F1: O plantel (practicamente) definido de 2023
Com o anúncio da entrada de Nico Hulkenberg na Haas, a grelha de 2023 ficou praticamente definida. Há apenas um caso que ainda não está 100% definido (Logan Sargeant) mas que, correndo tudo como se espera, está com as portas abertas para a F1.
De todos os lugares na grelha “apenas” falta confirmar um, que terá de conseguir os pontos necessários na sua Super Licença para ser piloto de F1. Todos os outros lugares estão definidos. Uma grelha que tem muita qualidade e que vale a pena analisar brevemente.
#Red Bull
Continuidade é a palavra de ordem na Red Bull. Depois de duas épocas de constantes mudanças, a Red Bull encontrou um bom equilíbrio com Max Verstappen e Sergio Pérez. A dupla parecia ter uma boa relação, mas depois do caso Interlagos, poderemos começar a ver um afastamento entre ambos. Mas a Red Bull tem uma boa dupla, com a sua estrela (Verstappen) e um nº 2 muito competente que traz muitos pontos e que costuma ser decisivo nos momentos certos. Fica a curiosidade de ver se a relação se mantém estável e que papel poderá ter Daniel Ricciardo, que deve estar prestes a ser anunciado como piloto de reserva da equipa, sendo uma hipótese para o futuro a curto prazo. No geral, uma dupla que dá confiança e já deu três títulos.
#Mercedes
A Mercedes vai também manter a sua dupla. A equipa não gosta de mudanças e prefere a estabilidade quando tudo corre bem, como é o caso. 2022 foi um ano exigente, com um conceito de monolugar que demorou a ser entendido. Mas do lado dos pilotos, vimos sempre boas prestações. George Russell integrou-se bem na equipa, está a conseguir uma excelente época e foi aposta ganha (apesar de um decréscimo de forma nesta ponta final, mitigado pela vitória no Brasil). Lewis Hamilton continua a ser a referência e a mostrar que tem ainda fibra de campeão, mesmo depois de uma época onde poderá não vencer nenhuma corrida. Mas a manutenção da dupla é o passo lógico e com Hamilton a ter vontade de ficar por mais tempo, poderemos ver este duo por alguns anos. Será que irá dar faísca? Uma das melhores duplas da grelha.
#Ferrari
Não é pela dupla de pilotos que a Ferrari não chegou ao sucesso. Charles Leclerc mostrou que tem argumentos para se bater com Max Verstappen, mas a equipa não lhe deu as ferramentas necessárias para levar essa luta até ao fim. Cometeu um par de erros comprometedores, mas tinha andamento e capacidade para lutar pelo título até a derradeira corrida. Já Carlos Sainz começou mal a época, demorou a adaptar-se ao novo carro, mas o trabalho árduo deu frutos e agora Sainz voltou a aproximar-se do nível de 2021. A relação entre ambos é boa, e o equilíbrio que trazem à equipa é o ideal. A Ferrari tem uma dupla capaz de lutar pelo título… só falta que a equipa acompanhe os pilotos. A par da Mercedes, uma das melhores duplas da grelha.
#Alpine
Uma dupla 100% francesa numa equipa francesa. A mudança de Pierre Gasly para a Alpine já há muito que fazia sentido, mas só este ano se concretizou. Gasly tem sido consistentemente um dos melhores da grelha e conseguiu definitivamente afastar fantasmas do passado. Não teve uma época 2022 brilhante, prejudicado também pela equipa que não fez um desenvolvimento célere e capaz do seu monolugar. Vai juntar-se a Esteban Ocon, que está na equipa desde 2020 e acompanhou a mudança da Renault para Alpine. Não atingiu o potencial que se esperava dele nos primeiros anos, especialmente na Force India. É um bom piloto, mas apresenta alguma irregularidade nas suas prestações, além de, aparentemente, não conseguir manter boas relações com os colegas de equipa. Com a chegada de Gasly, serão dois galos para o mesmo poleiro e a luta interna pode aquecer. É um downgrade em relação à dupla deste ano, pois Fernando Alonso é… Fernando Alonso, mas ainda assim, uma dupla interessante para os objetivos da equipa, quer em pista, quer de marketing.
#McLaren
Temos mudanças também do lado da McLaren. Lando Norris é cada vez mais uma das estrelas desta grelha e já merecia um carro capaz de o fazer lutar pelo título. Tem sido a referência da equipa nas últimas duas épocas e está facilmente no top 5 dos melhores pilotos da atualidade. Fez mais uma época regular e tem a sua posição na equipa mais que cimentada. Para o ano terá um novo cenário pela frente. Será ele o mais velho e o mais experiente da equipa. Se até agora teve sempre colegas mais experientes, a partir do próximo ano assume de forma clara e inequívoca o papel de líder da equipa. Que efeitos terá na postura e nas prestações do jovem britânico? Só em 2023 o saberemos. Para já é uma das mais-valias da equipa. Do outro lado estará um estreante. Oscar Piastri foi protagonista de uma das novelas deste ano, com uma saída polémica da Alpine. É um dos grandes talentos jovens, mas terá de confirmar isso numa equipa que pretende chegar aos lugares de topo em breve. Se começar a errar nos primeiros tempos (o que é normal), poderá sofrer mais pela pressão mediática, tal como a McLaren que forçou muito e arriscou para ter o jovem australiano. No papel, tem tudo para ser uma estrela. Falta ver na prática. A McLaren fica com a dupla mais jovem do pelotão. Uma dupla muito boa, se o potencial de ambos os pilotos se materializar.
#Alfa Romeo
Fica tudo na mesma na Alfa Romeo e ainda bem. Valtteri Bottas encontrou o local ideal para si, depois da exigente passagem pela Mercedes. Na Alfa Romeo pode ser mais descontraído, ao mesmo tempo que é visto como o líder e acarinhado como tal. Isso tem trazido uma nova faceta de Bottas. Mais leve, mais bem-disposto e mais competitivo em pista. Fez o que Kimi Raikkonen fazia (talvez com mais qualidade até) e a Alfa agradeceu. Com a Audi a chegar, poderá ter feito a escolha certa para, quem sabe, regressar ao topo. Zhou Guanyu fez uma boa primeira época. O estreante chinês era olhado de lado por ser pagante, mas mostrou ter qualidade suficiente. Não deslumbrou, mas não comprometeu e por isso mereceu ficar mais um ano. Uma dupla boa para as aspirações da equipa.
#Alpha Tauri
Uma das duplas que mais pontos de interrogação levanta. A saída de Gasly motivou a entrada de Nyck de Vries, que já não contava ser piloto da F1 nesta fase da sua carreira. O neerlandês é um piloto de inquestionável qualidade e a amostra que nos deu em Monza com a Williams deixou a todos com água na boca. Tem tudo para ser um bom piloto de F1 e entra na estrutura certa para se ambientar ao competitivo Grande Circo, sem grandes pressões e sob o olhar atento da Red Bull. Muita curiosidade para ver como se comportará de Vries. Já Yuki Tsunoda mostrou alguma evolução, mas não a suficiente para convencer de forma inequívoca. O japonês é rápido, mas a sua mentalidade e irregularidade são ainda pontos fracos. Ninguém vê nele um potencial líder da equipa em 2023, papel que de Vries pode assumir com alguma facilidade (teoricamente). Tsunoda não convenceu, mas a Red Bull parece acreditar no seu potencial. Mas tem de se aprimorar. A equipa perde em experiência e poderá demorar até voltar a equilibrar-se e tirar o máximo proveito dos seus pilotos.
#Haas
No ano passado a Haad tinha a dupla mais jovem da grelha, em 2023 terá a mais experiente. Kevin Magnussen regressou em boa hora para a equipa e foi fundamental para que a época 2022 tivesse alguns bons momentos. Magnussen é um bom piloto de F1 e o seu regresso provou-o. Foi uma mais-valia e para a próxima época tem ao seu lado um “velho conhecido”. Nico Hulkenberg faz um regresso surpreendente, pois já ninguém esperava ver o alemão na F1. Mas é uma aposta acertada por parte da equipa. Ganha experiência, ganha qualidade e uma dupla com maturidade para colocar a equipa em primeiro lugar. É talvez a equipa que dá um salto maior ao nível qualitativo da sua dupla de pilotos.
#Aston Martin
Lance Stroll mantém-se na equipa em 2023 depois de ter dado exatamente o que deu nas épocas anteriores. Alguns momentos positivos, outros negativos e os restantes sem grande motivo de destaque. Não é um piloto que entusiasme, quer dentro, quer fora de pista, com uma postura cinzenta que acrescenta pouco ao desporto. Seria neste momento piloto de F1 se o seu pai não fosse dono de uma equipa? Fica a questão no ar. Tem qualidade, é certo, mas é algo irregular e este ano não nos recordamos de momentos de brilhantismo do piloto canadiano. Ao seu lado passa a ter Fernando Alonso. Com 41 anos mantém a mesma sede de vitórias, a mesma qualidade em pista e uma atitude louvável. O que seria desta época se não fossem os constantes problemas de fiabilidade da Alpine. A Aston Martin ganha um grande piloto (pode dar mais que Sebastian Vettel – mais qualidade, mais resultados e… mais dores de cabeça) e ganha ao nível do mediatismo. Um ligeiro upgrade em relação à dupla que se desfaz este ano. Como será a relação entre os dois? A seguir com atenção.
#Williams
O regresso de Alex Albon à F1 trouxe alguma justiça. Albon nunca foi tão mau quanto o pintaram e na Williams mostrou que a sua qualidade poderia fazer a diferença. A Williams não sentiu saudades de George Russell e Albon conseguiu excelentes prestações este ano. Está a consolidar a sua posição na F1, o que não teve tempo de fazer na primeira passagem. Mereceu a renovação. Ao seu lado terá Logan Sargeant. O jovem americano não está ainda confirmado, mas se fizer os pontos necessários na sua Super Licença, o lugar é seu. Não é um dos talentos mais entusiasmantes da F2, mas tem-se revelado um bom piloto e atrai um mercado que interessa cada vez mais. A equipa não perde muito, olhando às prestações de Nicholas Latifi, pelo que é um risco que vale a pena tomar. Uma dupla mais interessante do que a atual.

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atuaprima
17 Novembro, 2022 at 19:57
«São 21 pilotos confirmados e um piloto que “apenas” terá de conseguir os pontos necessários na sua Super Licença para ser piloto de F1»
A Andretti sempre vai entrar na formula 1?
Danny Ric Fan Club
18 Novembro, 2022 at 0:54
Ainda me vou rir à custa do «upgrade» na Aston Martin.
JS1970
18 Novembro, 2022 at 6:16
Só faltou mencionar o Inepto/Cebolada… Que dupla!