A saída surpreendente de Fernando Alonso da Alpine para a Aston Martin abriu uma vaga inesperada na equipa francesa. Com o espanhol fora das contas para 2023, quem irá assumir o volante?
Antes de mais, é importante realçar que é a segunda vez em dois anos que uma grande estrela abandona o projeto francês por ver mais futuro noutras equipas. Em 2020, Daniel Ricciardo considerou que o projeto não tinha o potencial que considerava necessário para se manter e foi convencido pela McLaren a mudar-se para Woking, uma mudança infeliz até agora, olhando ao que o australiano tem feito. A Renault conseguiu colmatar a saída de Ricciardo com um golpe publicitário ainda maior do que a troca de Ricciardo da Red Bull para a Renault. Os franceses conseguiram convencer Fernando Alonso a regressar à F1 (a vontade já existia e era grande) e à equipa que lhe abriu as portas para os dois títulos mundiais que tem no seu currículo. A relação foi encarada sempre com algumas cautelas de ambas as partes. De Alonso, porque sabia que a Renault (depois Alpine) tinha ainda um longo caminho a percorrer para ser verdadeiramente competitiva, e da Renault porque não sabia o que Alonso tinha ainda para dar.
A relação começou bem e foi-se fortalecendo. O primeiro ano de Alonso na Alpine foi um “ano zero” para se voltar a habituar às exigências da F1 e o segundo ano não corre mal de todo. Alonso mostrou que manteve intactas todas as suas qualidades e a Alpine tinha no espanhol a garantia de extrair o máximo do carro. Mas o Alonso terá sido convencido por Lawrence Stroll e o seu projeto Aston Martin e o asturiano deixou para trás a “sua casa” para tentar a sorte em Silverstone. Uma mudança surpreendente, mas que volta a deixar a Alpine mal na fotografia. Duas estrelas que abandonam o projeto em dois anos.
Quem se segue? A resposta deverá ser muito simples. Oscar Piastri. O jovem australiano é visto como um dos novos prodígios da F1, está já como piloto de reserva da Alpine e aguardava as movimentações do mercado para encontrar um lugar. Falava-se da Williams, com Nicholas Latifi a estar com um pé fora, mas com este volte face, Piastri pode ficar na sua equipa e a Alpine tem a vaga para o seu jovem talento (campeão de F3 e F2 em anos consecutivos, tal com George Russell e Charles Leclerc). Em teoria, a Alpine fica a perder, pois mantém Esteban Ocon e fica com Piastri que, apesar do seu talento, não tem ainda a experiência que a equipa precisa. Mas, por outro lado, a Alpine garante o futuro a médio prazo, mantendo Piastri em casa.
Olhando para o resto do mercado de pilotos, a única opção interessante para a Alpine poderia ser Pierre Gasly. O francês tem mostrado qualidade ao longo das últimas épocas na Alpha Tauri e encaixaria bem na Alpine, com um alinhamento 100% francês. Mas Gasly já assinou por um ano com a sua atual equipa e não deverá ter interesse em forçar uma saída, esperando mais uma época por lugares mais interessantes. Daniel Ricciardo, que já viu o seu lugar ser associado ao de Piastri, fica assim também menos pressionado (para já) e o cenário do regresso à equipa francesa não deverá ser uma possibilidade.
Assim, a questão Alpine deverá ser resolvida com relativa facilidade. Resta saber que repercussões terá esta mudança no marcado na Williams que contava dispensar Latifi. Irá a equipa manter o canadiano ou tentar outro piloto?











