel começou a usar a F1 como plataforma para dar voz às suas causas e para dar asas a uma paixão que lhe ia dando cada vez menos. Saiu da F1 já longe do seu auge mas respeitados por todos.

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