F1: Sam Michael pede mudanças mais profundas

Por a 13 Agosto 2019 16:00

O ex-director técnico da Williams e ex-director da McLaren falou sobre os possíveis impactos das mudanças na F1 em 2021.

O australiano acredita que será preciso fazer mais para que a competição fique mais apelativa, especialmente para o jovens fãs.

Michael defende que o regresso ao efeito solo é uma boa medida:

“O que eles [F1] estão a tentar fazer, acho que é bom”, disse Michael ao Speedcafe. “Suponho que através dos estudos realizados serão capazes de provar que melhoraram a capacidade dos carros de andarem mais perto. Se eles conseguirem será excelente. Seria lógico esperar então que isso melhorasse as corridas.”

No entanto Sam Michael acredita que a F1 nestes moldes, irá ser sempre tendencialmente aborrecida, pois num desporto tão evoluído tecnicamente, os engenheiros terão sempre muitas ferramentas que permitirão controlar as novas variáveis, que lhes serão colocadas e responderão como têm feito até agora. Se assim não fosse, os engenheiros não estariam a fazer o seu trabalho de forma correcta. O controlo quase absoluto da maioria das variáveis retira a imprevisibilidade desejada. Michael acredita que é preciso fazer mudanças mais profundas:

“Há duas coisas em que há dificuldade em mudar na Fórmula 1”, sugere, “uma é a ordem da grelha, porque é muito tradicional, tem sido assim desde o início da Fórmula 1, e a outra coisa é a distância da corrida.”

“Eu consideraria fazer isso [inverter a ordem da grelha de partida]. Eu também consideraria corridas sprint, potencialmente dividindo-as em duas, fazendo o que eles fizeram aqui nos Supercarros, onde eles efectivamente têm uma corrida de sábado e domingo, o que eu pessoalmente acho mais divertido.”

“Mas novamente isso vai contra o tradicional grand prix e faz uma rotura com os anos 50. Se continuarmos a tentar envolver os jovens no desporto e mantê-los entretidos, eles não terão a capacidade de concentração para ver um grande prémio de 300 quilómetros”, disse ele. disse. “Se eles assistirem, verão o início, e só ficarão entretidos se tivermos uma situação como o Grande Prémio da Alemanha, onde é imediatamente aparente que este será um grande prémio excepcional.”

“Mas será uma corrida em 20, o resto do tempo eles vão desligar. Se o automobilismo em geral, e F1 como o auge, quer continuar a atrair um público jovem, eles têm que fazer coisas para manter a sua atenção.

“O desafio existe para todos os desportos”, admite ele. ” Uma das coisas em que a F1 é muito boa internamente é a mudança. Todo o modelo de negócios da Fórmula 1 passa pela gestão de mudanças. Não importa se é o último no grid ou o primeiro no grid, se não se mudar e melhorar, morre-se.”

“O que é realmente notável sobre a Fórmula 1, embora internamente seja pró-mudança, [com mudanças a nível técnico], na verdade é muito má a aplicar essa filosofia ao desporto em si.”

“Eu acho que se conseguirem implementar a mentalidade [de mudança] interna real nas equipas de F1 para a parte desportiva, como um todo, a F1 transforma-se em 12 meses”, conclui. “Se eles não fizerem isso, correm o risco real a longo prazo no que diz respeito ao entretenimento que o desporto é capaz de dar.”

Será que a F1 precisa de uma mudança tão radical no seu formato para continuar a agradar aos novos públicos? Sebastian Vettel avisava para os riscos de mudar em demasia a F1, esquecendo o seu ADN. A F1 terá de encontrar o caminho certo, de forma a não perder fãs e trazer novos seguidores. Não é fácil este compromisso.

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Kaos
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Kaos

Falou e bem…se não resulta é porque estão a fazer mal algo…mudem para ver se resulta

can-am
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can-am

Estes tipos mais vale estarem calados. Só querem é protagonismo e dizem asneiras atrás umas das outras. Claro que para um team que anda no fundo do poço tudo está mal.Há-de haver sempre 1 que ganha e 19 ou 20 ou 21 que perdem !Nunca se pode agradar a todos.Essa das grelhas invertidas era definitivamente colocar uma placa :
“Espectáculo de Circo com fartura de palhaços”.
Haja paciência.

831ABO
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831ABO

Sam Michael tem razão em muitos aspectos. Os jovens cada vez se interessam menos pela Fórmula 1. Hoje o princípio é o da gratificação instantânea e não há nada de instantâneo numa corrida de 300 Km ou 2 horas. A F1 está a tornar-se numa coisa de velhos e as tentativas de a fazer chegar aos mais novos baseiam-se nas pressuposições e estereótipos que os mais velhos mantêm acerca dos jovens: que são todos tarados pela tecnologia e adoram apps e hashtags, que têm uma percepção limitada e só conseguem ver heróis e vilões entre os pilotos, etc. Basta ver… Ler mais »

Kaos
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Kaos

Excelente comentário.

can-am
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can-am

Também é verdade que o regulamentismo do politicamente correcto homogeneizou e tornou assépticas as corridas. Os carros estão cortados,limitados,cheios de BOPs e outros gizmos. Os F1s e não só, tornaram-se silenciosos,discretos etc. Aquela noção de tempestade/trovoada que entrava pelo corpo dentro perdeu-se. Isso foi muito importante.Foi o que “agarrou” gerações e gerações. A experiência dos sentidos brutal. Só um caça de combate passava isso.Hoje já não é assim. Acaba por se ter mais experiência num jogo de PC, e esse é o “sector” do automobilismo que tem mais crescido,e é fantástico ninguém o nega. A noção de perigo que estava… Ler mais »

Roder
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Roder

Ele está certo quando disse da corrida ser longa e por causa disso tirar a atenção do público jovem quando não há grandes disputas ou proximidade dos carros. É muito fácil hoje em dia prever quem e quais equipes vão largar na frente e vencer. Alternar ordem de largada, permitir um terceiro carro reserva para um piloto não ficar fora do treino de classificação ou da corrida por causa de acidentes ou avarias e, na primeira volta quando há acidentes permitir relargar na posição original de classificação, ter duas corridas curtas no domingo com ordem de largada inversa do 1º… Ler mais »

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