Está finalmente confirmada a ida de Sérgio Pérez para a Red Bull. Mas o que significa isto para a equipa austríaca? O que Pérez traz de novo à equipa?
Corria o ano de 2012 e um jovem mexicano dava nas vistas na Sauber. O seu nome era Sérgio Pérez. As suas prestações foram espantosas e os três pódios conquistados (Malásia, Canadá e Itália) colocaram-no nas bocas do mundo. Nesse mesmo ano a McLaren viu sair Lewis Hamilton para a Mercedes e abria-se uma vaga de sonho para Pérez, que assinou pela equipa de Woking para 2013.
Mas o sonho depressa se tornou em pesadelo. A equipa sem confiança no conceito de 2012, apesar dos bons resultados, fez um carro do zero e o resultado foi dramático. Um carro fraco, pouco competitivo, o que deixou Pérez numa situação delicada. A relação com Jenson Button também teve momentos tensos em pista e começaram a surgir rumores sobre a postura pouco adequada do mexicano dentro da equipa. De forma algo precipitada, Pérez foi dispensado no final de 2013, para dar lugar ao promissor Kevin Magnussen.
Pérez ficou de malas feitas e parecia que a sua caminhada na F1 tinha terminado, mas foi contratado pela Force India e aí mostrou todo o seu talento. Mais maduro, mais consciente das suas capacidades, tornou-se no melhor piloto da equipa, tendo como colegas Nico Hulkenberg, Esteban Ocon e Lanco Stroll. O primeiro pódio pela equipa veio logo em 2014 (Bahrein), seguindo-se mais um na Russia (2015), Mónaco (2016), Baku (2016 e 2018), Turquia (2020) e a tão desejada vitória no Bahrein esta época.
Pérez é um piloto diferente do que era em 2012. Não é mais o irreverente que tentava ultrapassagens à minima oportunidade. Ver Pérez em 2012 foi um regalo, com grandes manobras, mas o seu tempo na McLaren e a quase saída da F1 fizeram dele um piloto mais ponderado, mais calculista, menos dado arriscar. A qualificação sempre foi o seu ponto mais fraco, mas ciente disso, sabendo também que não podia lutar pelas posições de top, apostou sempre em afinar o carro para o domingo, onde é um dos melhores. A gestão que faz dos pneus é das melhores e isso permite à equipa ter uma flexibilidade na estratégia que poucos pilotos permitem.
A Red Bull procurava um bom número dois. Talvez tenha isso e muito mais. Pérez traz experiência, traz maturidade para aguentar o confronto interno com Max Verstappen. Não ficará preocupado se levar três ou quatro décimas na qualificação do seu colega enquanto não se adaptar à nova máquina. Pérez já sabe o que quer do carro e gosta de estar preparado para a corrida. Isso é bom para a Red Bull pois ganha um piloto que facilmente trará muito pontos à equipa, que permitirá pressionar mais a Mercedes e obrigará Verstappen a estar no seu melhor. Desde a saída de Daniel Ricciardo que a Red Bull se tornou numa equipa apenas virada para Verstappen. Não se espera que o cenário mude de figura, mas a entrada de Pérez dará certamente mais preocupações ao holandês.
Pérez tem um prémio merecido pela sua regularidade e por ter sido sempre um dos melhores do segundo pelotão. Volta a uma equipa de topo, que certamente lhe permitirá lutar por pódios e consolidar a sua posição na F1. A Red Bull fica com uma dupla muito forte, com a velocidade pura de Verstappen e a inteligência e gestão de corrida de Pérez, além de espicaçar Max a fazer mais e melhor. Parece ser a opção acertada por parte da Red Bull. 2021 trará mais respostas.










