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F1: Obrigado Seb!

Fábio Mendes by Fábio Mendes
15 Novembro, 2022
in F1, FÓRMULA 1
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Homenagem a Michael Schumacher junta Vettel e Domenicali a pilotos do DTM

Portrait, Red Bull Ring, GP2211a, F1, GP, Austria Sebastian Vettel, Aston Martin, waves to fans


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Sebastian Vettel vai despedir-se da F1 no próximo fim de semana, em Abu Dhabi. O tetracampeão germânico irá fazer o seu 299 GP  e dizer adeus ao desporto que dominou, e aos fãs que ao longo do tempo aprenderam a respeitar o piloto e acima de tudo, o homem. 

No GP dos Estados Unidos de 2007, um jovem Sebastian Vettel estreava-se na F1, substituindo Robert Kubica, a recuperar de um violento acidente no GP do Canadá. Apesar da aparência tímida, o jovem Vettel tratou de mostrar todo o seu talento em pista, sendo o terceiro mais rápido no agregado dos três treinos na mítica pista de Indianápolis. O então piloto de reserva e de testes da BMW mostrou um potencial tremendo, tal como tinha mostrado no GP da Turquia do ano passado, quando aos 19 anos fez a primeira sessão de testes oficiais, também pela BMW. O mais jovem de sempre  (naquela altura) a participar um fim de semana da F1. Em Indianápolis, sétimo na qualificação, terminando em oitavo lugar na corrida, depois de um arranque titubeante que o fez perder quatro posições. Recuperou até ao oitavo lugar, o mais novo de sempre a marcar um ponto na F1. 

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A primeira vitória

Depois de Scott Speed ter sido dispensado a meio da época, Vettel ingressou na Toro Rosso, onde fez o resto da época 2007, sendo quarto na penúltima corrida desse ano. Na época seguinte, depois de quatro abandonos seguidos nas primeiras quatro corridas, Vettel começou devagar com um 17º na Turquia, para depois ser quinto no Mónaco e oitavo no Canadá. Ainda teve um par de desistências, mas pontuou nas últimas seis corridas, conseguindo a proeza de vencer com a Toro Rosso, no inesquecível GP de Itália, com a encharcada pista de Monza a ser palco do primeiro triunfo de Vettel na F1, com 21 anos. 

Em 2009 ingressou na Red Bull e a partir daí, é a história que todos conhecem. Foi vice-campeão em 2009, e de 2010 a 2013 dominou por completo a F1, tal como a Red Bull, onde conquistou 38 vitórias, 44 poles e 65 pódios. Vettel tornou-se mestre na arte de fazer a pole, largar bem e desaparecer da vista dos adversários. Ao seu lado tinha Mark Webber, com quem nem sempre teve uma convivência salutar. O talento de Vettel era menosprezado e muitos diziam que apenas vencia porque tinha o melhor carro. Disseram isso de grandes nomes da F1 e os grandes campeões  sem grandes críticos não existem. Mas poucos valorizavam o trabalho do jovem alemão, o mais jovem campeão de sempre. 

A mudança para a Scuderia

Em 2014 não conseguiu ter sucesso na Red Bull e foi “encostado” por um Daniel Ricciardo, que tinha entrado para o lugar do seu compatriota, Webber. Tinha vencido tudo na Red Bull e procurava um novo desafio que veio de Itália. A Ferrari contratou-o para preencher o lugar deixado vago por Fernando Alonso. Vettel tentava seguir os passos do ídolo Michael Schumacher e queria levar a Scuderia ao sucesso. Na segunda corrida pela equipa transalpina conseguiu a vitória, o que conseguiu por mais 14 vezes em seis épocas vestido de vermelho. A chegada de Charles Leclerc e o acumular de erros motivaram a não renovação do contrato e Vettel encontrou na Aston Martin um projeto para a sua reta final na F1, onde conseguiu um pódio (para já).

Para a história ficam as grandes lutas com Alonso, Webber e Lewis Hamilton, ficam também grandes prestações. Das muitas rubricadas pelo alemão, destacamos o GP da China 2016, onde ultrapassou três carros na entrada para a via das boxes, mostrando um conhecimento profundo dos regulamentos, a luta com Alonso no GP de Silverstone 2014, o GP de Abu Dhabi 2012, o GP do Brasil 2012, o GP de Abu Dhabi 2010 e claro, o GP de Itália 2008. Ficam alguns erros que custaram caro, em especial aquele em Hockenheim, que terá custado o título de 2018. A partir daí a sua carreira perdeu fulgor. O sonho de conquistar um título com a Ferrari esfumou-se e venceria apenas mais uma vez, em Singapura. 

Um talento nem sempre compreendido

Vettel não era um piloto acarinhado no seu tempo na Red Bull. O dedo em riste  a cada sucesso e a proteção que a Red Bull lhe dava, eram vistos como sinais de arrogância e falta de capacidade pura. Alguns consideram-no um dos menos talentosos a conquistar títulos. Uma afirmação que faz pouco sentido, olhando para os números do alemão, com 53 vitórias, 57 poles e 122 pódios. Um piloto sem talento não conseguiria atingir estes números. Há quem diga que era um piloto que apenas se destacava quando estava na frente das corridas e que era fraco nas lutas no meio do pelotão. Talvez, mas o prémio de melhor “ultrapassador” do ano passado é dele, com mais de uma centena de manobras concretizadas. 

Para todas as críticas as estatísticas têm uma resposta. Talvez o que esteja aqui em causa é o estilo do piloto. Sim, talvez pilotos como Hamilton, Alonso, e agora Max Verstappen e Leclerc tenham um pouco mais de capacidade nas lutas roda com roda e sejam mais espetaculares em corrida. Vettel arrisca sempre um pouco mais e nem sempre se dá bem. Mas o alemão aperfeiçoou a gestão de corrida na liderança e as voltas rápidas na qualificação. Vettel sempre colocou a ética de trabalho em primeiro lugar para chegar ao sucesso. São famosas as longas reuniões com  Vettel após as sessões em que alemão tenta extrair mais performance de si e do carro. São célebres as imagens do alemão com um caderno na mão nos primeiros testes com a Ferrari. A diligência e a capacidade de trabalho são o seu forte e isso potenciou a sua capacidade em pista. Apesar de não se gostar do estilo, não se pode dizer que Vettel não tinha talento. Tinha e potenciou-o à sua maneira. E um tetracampeonato não é mau resultado.

Grande dentro e fora de pista

Despede-se da F1 um excelente piloto que marcou uma era, mas acima de tudo uma personagem carismática. A saída da Red Bull e a passagem pela Ferrari e pela Aston, já longe dos sucessos anteriores, despiu-lhe o manto imaginado por muitos de arrogância. Vettel é um dos pilotos mais carismáticos do paddock, inteligente na forma como comunica, com um excelente sentido de humor que tantas vezes usa e com uma  postura a toda a prova. Quando estalou a guerra na Ucrânia foi o primeiro a dizer que não iria correr à Rússia, sem receios das consequências. E acérrimo defensor das suas causas, que vai mostrando ao mundo, com ações práticas e dando o exemplo (recolher o lixo das bancadas de Silverstone). É também um dos pilotos mais dedicados a melhorar a segurança da F1, preocupando-se com esse tema como poucos.

Vettel nunca se preocupou muito com a fama. Talvez tenha sentido a animosidade dos assobios a cada vitória na Red Bull, ou nos casos com Mark Webber, mas nunca perdeu o sorriso. A F1 perde muito com a saída de Vettel. Perde um piloto respeitado e acarinhado por todos. Perde uma referência e perde um dos pilotos que mais deu à competição, à sua maneira. No próximo domingo, despedimo-nos de um dos grandes da F1. Pode não ser um adeus, apenas um até já como humildemente reconheceu. Mas imaginar a F1 sem Sebastian Vettel custa. Imaginar uma conferência de imprensa sem o seu humor ou a sua postura custa. Imaginar uma corrida sem os seus momentos de brilhantismo custa. O homem do dedo em riste vai-se, mas ficam os títulos, as vitórias, os pódios… mas acima de tudo as recordações de um piloto que soube ser grande, dentro e fora de pista. Obrigado Seb!

Tags: Aston MartinF1FerrariFormula 1Red BullSebastian Vettel
Fábio Mendes

Fábio Mendes

Em 2013 criei um blog com um grupo de amigos, que me abriu as portas para o fantástico mundo do motorsport e do AutoSport, onde escrevo desde 2017.

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