Em julho a Alpine anunciou a saída do chefe de equipa Otmar Szafnauer, por mútuo acordo, após o Grande Prémio da Bélgica, poucos dias depois. O mesmo sucedeu ao diretor desportivo Alan Permane, que após 34 anos em Enstone, deixou a equipa. Por coincidência, sabe-se agora, era confirmada a saída de Pat Fry, que iria continuar a sua carreira na Fórmula 1 noutra estrutura como diretor técnico: a Williams.
Otmar Szafnauer explicou, na altura em que estava de saída da Alpine, que era preciso tempo para desenvolver o projeto e ter resultados positivos desse trabalho. Szafnauer acreditava que as pessoas certas para a equipa de Fórmula 1 já tinham sido contratadas, mas ainda não estavam a trabalhar na estrutura, sendo a sua saída, assim como do Diretor Desportivo Alan Permane, prematura. Esta opinião é partilhada agora por Pat Fry, que está convicto que o então chefe de equipa não teve uma oportunidade para resolver todas as questões relacionadas com a equipa.
Nas primeiras declarações como responsável da Williams, Fry acredita que foi feito um “bom trabalho” em Enstone, mas que “não tenho a certeza de que Otmar [Szafnauer] tenha tido uma verdadeira oportunidade de resolver o problema, porque até certo ponto, penso que metaforicamente, as nossas mãos estavam atadas”.
Mesmo que o grupo Renault, proprietário da marca e equipa de Fórmula 1 da Alpine, tenha resolvido reorganizar a fundo a estrutura, “os que lá estiveram devem estar orgulhosos do que alcançamos nos primeiros três anos”, disse Fry.
A saída de Pat Fry coincidiu com a reestruturação interna levada a cabo na Alpine. Mas para o agora diretor técnico da Williams, a sua decisão surgiu porque não sentiu “o entusiasmo ou a vontade de ir além do quarto lugar”. O engenheiro britânico acrescentou que decidiu “no início de março, que queria fazer avançar as coisas, não queria ficar sentado e não ser capaz de fazer nada. Por isso, para mim, era altura de parar e seguir em frente. É uma daquelas coisas em que, enquanto empresa, penso que não estavam preparados para dar o máximo. Podemos dizer que queremos ser os primeiros, mas a diferença entre dizê-lo e consegui-lo é monumental, como todos sabemos”.
Por isso aceitou o desafio lançado por James Vowles, que precisou de dois meses para o conseguir convencer. “O James já andava a falar comigo há algum tempo e só dois meses depois é que decidi vir para cá [para a Williams]. Acho que o que me entusiasma nesta oportunidade é o facto da direção estar totalmente de acordo com o que vai ser necessário para fazer avançar. Estão dispostos a investir o que for preciso e a apoiar-nos na construção de uma equipa”. Além disso, Fry tem a “visão romântica de regressar à Benetton, para a reconstruir” e ao mesmo tempo “reconstruir um velho ícone britânico”.











