F1: O momento complicado da Alpine pode beneficiar a Williams?
No momento em que a Williams começa a estabilizar, depois da entrada de James Vowles como responsável máximo da equipa de Grove, a Alpine também o tenta fazer, ‘arrumando’ a casa e mudando, de forma surpreendente, a gestão operacional. Saíram Otmar Szafnauer e Alan Permane sem terem ainda qualquer destino, enquanto Pat Fry ruma à Williams e há quem explore a possibilidade que a insatisfação em Enstone, fábrica no Reino Unido da Alpine, pode provocar mais saídas. Esta situação pode beneficiar a Williams?
Durante algumas temporadas, a Williams foi ficando orfã de funcionários, sem capacidade financeira para se aguentar ao melhor nível dentro do pelotão da Fórmula 1. Foram notórias as dificuldades e ainda são. Herdadas do tempo da gestão da família Williams, os atuais proprietários da equipa britânica colocaram nas mãos de Jost Capito a tarefa de levar a estrutura para outras lutas, escapando aos últimos lugares da classificação. O alemão acabou por pagar pelo erro de casting na escolha de François-Xavier Demaison como diretor técnico e saiu da Williams para ser substituído, já em 2023, pelo antigo estrategista da Mercedes, James Vowles.
Sem pressa para escolher um líder do departamento técnico, Vowles dedicou-se a planear o futuro para a equipa de Grove. Obviamente, trabalhou nas sombras para escolher Pat Fry, chegando a acordo com a Alpine para que o seu novo diretor técnico possa começar a trabalhar na nova equipa o mais rapidamente possível. Vowles esclareceu que a entrada de Fry foi estratégica e mostra a todos que a Williams tem capacidade para contratar um dos mais experientes técnicos dentro do paddock, sendo ao mesmo tempo, um projeto aliciante. Os resultados obtidos em pista também ajudam.
Na sua coluna de opinião no Motorsport Magazine, Matt Bishop, antigo responsável de comunicação da Aston Martin – onde trabalhou com Szafnauer – entre muitas outras equipas, explica que a moral está em baixo na fábrica britânica da Alpine e a situação é confusa, podendo resultar num recrutamento mais acessível por parte de outras equipas.
Não seria de espantar que a Williams fosse uma dessas equipas, que aproveitaria o ambiente desfavorável a vários elementos que trabalhavam diretamente com Szafnauer, Permane e Fry – sabendo-se que muitas vezes ‘pagam a fatura’ quando muda a gestão da equipa – para contratar alguns deles. Até mesmo Permane, que na opinião generalizada dos chefes de equipas não deve ficar muito tempo desempregado.
A Williams quer apostar no desenvolvimento das suas infraestruturas, desadequadas para se bater com a concorrência, esperando alcançar um compromisso dentro da Comissão de F1 sobre este tema. Não está fácil, até porque algumas equipas que estão na primeira metade da tabela classificativa têm receio do que pode fazer a equipa britânica com nova orientação e dinheiro para gastar.
Precisa também de aumentar o número de funcionários e, de preferência, com experiência e com um projeto desportivo apelativo. Dando condições para serem inventivos sem que sejam censurados por o fazerem, a Williams pode ser um porto de abrigo apelativo para quem vê a atual equipa a ser desmantelada, passando completamente a ser gerida de França.
Helmut Marko disse recentemente, que uma solução para os problemas dentro da Alpine podia passar pela venda da equipa de Fórmula 1 à Andretti Autosport. Toda a gente ficava satisfeita: o número de equipas no paddock mantinha-se, a Renault continuaria a fabricar motores para a F1 e Michael Andretti via o seu objetivo de competir no mundial cumprido. Claro que não passa da opinião do consultor da Red Bull, mas não seria totalmente descabido.
Foto: Zak Mauger / LAT Images




