O balanço da parceria Red Bull / Honda é claramente positiva e em três anos com o fornecedor de unidades motrizes japonesas, a Red Bull conquistou quase tanto do que em cinco anos com as unidades motrizes da Renault.
A parceria Red Bull / Renault marcou os últimos anos dos V8, com esta dupla a dominar os últimos quatro anos, antes da entrada em cena das unidades motrizes híbridas. Mas a entrada na nova era não correu bem à Renault, que nunca conseguiu encontrar soluções para se tornar competitiva o suficiente para permitir à Red Bull chegar à Mercedes. O casamento de sonho azedou e deu em divórcio litigioso. A Red Bull usou de 2014 a 2018 unidades motrizes Renault, sem bem que de 2016 a 2018 fossem denominadas Tag Heuer, mas a relação estava destinada à separação, tal o coro de críticas das duas partes.
Entrou em cena a Honda, depois de um namoro feito pelo intermédio da Toro Rosso. O plano gizado por Ron Dennis para a McLaren iria ser aproveitado na Red Bull, com a Honda a encontrar um parceiro forte, mas ao mesmo tempo compreensivo das falhas nipónicas. Essa compreensão permitiu à Honda trabalhar mais e melhor (com menos pressão e publicidade negativa) e hoje em dia, os tempos em que os motores da Honda era apenas bons para o GP2 já são um passado que poucos querem recordar.
Os números são claros e, comparando apenas a era híbrida, a Red Bull teve quase tanto sucesso com a Honda do que com a Renault. As unidades francesas permitiram 57 pódios (cinco épocas), contra 43 da Honda (três épocas). No total foram 12 vitórias com unidades Renault / Tag Heuer, contra 27 vitórias com a Honda (para ja). Só este ano a Red Bull conseguiu 21 pódios até ao momento, o melhor registo neste capítulo, bem superior o melhor registo com motores franceses (16 pódios em 2016). No que diz respeito à classificação de final de época, a Red Bull já conseguiu o vice campeonato com a Honda (2020), tal como tinha conseguido com a Renault (2014 e 2016).
Muitos foram os céticos em relação à troca da Renault pela Honda e basta seguir os números para ver que os primeiros tempos não foram os melhores. Tirando o péssimo ano de 2015, com apenas conseguiu três pódios, a Red Bull conseguiu sempre pelo menos 12 pódios. O primeiro ano com a Honda deu nove, mas 2020 deu 13 presenças nos lugares que dão direito a champanhe, tantas quanto em 2017 e 2018 (com unidades Renault). A aposta revelou-se acertada e em três anos a equipa austríaca conseguiu subir o nível e desafiar a Mercedes. As relações são tão boas que, apesar da saída da Honda, a Red Bull vai ficar com uma unidade motriz competitiva, recebendo o “Know How” da marca japonesa. Apesar das dúvidas, a escolha da Honda foi crucial para o ressurgimento da Red Bull.












